Congresso do PS
Carneiro não queima pontes: "Estamos disponíveis para convergir com o Governo"
29 mar, 2026 - 12:59 • Tomás Anjinho Chagas
Líder do PS promete ser "alternativa séria", sem promover a instabilidade. Avisa o Governo que a reforma laboral terá de mudar se quiser a viabilização do PS.
José Luís Carneiro assume que o PS atravessa um período que "não é fácil", e numa altura de enorme tensão com o Governo - à boleia do impasse com os juízes para o TC - o líder socialista rejeita, para já, uma rutura com a AD.
"Seremos uma oposição responsável e construtiva. Disponíveis para convergir com o Governo nas matérias essenciais ao interesse nacional", prometeu, durante o encerramento do 25º Congresso do PS, em Viseu.
Alexandra Leitão: PS tem de construir "pontes", mas Montenegro prefere o Chega
A vereadora socialista na Câmara de Lisboa acusa o(...)
Numa altura em que o PS está atrás do Chega em número de deputados, José Luís Carneiro argumenta que os socialistas são a alternativa à AD.
"Assumimos com clareza o nosso papel como alternativa democrática e progressista. O PS é e continuará a ser a alternativa séria de governo em Portugal", insiste.
Ainda assim, o líder do PS garante que continua a haver abertura para dialogar com o Governo, mesmo durante um momento tenso entre os dois partidos.
Em momento de definição, José Luís Carneiro diz que o PS tem de ser um "partido oposição responsável", recusa procurar "instabilidade política", mas avisa: "Não ficaremos em silêncio perante os erros do Governo".
Em modo de rivalidade com a AD, esgrime: "Se há um partido reformista em Portugal, ele é o PS".
Carneiro acredita que o país está a piorar e critica o PSD por se apropriar de obras iniciadas pelo PS: "Quando inaugurarem, pelo país fora, os milhares de investimentos pagos pelo PRR, lembrem-se de quem teve a iniciativa e de quem esteve na sua origem".
Pacote laboral é rejeitado se não mudar
O líder socialista abordou ainda um dos temas mais atuais na política portuguesa, as alterações à lei laboral preparadas pelo Governo. Carneiro avisa a AD que a proposta vai ter de mudar, caso contrário não pode contar com o PS.
"Que fique claro: tal como foi, até agora, apresentada a proposta de reforma laboral do governo merecerá a nossa rejeição", garante José Luís Carneiro.
O secretário-geral socialista assume, no entanto, que há um "diálogo social em curso" e que o PS está "aberto a melhorar a legislação laboral", mas acusa o Governo de estar "do lado do passado".
Venezuela: "Estarei sempre perto"
O líder do PS não fugiu a um dos temas que o afetou nas últimas semanas ao falar da sua visita à Venezuela - criticada até dentro do seio socialista.
Carneiro não mostra arrependimento e repete que foi "para exigir às autoridades a libertação dos detidos políticos e a proteção da comunidade portuguesa" e garante que a proximidade é uma marca da sua forma de ser.
"Estarei sempre mais perto de quem está mais longe dos centros de poder e de decisão", promete.
Carneiro não quer Estado a lucrar com aumentos salariais
José Luís Carneiro falou de salários para pedir a "aceleração do aumento do salário mínimo" e um aumento generalizado. Para isso, defende que o Estado devolva o que tributa a mais quando sobem os vencimentos.
"O nosso entendimento é de que as empresas recebam incentivos equivalentes às receitas de impostos adicionais obtidas pelo Estado por via do aumento real dos salários", defendeu.
Diálogo para reforma na justiça
Num discurso marcadamente setorial, o secretário-geral do PS promete estar aberto ao diálogo para fazer uma reforma na área da Justiça.
"Queremos uma Justiça que se faça a tempo e horas. Até ao fim de maio, o PS apresentará a sua visão para a reforma", argumenta Carneiro.
[artigo atualizado às 13h50]
- Noticiário das 2h
- 07 jun, 2026










