Parlamento
Rangel admite "revisitar" acordo da Base das Lajes no futuro
07 abr, 2026 - 19:05 • Pedro Mesquita , com redação
Sobre o papel das Lajes no ataque dos EUA ao Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros acredita que as condições impostas por Portugal foram até agora respeitadas e admite que "recusas há sempre".
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admitiu esta terça-feira que fará sentido revisitar o acordo com os Estados Unidos para a utilização da Base das Lajes, mas não agora.
Em declarações numa audição no Parlamento, o chefe da diplomacia portuguesa defendeu que o tema não deve ser levantado estando em curso o conflito no Médio Oriente.
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“Eu acho que não é oportuno falar sobre isso enquanto está a decorrer um conflito em que a base pode ser usada. Por outro lado, precisamos de alguma acalmia para perceber o que são os novos traços da nova ordem geopolítica, e só aí é que nós poderemos reavaliar verdadeiramente esse papel. De facto, acho que isso não esteja sobre a mesa neste momento, mas há uma coisa de que estou seguro: numa nova ordem geopolítica fará sentido revisitar esse tema.”
Já quanto ao papel da Base das Lajes no ataque dos EUA ao Irão, o ministro dos Negócios Estrangeiros acredita que as condições impostas por Portugal foram até agora respeitadas.
“Nós estamos a dizer que autorizamos e que há passagens, sabemos quais são – obviamente estão subordinadas a um princípio de reserva, confidencialidade e até de segredo –, todas cumprem as condições, temos tido uma leal colaboração dos Estados Unidos no sentido de nos avisar”, sublinha o chefe da diplomacia portuguesa.
Paulo Rangel admitiu, implicitamente, que Portugal já terá recusado determinados movimentos pretendidos pelos EUA.
“Recusas há sempre. Nós não vamos falar sobre elas. Às vezes, até são retraimentos. Há um diálogo, há perguntas e desistem de um determinado movimento. Isto acontece sempre. Agora, nós não vamos pôr isso nos jornais.”
Portugal autorizou 76 aterragem de aeronaves norte-americanas na Base das Lajes e 25 sobrevoos do seu território desde o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão, sob a condição de não serem utilizados para bombardear infraestruturas civis.
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que os Estados Unidos cumpriram essa condição, no espírito de “cooperação leal” entre os dois aliados da NATO.
Noutro plano, Paulo Rangel criticou duramente a recente visita do secretário-geral do PS à Venezuela, que apelidou de "diplomacia paralela sem precedentes na história constitucional portuguesa".
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