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São Bento à Sexta

Assis rejeita "oposição silenciosa" no PS e acredita que Carneiro será candidato a PM

27 mar, 2026 - 21:39 • Tomás Anjinho Chagas

Eurodeputado socialista avisa que "não há vantagens em criar instabilidade no PS" e sublinha que Pedro Nuno Santos não era um radical. Assis vê "aproximação" entre PSD e PS na reforma laboral e deixa avisos para dentro para que ninguém tenha pressa: "Cura de oposição é útil".

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Francisco Assis: "Espero que Carneiro seja candidato a primeiro-ministro, cura da oposição é útil para o PS"
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Francisco Assis, eurodeputado do PS, espera que o atual secretário-geral do PS seja o próximo candidato do partido ao cargo de primeiro-ministro.

Durante o São Bento à Sexta, programa de política semanal da Renascença, Assis fala num "longo caminho a percorrer" e considera que a "cura de oposição é útil" para os socialistas.

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"Espero que ele seja o candidato a primeiro-ministro, não há vantagem nenhuma em criar instabilidade, nem no país nem dentro do Partido Socialista. Há um longo caminho a percorrer. Isso é bom para o país para o PS, que esteve muitos anos no poder, uma cura de oposição também é útil", afirma o antigo líder parlamentar do PS.

Francisco Assis defende que José Luís Carneiro "tem todas as condições para permanecer em funções até 2029 e disputar as eleições legislativas", e descreve várias características do atual líder do PS, que o justificam.

O programa foi gravado durante o arranque do Congresso do PS, que se realiza até domingo, em Viseu. José Luís Carneiro foi reeleito recentemente, sem concorrência, com quase 97% dos votos. Francisco Assis rejeita a ideia de uma "oposição silenciosa".

"Ninguém manifestou a mais leve intenção de se apresentar nestas eleições e francamente não sinto no PS a existência de qualquer oposição silenciosa, de qualquer oposição subterrânea que, pelo menos, tenha força suficiente para o pôr em causa", diagnostica Assis.

"Pedro Nuno Santos faz falta à vida política"

Sobre o caminho político a seguir para o PS e questionado se deve tomar um rumo bem diferente de Pedro Nuno Santos, antigo secretário-geral do PS, Francisco Assis rejeita a ideia de um líder "radical" e sugere que este poderia regressar ao ativo.

"Não é um homem tão radical que muitas vezes se quer fazer dele. É uma pessoa que faz falta até à vida política portuguesa, do meu ponto de vista. Espero que ele até regresse, não sei que circunstâncias, mas que possa regressar". defende Assis.

O eurodeputado do PS considera que houve uma "ideia" que se "colou" a Pedro Nuno Santos, mas admite que também pode ter sido o antigo líder do PS a ajudar a que isso acontecesse. Não obstante, Assis lembra que Pedro Nuno Santos aprovou o Orçamento do Estado ao PSD e fez "reformas estruturais" em diálogo com o Governo.

"O PS vai-se adaptando a uma nova realidade, mas é um partido moderado, sempre foi um partido moderado", argumenta.

O "erro político" da visita à Venezuela

Francisco Assis, que desde logo se manifestou publicamente desconfortável com a visita de José Luís Carneiro à Venezuela, fala agora num "erro político", que considera ultrapassado.

O antigo líder parlamentar do PS assume que havia uma "boa razão" para visitar a Venezuela, que é a proximidade com a diáspora, mas lamenta que o secretário-geral do PS ter tido agendado um encontro com a atual presidente, Delcy Rodriguez (ex-vice presidente de Maduro), que acabou por não acontecer.

"Todos os políticos cometem erros, eu já cometi imensos erros ao longo da minha vida política, por vezes tomamos decisões em função de um determinado critério e não estamos suficientemente atentos a outras dimensões do problema", defende Francisco Assis.

Por "outras dimensões", Assis refere-se à crítica de que José Luís Carneiro estivesse a dar a mão ao regime venezuelano, ao encontrar-se com a presidente interina do país.

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