Carlos Carreiras diz que Governo faz “atualizações" em vez de reformas e elogia Seguro
15 abr, 2026 - 06:00 • Manuela Pires
Carlos Carreiras lança, no sábado, o livro "Prestar Contas" sobre o legado que deixa em Cascais. O prefácio é de Pedro Passos Coelho, que elogia a sua liderança e os resultados que obteve. Em entrevista à Renascença, o antigo autarca de Cascais considera que o antigo primeiro-ministro é um “ativo político a ter em conta” e, apesar de elogiar o Governo, considera que Luis Montenegro está a fazer “atualizações” e não reformas estruturais. O pacote laboral é uma dessas "actualizações" e Carreiras elogia o papel que António José Seguro tem tido neste dossier, onde, depois da rejeição da UGT, anunciou uma reunião com todos os parceiros sociais. Carreiras entende que Seguro está a ser imparcial e “tem sabido exercer bem” a magistratura de influência.
Carlos Carreiras lança, no sábado, o livro "Prestar Contas" sobre o legado que deixa em Cascais. O prefácio é de Pedro Passos Coelho, que elogia a liderança de Carreiras e os resultados que obteve.
Em entrevista à Renascença, o antigo autarca de Cascais considera que o antigo primeiro-ministro é um “ativo político a ter em conta” e, apesar de elogiar o Governo, considera que Luis Montenegro está a fazer “atualizações” e não reformas estruturais.
O pacote laboral é uma dessas "actualizações" e Carreiras elogia o papel que António José Seguro tem tido neste dossier, onde, depois da rejeição da UGT, anunciou uma reunião com todos os parceiros sociais. Carreiras entende que Seguro está a ser imparcial e “tem sabido exercer bem” a magistratura de influência.
O prefácio deste livro é de Pedro Passos Coelho, de quem foi vice-presidente no PSD. O antigo líder do partido deixa elogios, diz que o senhor é um fazedor com sensibilidade política e acrescenta que os resultados só acontecem “quando as lideranças cumprem o seu papel de escolha determinada e quando apontam o caminho e as metas que devem ser atingidas”. Pego nestas palavras que Passos Coelho lhe dedica, para fazer o contraponto com o governo, a quem aponta falta de ambição, a falta de reformas. Compreendeu as críticas e o momento em que Passos as decidiu fazer?
Tudo aquilo que o Dr. Pedro Passos Coelho disse, que antes de mais me honrou muito em aceitar fazer o prefácio deste livro, é subscrito, por exemplo, pelo professor Aníbal Cavaco Silva, e ninguém levantou daí nenhum problema, e eu acredito, inclusivamente, que também é subscrito pelo próprio primeiro-ministro Luís Montenegro.
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Ou seja, todos nós temos a noção de que o mundo tem vindo a evoluir a uma velocidade estonteante, aliás, até por más razões, e é necessário, mais do que reformar, é preciso atualizar em relação aos tempos que vivemos. O problema está em ver se as circunstâncias ajudam ou não a fazer essa atualização.
E essas críticas ou avisos de Passos Coelho tiveram impacto no Governo e no PSD?
As medidas já vinham de trás e, portanto, não vi que houvesse uma aceleração. O problema está depois em reunir ou não reunir condições políticas para as aprovar.
Mas que leitura política é que faz do regresso de Passos Coelho depois das eleições presidenciais?
Depois das eleições é normal, porque não estava nos seus objetivos, candidatar-se à Presidência da República. Mas já antes disso tinha feito uma ou outra intervenção, mas isso é o direito que cada um de nós tem. Não se pede a nenhum agente político que permaneça calado para sempre. Isto não é como nos casamentos, ou fala agora...
Fala num agente político é porque considera que ele ainda tem muito para dar ao país?
Eu pessoalmente acredito que sim, mas é preciso ter em conta as circunstâncias que não indicam nada nesse sentido. Mas é uma mais-valia que Portugal tem, é um ativo que Portugal não pode declinar e que não está extinto, e, portanto, isso é algo que eu e muitos portugueses reconhecemos no Doutor Pedro Passos Coelho.
São declarações feitas quando Luís Montenegro assinala dois anos de governação como Primeiro-Ministro. É positiva a sua avaliação?
Na minha avaliação está a governar bem, tendo sempre em conta as variadíssimas circunstâncias em que tem de exercer o seu governo, quer internas, quer externas, e neste momento as externas têm um peso ainda muito grande, mas ainda assim têm vindo a ser feitas algumas atualizações, eu prefiro chamar atualização do que reforma, algumas atualizações, umas mais difíceis, demoram mais tempo, exigem mais conversa, mais negociação, e acredito que vão chegar também a bom porto.
Uma delas são as alterações às leis laborais, a UGT rejeita assinar acordo, o Presidente da República decidiu intervir no processo, convocar os parceiros sociais, mesmo antes de uma decisão da concertação social, concorda com esta atuação de António José Seguro?
Não só concordo, como valorizo de uma forma muito positiva a intervenção do senhor Presidente da República, porque tem exercido bem a sua magistratura de influência, e acredito que estão reunidos os esforços para que se consiga concluir a tal atualização, porque o mundo de hoje, mesmo o mundo laboral, nada tem a ver com aquilo que era há uns anos.
Por isso, com a responsabilidade política, com a responsabilidade dos agentes económicos, dos agentes que defendem os direitos dos trabalhadores, penso que se vai encontrar esse equilíbrio com a participação, também dentro da tal magistratura de influência, do senhor Presidente da República, que vai concorrer positivamente para se chegar a uma atualização da própria lei laboral.
Há quem diga que está a tentar que o governo ceda às exigências da UGT ou o Presidente está a ser imparcial?
O ainda muito “curto” mandato Presidente da República, tem sido marcado pela total imparcialidade, aliás, está a cumprir de uma forma muitíssimo coerente tudo aquilo que afirmou em campanha e, portanto, o Presidente da República tem sido igual ao candidato a Presidente da República.
Este livro dá conta do que fez estes últimos 20 anos em Cascais, foi vice presidente e 14 anos presidente de câmara. O Primeiro-Ministro disse este fim de semana que as alterações que o Governo está a fazer, nomeadamente no fim do visto prévio, servem para acabar com o medo dos autarcas em decidir. Alguma vez teve medo?
Não tive medo porque em primeiro lugar, contei com grandes profissionais da câmara de Cascais que acompanham de perto o processo de contratação pública.
E em segundo, há uma questão que é cultural, porque por muitas leis que se façam, por muitas alterações legislativas que se possam promover, se não houver princípios e valores corretos, enfim, há de haver sempre alguém que encontrará a forma de os contornar, muitas vezes ilegalmente, outras irregularmente. Acima de tudo o que sinto é que, quem está nestas funções tem a obrigação de decidir e fazer, porque senão não estamos lá a fazer nada, seria muito mais seguro e prudente não fazer rigorosamente nada porque quem não faz nada não corre risco nenhum, não ouve críticas e não deixa uma comunidade mais bem preparada para enfrentar o futuro e é isso que eu provo aqui neste livro.
São 250 páginas onde se fala de vários temas e eu gostaria de destacar a requalificação das ribeiras. Esse trabalho permitiu que neste Inverno não se tenham registado cheias que aconteciam noutros anos.
Temos de ter a noção de que nunca iremos colocar a zero o risco de cheias. Agora o trabalho que tem vindo a ser feito melhorou ou ajudou a minorar o risco de cheias. Cascais tem algumas zonas particularmente sensíveis para essas cheias, mas o que sempre procurei foi, dentro de um problema, dentro de uma crise, encontrar oportunidades. As ribeiras são um bom exemplo, porque ao mesmo tempo que investíamos nas ribeiras resolvíamos esse problema e estávamos a criar espaços verdes no concelho, porque só estarão alagadas uma parte do tempo. Também criámos corredores de mobilidade suave, porque são ribeiras que têm 6 ou 7km, portanto fazem-se bem a pé, fazem-se bem de bicicleta, fazem-se bem de trotineta, enfim, mas ao mesmo tempo também se resolveram alguns problemas de bairros, que começaram por ser bairros de género ilegal, que tinham casas em cima das ribeiras.
O livro tem um capítulo dedicado à visita do Papa Francisco a Cascais, a primeira visita de um Papa ao Conselho, onde está instalada a Escolas Ocorrentes do Papa Francisco. Estava há pouco a dizer-me que vai ser criada uma outra escola na Guiné Equatorial..
Está para breve lançarmos, a partir das Scholas Occurrentes de Cascais, outras iniciativas iguais, e neste caso em África, até beneficiando da própria viagem do Papa Leão XIV. Vai ser lançada , em princípio, em junho, a Scholas Occurrentes na Guiné Equatorial, que é um país da CPLP e quer o poder religioso, quer o poder político, manifestou toda a intenção de o fazer.
Nós, aqui em Cascais mantemos viva as mensagens do Papa Francisco, que infelizmente estão cada vez mais atuais, e no próximo dia 21, que é o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco, vamos fazer uma homenagem ao Papa Francisco com a exibição de um filme sobre o que o Papa Francisco deixou aqui em Cascais.
- Noticiário das 0h
- 16 mai, 2026












