Congresso PS
Seguro: o PR do PS que o Congresso não esqueceu
29 mar, 2026 - 17:55 • Tomás Anjinho Chagas
As presidenciais foram a grande vitória da ala socialista no último ciclo político. Tema foi mencionado de forma tímida durante o Congresso do PS, mas o partido atribuiu-lhe missão "difícil".
O PS ainda está a reencontrar-se e a definir a forma como quer ser oposição. O Congresso serviu para isso. Mas, quando se juntam as tropas, há sempre a tendência para aproveitar para vangloriar o passado recente.
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Embora as presidenciais sejam eleições de iniciativa pessoal, e numa fase inicial o PS tenha dado um apoio tímido e, por vezes, errático a António José Seguro, a vitória do atual Presidente não foi alheia à reunião magna dos socialistas.
Entre o complexo de não ter sido um apoio sonante e a inegável vitória eleitoral, houve quem puxasse dos galões, mas a maioria dos congressistas evitou o tema, como se queimasse.
Questionada sobre a ausência do tema, em entrevista à Renascença, Sofia Pereira, líder da Juventude Socialista (JS), começou por ser clara: "António José Seguro venceu as eleições por seu mérito", alertou. E garantiu que quem falou não se apropriou da vitória do antigo líder socialista.
José Luís Carneiro, líder socialista, não falou em António José Seguro, nem no discurso de arranque, nem no encerramento do Congresso.
Carlos César: "vitória para PS" e conselhos a Seguro
O presidente do PS, Carlos César, foi o primeiro a dar o tiro de partida para abordar o tema. E foi das intervenções do Congresso que mais se dirigiram ao atual Presidente da República.
César, a quem muitos atribuem a missão de ser a voz da consciência do partido, afirmou que Seguro "tem aos seus ombros a missão" de "defender o equilíbrio democrático", mesmo reconhecendo que isso não será fácil, numa referência implícita ao imbróglio sobre a escolha dos juízes do Tribunal Constitucional.
"Tem aos seus ombros a missão, que não se indicia como fácil, de defender o equilíbrio democrático, o escrutínio e o bom discernimento dos poderes políticos e o respeito pelos nossos valores constitucionais referenciais", afirmou Carlos César, perante um Congresso morno.
O presidente dos socialistas não teve pudor em defender que a vitória de António José Seguro nas presidenciais foi "também uma vitória dos democratas e para o PS".
Beleza: vitória "épica" de Seguro
Álvaro Beleza, dirigente do PS e muito próximo do Presidente da República, teve, talvez, a intervenção do Congresso mais descomplexada em relação à vitória de Seguro.
Subiu ao palanque e falou numa "vitória épica", sugeriu que o resultado eleitoral mostra que o eleitorado valoriza certas características num político, serenidade e seriedade, e usou isso para lembrar que isso pode beneficiar José Luís Carneiro no futuro.
Löfven: "lição para toda a Europa"
O presidente do Partido dos Socialistas Europeus (PES), Stefan Löfven, talvez menos consciente das reservas de alguns socialistas em apoiar Seguro, fez da eleição do atual presidente um dos seus pontos fortes na sua intervenção no Congresso.
O antigo primeiro-ministro sueco acredita que a vitória de António José Seguro foi uma "lição poderosa para toda a Europa", numa altura em que as "forças extremistas procuram dividir as sociedades". Löfven concluiu: "O povo português mostrou que a democracia prevalece".
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