PS
Carneiro desalinha com Seguro sobre avaliação ao temporal: “Mais do que de relatórios, as pessoas querem respostas”
14 abr, 2026 - 17:11 • Susana Madureira Martins
O secretário-geral do PS foi recebido em Belém pelo Presidente da República a quem deu garantias de que tem uma "vontade inquebrantável" de colocar o "interesse do país acima dos interesses partidários" e dialogar com o Governo, apesar de considerar que este está "sem rumo".
O líder do PS está desalinhado com o Presidente da República sobre a necessidade de o Governo fazer um relatório com o que correu mal na resposta ao temporal de janeiro. Depois de uma semana de Presidência Aberta, na semana passada, António José Seguro defendeu como “vital” que seja feita essa avaliação, mas José Luís Carneiro desvaloriza.
“Aquilo que as pessoas esperam de nós, mais do que de relatórios, as pessoas querem respostas. O Governo é perito a apresentar planos de ação”, começou por dizer o secretário-geral socialista após ter sido recebido por Seguro no Palácio de Belém.
“É um exercício que podem fazer, é ir consultar os planos de ação que já foram apresentados desde há dois anos a esta parte, para a Saúde, para a Economia, para a proteção civil, enfim, relatórios, mais relatórios. Mas o que é certo é que não há respostas para as questões concretas das pessoas”, lamentou Carneiro.
“É disso que se está a falar quando se está a dialogar, a fazer o diálogo com os autarcas, com as famílias, com as empresas e com os trabalhadores, ou seja, não é por falta de relatórios, nem é por falta de diagnósticos, nem é por falta de planos de ação, é por falta de capacidade”, acusou ainda o líder socialista à saída de Belém.
Acompanhado pelo presidente do PS, Carlos César, o líder socialista disse ainda aos jornalistas que os socialistas olham para o Governo do país como estando “sem rumo, em que verdadeiramente cada Ministério parece por vezes um Governo e, em alguns casos, até um certo desgoverno”.
Ao mesmo tempo que fez estas críticas ao executivo liderado por Luís Montenegro, o líder do PS reitera a “disponibilidade” para cooperar nas áreas “vitais à vida nacional”, elencando: Defesa e segurança, proteção civil, considerando que são “vitais para a vida em comunidade”.
Estas são, precisamente, as três áreas temáticas que António José Seguro escolheu para debate no Conselho de Estado marcado para esta sexta-feira.
“O Governo, infelizmente, teima em não ouvir o Partido Socialista, mas, naturalmente, não poderíamos deixar transmitir ao Sr. Presidente da República a nossa vontade inquebrantável de colocar o interesse do país acima dos interesses partidários e de servir as portuguesas e os portugueses”, disse ainda o líder socialista.
Carneiro diz-se especialmente preocupado com os indicadores económicos que “mostram que a economia do país está a desacelerar” e que há sinais “graves”, sobre o crescimento. “Nomeadamente, a quebra muito significativa nas exportações de bens, as previsões que estão aí das organizações internacionais que mostram que o país está a definhar do ponto de vista económico”.
O líder socialista queixa-se da “envergadura” das medidas e políticas que são “necessárias” para responder às tempestades na região centro e as que “ainda tardam” face aos incêndios do ano passado.
A reunião em Belém durou cerca de uma hora e as declarações de Carneiro aos jornalistas coincidiram com a presença do primeiro-ministro no Palácio para participar na cerimónia de tomada de posse do novo secretário de Estado Francisco Catalão.
“Foi uma reunião muito construtiva”, segundo Carneiro que aos jornalistas disse ainda que o PS ainda está a ponderar sobre o envio ou não para o Tribunal Constitucional dos dois diplomas relativos à Lei da Nacionalidade. “É um assunto que está em apreciação no grupo parlamentar e haverá decisão oportuna, no momento adequado”.
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