Ministra anuncia 50 milhões para requalificar urgências
22 abr, 2026 - 16:11 • Manuela Pires
Na interpelação ao governo, por iniciativa do Livre, Ana Paula Martins deu vários números sobre consultas e garantiu que até os serviços de urgências estão a ter resultados mais positivos.
A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi direta ao ponto e, logo nos primeiros 30 segundos da intervenção, anunciou aos deputados um programa de financiamento de 50 milhões de euros para requalificar as urgências hospitalares.
“Vamos avançar com um programa de incentivo financeiro para a requalificação das urgências do SNS, com 50 milhões de euros até 2027, dirigido às áreas onde a pressão é maior e a resposta é mais urgente”, afirmou.
A ministra adiantou que o despacho será publicado nos próximos dias e defendeu que a medida permitirá melhorar as condições de trabalho dos profissionais de saúde e o atendimento aos doentes, sublinhando que há serviços sem obras há mais de três décadas.
“Há serviços de urgência cujas infraestruturas não conhecem obras há mais de 30 anos. Esta realidade é inaceitável e põe em causa, todos os dias, não só a qualidade do trabalho dos profissionais, mas também a segurança e a dignidade da assistência prestada aos doentes”, referiu.
Antes de ouvir os partidos da oposição, que apontam um “diagnóstico reservado” ao Serviço Nacional de Saúde, com problemas como a falta de médico de família e longos tempos de espera para cirurgias, a governante apresentou números que, no seu entender, contrariam essa leitura, destacando o aumento de utentes com médico atribuído.
“Só nos cuidados de saúde primários temos mais de 202 mil utentes com médico de família do que em 2025 e mais de 153 mil face a 2023”, disse.
O deputado do Livre, Paulo Muacho, recorreu à figura da “Maria” no discurso de abertura para ilustrar dificuldades no acesso a consultas, cirurgias e cuidados continuados, criticando também o encerramento de serviços de urgência.
“A Maria vive no Alentejo e, se precisar de uma consulta prioritária de Dermatologia, vai ter de esperar 1.353 dias, mais de três anos. A Maria não é uma personagem ficcional: são todas as pessoas que, todos os dias, precisam do SNS e não encontram resposta adequada. O nosso Serviço Nacional de Saúde enfrenta três problemas principais: gestão, recursos e autonomia”, afirmou.
Em resposta, a ministra apresentou mais dados e revelou que já foram realizados mais de 200 partos nas urgências de ginecologia e obstetrícia em funcionamento há um mês no Hospital Beatriz Ângelo.
“Foram já realizados mais de 200 partos e mais de 1.400 admissões, das quais 27% pertencem à área de referência da ULS do Estuário do Tejo”, acrescentou.
- Noticiário das 13h
- 12 mai, 2026







