Análise
O PS saiu de cima do muro? Congresso mostra dilemas dos socialistas
29 mar, 2026 - 15:40 • Susana Madureira Martins
Como é que o PS dá a volta ao texto (ou não) quando, finalmente houver decisão do Parlamento sobre a eleição dos órgãos externos. Depois da dramatização que o partido tem feito em torno da escolha de juízes do Tribunal Constitucional, os socialistas saem do muro ou caem na sua própria teia? Conseguem indicar um quarto nome para o TC? Ou não conseguem nenhum?
50 anos de uma relação não se cortam de ânimo leve e o dilema do PS é exatamente esse. Cortar e dar um tempo à relação com o PSD para ver se larga o Chega, e depois pega outra vez, ou ver se a dimensão do corte no futuro terá de ser mais profunda.
O Congresso foi o espelho desse caso entre os dois partidos tradicionais e de alternância de poder, em que surgiu um terceiro elemento a baralhar a relação — ou seja, o Chega —, e o desafio em tomar decisões sobre o PS como partido de oposição.
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Atirar o PSD para os braços do Chega pode ser confortável e dá para assumir que a liderança da oposição cai para os socialistas, mas o risco de o PS se acantonar é grande.
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José Luís Carneiro terá percebido isso com o decorrer dos trabalhos e, depois de não ser claro no discurso de abertura do congresso, no encerramento foi cristalino ao dizer que o PS está disponível para “convergir” com o Governo.
Resta saber como é que o PS dá a volta ao texto (ou não) quando, finalmente houver decisão do Parlamento sobre a eleição dos órgãos externos. Depois da dramatização que o partido tem feito em torno da escolha de juízes do Tribunal Constitucional, os socialistas saem do muro ou caem na sua própria teia? Conseguem indicar um quarto nome para o TC? Ou não conseguem nenhum?
A batalha dos socialistas sobre os juízes acaba por soar a disputa por lugares, mesmo tendo o Presidente da República do seu lado, desde a campanha para Belém. Mas também, dificilmente António José Seguro terá uma intervenção demasiado pública sobre o tema.
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José Luís Carneiro precisa agora de preparar um partido de combate, com músculo e de confiança absoluta. O secretário-geral parece perceber isso, escolhendo uma lista para a comissão nacional, o órgão mais alargado do partido, com gente desconhecida, mas que reflete um PS profundo das concelhias e autarquias.
Será interessante perceber os nomes que Carneiro irá chamar para os órgãos de direção mais puros, a comissão política, mas, sobretudo, o secretariado nacional. Daí se perceberá também quanta cola tem o PS.
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