Entrevista Renascença
Líder dos socialistas europeus recusa que esquerda deslize para o centro. “Precisamos de defender os nossos valores”
28 mar, 2026 - 17:17 • Susana Madureira Martins
Stefan Löfven lança movimento de esquerda global que irá decorrer em Barcelona para “reunir as forças progressistas” contra a extrema-direita. Em entrevista à Renascença, Löfven assume: “Precisamos de agir”.
Antigo primeiro-ministro da Suécia, Stefan Lofven recusa que a esquerda europeia deslize para o centro para responder à extrema-direita. “Precisamos de defender os nossos valores”, diz em entrevista à Renascença, após participar no segundo dia do Congresso do PS, que decorre até domingo em Viseu.
O líder do Partido dos Socialistas Europeus (PES) está a preparar para abril, em Barcelona, o “Global Progressive Mobilisation”, um evento que irá reunir as “forças do bem” como resposta à extrema-direita. “Precisamos de agir”, diz Stefan Löfven.
O dirigente socialista elogia ainda o trabalho de António Costa como presidente do Conselho Europeu e rejeita que as instituições europeias estejam a perder eficácia. “A Europa tem importância para o resto do mundo”, diz Löfven.
Está a preparar um grande encontro de centro-esquerda em Barcelona, o Global Progressive Mobilization. Que movimento é este?
Durante um ano e meio ou mais, o Pedro Sanchéz [primeiro-ministro de Espanha e líder do PSOE] e eu falámos e chegámos à conclusão de que precisamos de reunir as forças progressistas porque vemos o que se passa no mundo, na Europa e noutros lugares, com a extrema-direita. Ele está a cooperar bastante, é o presidente da Internacional Socialista, eu sou do Partido dos Socialistas Europeus e temos uma terceira organização chamada Aliança Progressista. E dissemos que, embora não precisemos de falar sobre a organização, precisamos de agir. E precisamos de agir em conjunto para reunir as forças do bem, as forças democráticas. Isto inclui não só os socialistas ou sociais-democratas, mas todos aqueles que realmente acreditam na democracia.
Congresso do PS
Santos Silva: PS não tem obrigação de garantir a estabilidade política se Montenegro eleger juízes com o Chega
O antigo presidente da Assembleia da República con(...)
É uma resposta à direita?
Sim, e para mobilizar. Portanto, é uma mobilização global que ambicionamos. E isto não se limita a este evento, é o início de algo maior. Mas também para ver, ‘ok, então todos estes amigos pensam da mesma forma que nós’ e isso é encorajador.
Encontrou-se com José Luís Carneiro, deu-lhe algum conselho?
Temos de construir sociedades a nível local, a nível nacional, mas temos de construir pontes. Esse é o meu lema e digo-o a todos.
A Europa está a deslizar para a direita, politicamente. Os partidos de esquerda devem migrar para o centro?
Não, precisamos de defender os nossos valores. Estes são os nossos valores.
Trata-se de igualdade, do valor igual de todas as pessoas. Trata-se de solidariedade. E isso exige a construção de uma sociedade que mostre realmente às pessoas que elas são importantes. Que tenham um lugar aqui na nossa sociedade e também no futuro. E é por isso que falamos de empregos, impostos justos, segurança social, direitos laborais e tudo o resto. É algo pelo qual lutaremos sempre. E, por vezes, precisamos de encontrar soluções práticas, mas é por isso que lutamos.
O PS em Portugal deve dialogar com o atual governo ou adotar uma posição mais firme, uma oposição forte?
Esta é uma decisão que cabe exclusivamente ao partido. Não tenho informação suficiente. Precisa de estar envolvido em todas estas questões diferentes. Não vou interferir nisso.
Congresso do PS
César defende aproximação do PS ao Governo: “O nosso dever é o de contribuir para que seja o menos mau possível”
O presidente do PS definiu ainda um caderno de enc(...)
Portugal tem dois socialistas em cargos de topo, António Costa e António Guterres. Com o mundo como está hoje, será que têm dificuldades em ser mais eficientes e eficazes?
Ambos estão a fazer um excelente trabalho numa situação difícil, o que significa muito. E sei que outros líderes, também presentes no Conselho Europeu, estão satisfeitos por António Costa ser o presidente, porque tem muita experiência. Está também a construir pontes, tentando encontrar soluções para diferentes questões. Portanto, ele está a fazer um ótimo trabalho. António Guterres, quer dizer, é óbvio o que fez pelas Nações Unidas e agora vai deixar o cargo no final do ano. Mas, depois de todos estes anos como secretário-geral, começou realmente a renovar as Nações Unidas, porque percebeu que precisávamos de uma Organização das Nações Unidas mais eficiente. Além disso, fez um trabalho extraordinário.
As instituições europeias estão a tornar-se menos eficazes com o passar do tempo?
Antes de mais, precisamos de reconhecer que a União Europeia é um ator importante no panorama mundial. É por isso que temos todos estes acordos comerciais. Penso que temos cerca de 50 acordos comerciais diferentes com pelo menos 80 países. E isto porque a Europa tem importância para o resto do mundo. Portanto, temos uma base sólida que devemos aproveitar. Mas, é claro que precisamos de melhorar. Precisamos de melhorar a inovação, o desenvolvimento de produtos e o fluxo de capital para que possamos expandir mais as nossas empresas. Por isso, precisamos de melhorar a nossa competitividade, isso é certo. E, claro, a capacidade de Defesa, considerando que os EUA estão praticamente a retirar-se da Europa e que precisamos de nos manter focados no apoio à Ucrânia, porque se trata da Ucrânia, do povo ucraniano, mas também de nós. Portanto, sim, temos coisas a fazer. Mas, mais uma vez, estamos a avançar. E fiquei um pouco desiludido, no entanto, que quando os EUA e Israel atacaram o Irão, apenas Pedro Sanchéz, de entre os líderes, tenha dito que isso violava o direito internacional. Mais líderes deveriam ter-se manifestado.
- Noticiário das 15h
- 21 mai, 2026














