Congresso PS
Líder da JS admite oposição mais agressiva: "Há um oceano de diferenças para a AD"
28 mar, 2026 - 21:20 • Tomás Anjinho Chagas
Sofia Pereira assume que os socialistas têm de ser mais duros com o Governo e avisa: "Não podemos ser complacentes". Deputada acredita que o PS "não está partido" e que a vitória de Seguro é mérito do próprio.
Sofia Pereira foi eleita líder da Juventude Socialista (JS) quando Pedro Nuno Santos era líder do PS. Mais de um ano depois, os socialistas caíram para terceira força política e deitam-se no divã para discutir como é que se deve posicionar na oposição.
Em entrevista à Renascença, a líder da JS defende uma postura mais dura com o Governo e pede que os socialistas marquem as diferenças para a AD. Sofia Pereira subscreveu uma moção nesse sentido, encabeçada por Miguel Costa Matos, seu antecessor na liderança da Juventude Socialista.
Sobre o impasse na escolha dos juízes, a deputada do PS argumenta que o partido deve ser intransigente.
Oiça aqui a entrevista a Sofia Pereira, líder da Juventude Socialista (JS)



O PS está no pior emprego do mundo, este de ser líder da oposição ou um dos maiores partidos da oposição?
Não é o pior emprego do mundo, aliás, até tem várias oportunidades. De mostrar às pessoas que estão cansadas com o país, que nós podemos apresentar projetos novos, e dar resposta às suas vidas. Encarar a oposição como o pior emprego de sempre não me parece a melhor resposta aos portugueses. Aliás, aquilo que esperam de nós é que também saibamos estar na oposição, dar resposta aos portugueses com um projeto humanista e que não deixe ninguém para trás. É diferente daquilo que tem hoje com este Governo da AD.
A forma de fazer oposição divide os partidos grandes. Foi subscritora de uma das moções. Deve José Luís Carneiro ser a cara de uma oposição mais agressiva?
Sim, o Partido Socialista tem de ser muito exigente com este Governo. Aliás, tem de ser exigente pelo país. O Partido Socialista só tem de ter um compromisso, que é com os portugueses. Não pode ser complacente com esta forma de estar da AD e deste Governo, e não tem sido, mas precisamos mesmo de marcar a diferença, que é um oceano de diferenças. Sim, o PS tem de se revelar a principal e a única força de oposição democrática do país.
E isso traduz-se em quê? Não ponderar a aprovação do Orçamento do Estado?
Nem sequer estamos nessa fase. Temos vários desafios na Assembleia da República, diários, que precisamos saber dar respostas. Na lei laboral, nos problemas na Saúde, este Governo tem reiteradamente tentado criar um conjunto de perceções, tentar governar para um conjunto específico. Luís Montenegro e Hugo Soares, estas duas personagens, sabem bem para quem é que estão a governar, não é para os portugueses que precisam de respostas do Estado.
Antes de falarmos de matérias de Orçamento, teremos muito tempo para poder falar disso, temos de ser exigentes nos problemas de hoje.
E, num caso mais imediato, na escolha dos juízes para o Tribunal Constitucional, se o PS ficar sem a escolha de um juiz como se está a antever, o que é que isso significa na relação entre os dois partidos?
Eu acho que o PS não pode mesmo ceder nesta matéria. Não pelo mesmo motivo pelo qual o PSD está a fazer este finca pé, o PSD está a tentar transportar para esta nomeação do juiz de Tribunal Constitucional a aritmética da Assembleia da República, isso só desprestigia as instituições. Este desequilíbrio que a direita quer trazer à justiça não pode mesmo passar. Espero mesmo que o PS não o permita.
E depois disso não fica então difícil ser parceiro ou dar a mão ao Governo em coisas importantes como o orçamento?
O PS não tem que dar a mão ao Governo, aliás, o Governo é que tem que procurar ter os consensos necessários para poder fazer aprovar aquilo que entende, nomeadamente o orçamento do Estado. Agora, uma coisa não tem necessariamente que significar...
... mas deteriora a relação, não?
A responsabilidade disso é exclusivamente do Governo e do PSD, que está radicalizado e mais preocupado em satisfazer as vozes na cabeça da extrema-direita porque acha que estão a disputar o seu eleitorado propriamente a resolver os problemas do país. A responsabilidade está do outro lado.
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José Luís Carneiro é um líder de transição ou tem hipóteses reais de se tornar a candidato a primeiro-ministro?
Nos próximos dois anos temos grandes desafios, representar uma verdadeira alternativa para os portugueses. Aquilo que nós temos que fazer agora é definir para onde é que nós queremos ir.
Nós temos muitas conquistas ao longo destes últimos 50 anos, das quais nos orgulhamos muito e também das conquistas dos últimos 8 anos em que governamos. Mas a verdade é que essa história não paga a renda ao final do mês a ninguém, não aumenta os salários a ninguém.
O secretário-geral do PS, neste congresso, tem oportunidade e está a ouvir as várias sensibilidades do partido, as várias formas de estar de um partido tão plural como o nosso, e por isso é que também é um partido da liberdade e da democracia. É isso que temos que retirar deste congresso, é pluralidade, porque divergir nas ideias não significa que estejamos partidos. Aliás, temos mais força para podermos construir mais dentro da pluralidade que temos.
Tem-se falado pouco neste congresso de uma vitória estrondosa que acabou por englobar o PS, que foi a de António José Seguro. Por que é que isto está a acontecer?
António José Seguro venceu as eleições por seu mérito. Representa para o país a estabilidade que se quer para um presidente da República, alguém que cumpre a Constituição, que a quer proteger, e alguém que não entra em derivas. Mas também é uma vitória para o Partido Socialista, porque nós não nos esquecemos da história que temos. Seguro não só foi secretário-geral do PS, como também da JS, e nós muito nos orgulhamos disso. Mas nunca esquecendo que é uma vitória do António José Seguro e do caminho extraordinário que fez na sua campanha.
É para o PS não se apropriar dessa vitória?
Acho que não. Nós sabemos onde vimos, quem é que são aqueles que crescem dentro da casa, do chão comum que temos no PS, mas ninguém se apropria da vitória de ninguém, é uma vitória dos socialistas, dos democratas, é uma vitória do país no final do dia.
E a vitória de António José Seguro é um bom sinal para José Luis Carneiro, pelo perfil político e algumas semelhanças que podem ter?
Não sei se será um bom sinal para José Luis Carneiro ou para qualquer perfil de liderança. Aquilo que se espera de um Presidente da República, é exatamente aquilo que António José Seguro representou durante o seu período de campanha e que está agora a demonstrar que representa.
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