Cavaco avisa: Dinheiro do Estado "não cai do céu" e as reformas evitam "reforço do populismo"
27 mar, 2026 - 07:30 • João Malheiro
Antigo Presidente da República faz apelo reformista ao Governo de Luís Montenegro e também deixa críticas a PS e Chega.
Cavaco Silva avisa que o dinheiro do Estado "não cai do céu" e que o Governo tem de fazer as "reformas necessárias ao crescimento robusto da economia".
Caso não aconteça, o antigo Presidente da República alerta que "há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia".
A opinião é emitida num artigo de opinião no "Expresso", em que o ex-chefe de Estado apela a uma "forte determinação e coragem política" dos decisores.
"A questão-chave que se coloca é a seguinte: como é que o Estado pode arrecadar um volume de recursos financeiros que permita satisfazer as justas reivindicações das pessoas, das empresas e de outras entidades através de um sistema fiscal que promova a justiça social e seja competitivo a nível internacional, sem agravar, ou mesmo baixando, a carga fiscal em relação ao PIB?", questiona.
A resposta, segundo Cavaco Silva, é o crescimento económico, através de "a inovação, a difusão das competências digitais e tecnológicas, o investimento de qualidade e as exportações de elevado valor acrescentado".
"Sem um salto em frente do crescimento da economia, Portugal continuará a ser um país de salários e pensões baixos, com uma classe média empobrecida e risco de pobreza elevado, e o Estado não disporá dos recursos necessários para satisfazer as reivindicações de uma qualidade de vida próxima dos países mais prósperos da UE, seja na saúde, na educação, na proteção social, na habitação, na segurança, na cultura ou noutras áreas. As bonitas promessas de justiça social dos partidos políticos são meras ilusões", sublinha.
Elogiando Luís Montenegro e o seu Governo por ter um "espírito reformista", o antigo Presidente da República pede uma "vigorosa ação de denúncia e responsabilização da oposição à obstrução parlamentar a cada uma das reformas e de esclarecimento da opinião pública". E o ex-chefe de Estado aproveita para visar, especificamente, os dois principais partidos de oposição.
Para Cavaco Silva, o PS está "carecido de discernimento e enrodilhado em preconceitos ideológicos que chocam com a realidade económica e social dos novos tempos e com a instabilidade geopolítica, não manifesta qualquer vontade reformista". Contudo, acredita que os socialistas poderão entender "que o quadro de valores e princípios fundamentais permanece inalterado, mas que as condicionantes da estratégia, dos objetivos e dos instrumentos da política mudam com o andar do tempo.
Já em relação ao Chega, é mais duro. Cavaco Silva refere que o partido de André Ventura é "uma força política desprovida de uma ideologia minimamente coerente, que tem revelado uma óbvia impreparação técnica para falar de políticas para o progresso do país e que tem como marca distintiva a retórica da confrontação e o discurso teatral do ódio, do insulto, da calúnia e da mentira".
"Chega é destituído de credibilidade política, um fator intangível importante em política económica pelos seus efeitos sobre as expectativas e decisões das famílias, das empresas e dos investidores", insiste.
Cavaco Silva deixa, ainda, uma palavra sobre o novo Presidente da República, António José Seguro, acreditando que "não seja um obstáculo à aprovação das reformas de que Portugal urgentemente precisa".
- Noticiário das 13h
- 14 abr, 2026







