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Ex-ministro da Saúde diz ser impossível Força Aérea assegurar serviço de emergência médica

15 abr, 2026 - 19:48 • Lusa

Segundo Pizarro, para ter um helicóptero disponível 24 horas por dia para a emergência médica, se os pilotos trabalharem 40 horas por semana, são precisos "nove a 10 pilotos em cada" aeronave.

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O ex-ministro da Saúde Manuel Pizarro defendeu esta quarta-feira "ser impossível" a Força Aérea assegurar o serviço de helicópteros de emergência médica, alegando que para a operação de quatro aeronaves são necessários cerca de 40 pilotos.

"Se alguém sonha que algum dia os quatro helicópteros de emergência médica do país, 24 horas por dia, vão ser operados pela Força Aérea, desejo-lhe muitas felicidades", referiu o ex-governante na comissão parlamentar de inquérito sobre o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Aos deputados, Manuel Pizarro salientou que, em 2008 e 2009, era secretário de Estado quando foi criado o serviço de helicópteros de emergência médica, altura em que esteve a trabalhar com a Força Aérea Portuguesa nessa possibilidade.

"Sei que isso é impossível hoje e será impossível na próxima década. Não vamos fazer mais futurologia do que isso", salientou o antigo ministro da Saúde, ao alertar que a questão não se resume ao número de helicópteros disponíveis para o serviço.

Segundo disse, para ter um helicóptero disponível 24 horas por dia para a emergência médica, se os pilotos trabalharem 40 horas por semana, são precisos "nove a 10 pilotos em cada" aeronave.

"Mas alguém dos aqui presentes acha que a Força Aérea tem 40 pilotos de helicópteros para colocar em cada um dos sítios do país?", questionou Manuel Pizarro, para quem "isso não acontece hoje e nem vai acontecer nunca".

A Força Aérea vai dispor de quatro novos helicópteros Black Hawk que servirão, segundo o Ministério da Defesa, também para operações de emergência médica, num investimento de cerca de 32 milhões de euros, com recurso ao financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Atualmente, este serviço é prestado por uma empresa privada, que assegura helicópteros 24 horas por dia nas quatro bases do INEM, através de um contrato no valor de 77,5 milhões de euros que vigora até 2030.

Nesta comissão de inquérito, os deputados estão a apurar a atuação do INEM durante a greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de outubro e início de novembro de 2024, durante a qual se registaram 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, assim como a relação da tutela com o instituto desde 2019.

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