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Congresso PS

Crítico interno: "Este discurso foi chumbado, vamos continuar nisto?"

28 mar, 2026 - 17:01 • Tomás Anjinho Chagas

Ricardo Gonçalves fala de Carneiro como um "estadista", mas critica "discurso repetido" e falta de diversidade dentro dos socialistas. "Não há verdadeira democracia com listas únicas", avisa. Líder do PS deve enfrentar lista alternativa para a comissão nacional.

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No segundo dia do Congresso do PS, em Viseu, surge a primeira voz que discorda com o caminho seguido pela liderança dos socialistas.

Este sábado à tarde, Ricardo Gonçalves, ex-deputado e antigo dirigente do PS, subiu ao púlpito para lamentar que o partido não esteja a mudar de rumo depois da queda nas legislativas de 2025.

"Em maio tivemos 22%, hoje continuamos a dizer o mesmo que dizíamos em maio. Este caminho foi chumbado pelos portugueses. Vamos continuar nisso? Einstein dizia que quem continua pelo mesmo caminho e espera resultados diferentes é porque é maluco", atirou.

Ricardo Gonçalves acredita que o PS continua a "passar uma imagem de radicalidade, distante da realidade, incapaz de encontrar novas soluções", embora reconheça que José Luís Carneiro goza da imagem de um "estadista, homem honesto".

O antigo deputado acredita que a maioria das propostas só vão levar o PS para um caminho ainda mais apertado: "Quais são as propostas que agora surgem? É pura e simplesmente para que o PS vá substituir o Bloco de Esquerda que está moribundo. Isto é, passarmos a ser um partido de protesto. É o fim do Partido Socialista se fizermos isso", argumenta.

Lista alternativa

O antigo deputado do PS vai apresentar uma lista alternativa à comissão nacional. José Luís Carneiro vai ter, por isso, oposição para escolher estes membros para este órgão alargado do partido.

"Não há de verdadeira democracia com unanimismos, nem com listas únicas", defende Ricardo Gonçalves, que acredita que até engloba mais apoiantes de José Luís Carneiro do que a lista do próprio. "A minha lista tem mais apoiantes dele do que a lista do aparelho, não tenho dúvidas disso".

Ao final da tarde, Carlos César, presidente do Congresso, anunciou que a Mesa do Congresso rejeitou a lista encabeçada por Ricardo Gonçalves, porque só tinha "sete nomes", menos do que os 250 que compõem a comissão nacional.

De imediato, um dos membros desta lista dirigiu-se a Carlos César para dizer que tinha havido um "erro" com o "print". O presidente do PS pediu que, caso queiram, os membros desta lista "recorram" da decisão.

[artigo atualizado às 19h24 com a rejeição da lista]

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