Congresso do PS
Carneiro avisa: "Se o Governo escolher ventos, terá tempestades"
27 mar, 2026 - 21:16 • Susana Madureira Martins
Primeiro dia de Congresso marcado pelo discurso de abertura do líder socialista, que tem enfrentado críticas sobre a estratégia de fazer oposição. Perante o aumento do preço dos combustíveis, José Luís Carneiro propõe à cabeça a adoção do IVA zero nos produtos alimentares essenciais, a redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e ainda a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.
O secretário-geral do PS disse esta sexta-feira que assumiu há oito meses a liderança dos socialistas num "contexto difícil", em que "muitos" questionavam o futuro e "determinavam o declínio" do partido. "Afinal, estamos vivos, camaradas! E bem vivos!", disse José Luís Carneiro falava na abertura do XXV Congresso do partido, que decorre até domingo, no pavilhão multiusos, em Viseu.
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Carneiro defende que o partido pode afirmar com "serenidade" que respondeu "com unidade, com responsabilidade e com trabalho". "Podem confiar em nós", garantiu o líder socialista ao país.
Com vários recados internos, o líder socialista avisou que "um partido que quer governar tem de saber unir-se cá dentro", acrescentando que "quem quer unir lá fora tem que começar por saber manter-se unido cá dentro".
"Se o Governo escolher ventos, terá tempestades"
Depois dos recados internos, Carneiro definiu a estratégia do PS perante o PSD. "Se o Governo escolher ventos, terá tempestades", avisou, numa altura em que os socialistas pedem à direção do partido uma definição sobre como fazer oposição à AD.
"Cabe ao Governo aceitar ou não dialogar connosco", defendeu Carneiro, referindo que cabe à AD "decidir se quer a via da moderação", em que poderá contar com o PS, ou se "prefere capitular perante a demagogia e o populismo".
"É altura de exigirmos à AD que se decida", defende ainda o líder do PS, questionando se o Governo quer continuar com o que Carneiro considera ser um "muro de silêncio" com que recebe os contributos dos socialistas, "enquanto chega a acordos com a extrema-direita ou se quer "abrir-se a convergências moderadas".
Carneiro avisa que "há linhas que não se negoceiam", referindo-se implicitamente a uma eventual revisão constitucional promovida à direita. "A Constituição não se relativiza", diz o líder socialista, acrescentando que a democracia "não se instrumentaliza".
Sobre o imbróglio que divide o PS e o PSD sobre a escolha dos juízes do Palácio Ratton, Carneiro avisa: "Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo "não".
IVA zero para alimentos essenciais e 13% de IVA nos combustíveis e gás
Num discurso com cerca de 40 minutos, Carneiro lançou ainda diversas propostas para responder aos efeitos da instabilidade internacional e do conflito no Médio Oriente.
Os impactos estão a sentir-se diretamente nos preços da energia, dos combustíveis e de bens essenciais e o líder socialista propõe à cabeça a adoção do IVA zero nos produtos alimentares essenciais, a redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, a duplicação do consumo de energia tributada a 6% e ainda a isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.
Carneiro diz-se convicto que são medidas que "não colocam em causa a estabilidade orçamental e aliviam o sofrimento que os portugueses já começaram a sentir".
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"Mais oportunidades para os jovens"
No discurso aos congressistas presentes no pavilhão em Viseu, o líder do PS definiu um caderno de encargos, referindo ter "especialmente em atenção preparar um país com mais oportunidades para os jovens" e "capaz de transformar as qualificações e competências em contributos para as suas vidas pessoais e o bem-estar coletivo".
Sempre falando para dentro do partido, Carneiro referiu que o atual contexto desafia os socialistas "a transformar, também dentro do partido, silêncio em voz, críticas em propostas e diferenças em contributos".
"Rejeitar uma politica de divisão"
Referindo que o país "tem de continuar a mudar", porque "hoje enfrenta desafios novos", o líder socialista salientou que a insegurança social, económica e política "alimenta o populismo e a extrema-direita". Carneiro defende que a resposta do partido é "clara" e passa por rejeitar uma política de "divisão"!
O líder do PS avisa que "divididos, desunidos, virando uns contra os outros, perdemos todos", concluindo com o slogan deste Congresso: "Juntos avançamos".
"A melhor resposta aos extremistas é a resolução dos problemas reais das pessoas", defendeu ainda Carneiro, referindo que o PS "nunca aceitará uma política baseada na divisão e no ressentimento" e que a política dos socialistas é a da "coesão".
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Congresso a meio gás
Esta foi a primeira vez que Carneiro entrou num Congresso como líder do PS, chegando ao multiusos de Viseu perto das 20h00, com um atraso de mais de uma hora, acompanhado pela mulher Goretti, e com a sala do multiusos a demorar a encher e a ficar com vários lugares vazios no arranque dos trabalhos.
A disposição da sala do congresso está colocada em hemiciclo, perfazendo com as cadeiras brancas uma meia lua, com o palco e a pequena tribuna vermelha no meio. A cor usada no néon do palco é azul forte, cor que José Luís Carneiro escolheu desde a primeira vez que se candidatou a secretário-geral.
O slogan do congresso de Viseu é "Juntos Avançamos" e Carneiro escolheu a música "Victory" interpretada por Two Steps From Hell & Thomas Bergersen para entrar no recinto do pavilhão multiusos.
O PS entra neste Congresso de Viseu com um dilema sobre a estratégia de oposição depois de oito anos de poder, flutuando entre as ameaças de romper com o PSD e os entendimentos considerados "úteis" para o país, como explicava esta sexta-feira à Renascença o dirigente socialista André Moz Caldas.
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