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Congresso do PS

PS chega a Viseu em pré-rutura com PSD. Governo fala de "erro estratégico grave"

27 mar, 2026 - 06:00 • Susana Madureira Martins

O PS inicia esta sexta-feira o Congresso em Viseu no meio de um dilema sobre a estratégia de oposição depois de oito anos no poder. Entre ameaças de romper com o PSD, a direção de José Luís Carneiro deixa a garantia de que não falhará ao país e que haverá espaço para entendimentos “úteis” para o país. No Governo espera-se uma linha mais dura de oposição dos socialistas, a questão é em que grau.

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Mais de uma semana depois da ameaça de corte de relações com o PSD, à boleia do imbróglio sobre a escolha dos juízes do Tribunal Constitucional (TC), o PS chega ao Congresso de Viseu, que começa esta sexta-feira, num psicodrama de saber o grau de oposição a fazer ao Governo. Mais dura ou mais parceira?

Uma oposição com “alegria”, pede a ex-ministra Mariana Vieira da Silva, que chega ao Congresso sem subscrever qualquer moção setorial. Há uma geração mais jovem de socialistas que pede ao líder José Luís Carneiro para “saltar do muro do ‘nim’. E ainda uma outra ex-ministra do PS, Ana Catarina Mendes, que se mostra contra a rutura do partido com o PSD.

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É expectável que a direção de Carneiro vai andar três dias sob gelo fino no Congresso de Viseu a tentar o equilíbrio entre a rutura com o PSD, que já foi defendida, e o aliviar do dramatismo dessa ameaça.

Um dos dirigentes do PS que escreveu a moção que José Luís Carneiro leva ao Congresso insiste na possibilidade de os socialistas mudarem a sua relação com o PSD e o Governo por causa dos juízes do Tribunal Constitucional, mas garante que “nunca haverá uma rutura do compromisso de estabilidade” e que haverá espaço para entendimentos “úteis” para o país.

André Moz Caldas é membro do secretariado nacional do PS e, em entrevista à Renascença, assume que, “provavelmente”, os socialistas já não verão o Governo “como um interlocutor” a partir do momento em que a direita se entender sobre a escolha dos juízes do Tribunal Constitucional.

A acontecer, o PS deixará de considerar que as políticas públicas que defende “devem ser apresentadas ao Governo”. Ao mesmo tempo, o ex-secretário de Estado da Presidência tira dramatismo à promessa de rompimento do PS com o PSD: “Chamar a isso uma rutura é uma simplificação”, diz.

Para o PS, a ferida que o imbróglio sobre os juízes abriu com o PSD pode, de facto, romper os canais de ligação quando o tema for o Orçamento do Estado (OE), admite Moz Caldas que atira eventuais conversas com o Governo para outubro, mas com um aviso: “A iniciativa de qualquer negociação terá de partir do autor da proposta. O PS não vai procurar o Governo para negociar o que quer que seja, a manter-se esta situação”.

Governo lamenta “erro estratégico grave”

O Governo tem-se mantido em silêncio sobre a ameaça de rutura do PS à boleia da escolha dos juízes do TC e esta quinta-feira, no Parlamento, o líder da bancada do PSD, Hugo Soares, repetia que quer tratar o tema com “recato”, evitando confirmar que o acordo com Chega esteja fechado.

O único governante a falar publicamente do assunto foi o ministro de Estado e das Finanças que, perante a ameaça de um corte de relações do PS que possa estender-se até à discussão da proposta de Orçamento do Estado, pediu serenidade.

“A discussão deve continuar a ser tranquila, serena e que chegue a bom porto. O país precisa de ter Orçamentos do Estado aprovados”, pediu, esta quinta-feira, Joaquim Miranda Sarmento em declarações aos jornalistas presentes na conferência de imprensa onde apresentou o brilharete dos números do excedente orçamental de 2025.

No Governo admite-se que o PS até podia dramatizar, mas não ao ponto da ameaça de corte de relações por causa de lugares de juízes no TC. O entendimento no executivo é que José Luís Carneiro está a fazer o caminho do anterior líder, Pedro Nuno Santos, adotando uma linha dura e mais à esquerda.

A posição dos socialistas é mesmo entendida por fonte da AD como um “erro estratégico grave” e que se Carneiro insistir nesta linha e se o PS for a eleições poderá ter uma derrota considerada colossal. A mesma fonte assegura à Renascença que “se o PS julga que vai encostar o PSD ao Chega não vai conseguir”.

Quanto à discussão do OE, no executivo usa-se de cautelas, mas avisa-se: “Estamos para o que der e vier”. O entendimento é que ainda falta muito tempo e questiona-se mesmo a hipótese de Carneiro conseguir chegar como líder até ao outono para discutir a proposta da AD.

De qualquer modo, na maioria é esperado um tom mais duro em relação ao Governo por parte da direção de Carneiro. A questão que a AD se vai colocando é se essa estratégia é para se prolongar no tempo ou para militantes e dirigentes do PS verem em Congresso.

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  • Mãos livres
    27 mar, 2026 para o que é preciso 08:17
    Boa. agora falta transformar essa "Pré"-rotura, numa "Rotura" sem pré. A ver se o Montenegro se deixa de "não é não", cercas sanitárias e linhas vermelhas que não passam de armadilhas PS onde ele caíu e parece não sair. com essa rotura, fica com mão-livres para os entendimentos que precisa fazer.

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