Congresso do PS
Mariana Vieira da Silva: “Existem e têm de existir distinções entre nós e a direita”
28 mar, 2026 - 18:32 • Susana Madureira Martins
Dirigente do PS pede que “o essencial entendimento” entre o PS e a AD “sobre o chão comum não prejudique a necessária diferença de caminhos”. Mariana Vieira da Silva avisa ainda que na legislação laboral, por exemplo, o partido precisa de estar atento “porque o ‘não é não’ já passou ao ‘sim’ sem condições”.
Com um congresso a meio gás, sem que o hemiciclo do multiusos de Viseu tenha até agora enchido a sua capacidade, a vice-presidente da bancada parlamentar do PS e dirigente do partido Mariana Vieira da Silva não descartou aproximações ao PSD, mas salientou que “existem e têm de existir distinções entre nós e a direita nas políticas fiscais, no apelo do Estado, na proteção social”.
A dirigente socialista, que não subscreve nenhuma moção setorial neste Congresso, tem tecido críticas sobre a estratégia de oposição da atual direção de José Luís Carneiro, diz que foi “essa diferença que trouxe a nossa democracia até aqui e importa que o essencial entendimento sobre o chão comum não prejudique a necessária diferença de caminhos”.
Para Mariana Vieira da Silva essa “diferença” é “ainda mais relevante quando o centro-direita se aproxima da extrema-direita”. Sendo uma voz crítica dentro do partido, a dirigente socialista referiu que “um partido que debate ideias e discute estratégias não é um partido dividido, é um partido forte” e que “um partido que tem vários pontos de vista, prioridades, não é um partido dividido, é um partido diverso”.
A dirigente do PS acusou ainda que existe uma estratégia de distração do Governo e do Chega em que cada um dos dois “cria um qualquer foguetório para distrair o país das promessas antes feitas e dos problemas reais”. Por isso, Mariana Vieira da Silva pede: “Cabe ao PS ser vigilante, cabe ao PS ser exigente e cabe ao PS ser muito vocal” e “resistir à manipulação da atenção que a direita quer impor”.
Na intervenção ao congresso, Mariana Vieira da Silva defendeu ainda o legado dos oito anos de governo de António Costa. “Não devemos olhar para esse passado com nostalgia, mas devemos, ainda menos, olhar para esse passado com arrependimento”.
A dirigente socialista pede ainda que o partido não deixe que a direita “reescreva a história”, defendendo que Costa liderou um governo que “devolveu direitos, que criou novos direitos, que combateu uma pandemia, que combateu a inflação e fez isto tudo num quadro de forte recuperação da credibilidade externa do nosso país”.
- Noticiário das 9h
- 16 mai, 2026








