PS
Pedro Nuno Santos atira aos “taticistas” Cordeiro, Medina, Vieira da Silva e Ana Catarina. “Precisamos é de gente com coragem”
22 abr, 2026 - 16:45 • Susana Madureira Martins
O ex-líder do PS justificou aos jornalistas o seu regresso ao Parlamento, referindo que porque foi “eleito para um mandato de deputado”, sendo essa a “primeira razão” e como “segunda razão” disse que todos são “poucos para combater um Governo que é medíocre e incompetente”.
Acabado de regressar ao Parlamento para retomar o lugar de deputado, após meses com o mandato suspenso, Pedro Nuno Santos falou aos jornalistas pouco mais de três minutos para abrir uma guerra interna no PS contra o que considera serem os “taticistas” do partido.
“Tenho muito mais respeito pelo José Luís Carneiro do que pelos taticistas que estão à espera que venham tempos mais fáceis para o PS avançar. Nem o país, nem o PS precisam de taticistas, o que nós precisamos é de gente com coragem”, disse Pedro Nuno Santos aos jornalistas no Parlamento, antes de entrar na Sala das Sessões, lançando um ataque implícito a ex-ministros do partido como Duarte Cordeiro, Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva ou Ana Catarina Mendes, habitualmente apontados como candidatos à liderança do PS.
Num ataque interno a eito, o ex-secretário-geral do PS criticou os tais “taticistas” que diz que se “escondem atrás da porta à espera que o vento mude a favor do PS ou da esquerda para avançarem para a liderança do partido”, mas também deixa explícita uma clivagem pessoal em relação ao líder socialista.
“Apesar de sermos do mesmo partido, há muita coisa que me distancia do José Luís Carneiro. Eu sou um social-democrata de esquerda que defende um Estado forte como instrumento do desenvolvimento nacional e como instrumento para travar a apropriação da riqueza gerada por todos por meia dúzia e, portanto, não sou adepto de nenhuma estratégia centrista nem nunca serei adepto de nenhuma estratégia centrista”, disse Pedro Nuno, numa crítica à linha do atual líder do partido, considerada moderada.
Pedro Nuno Santos carrega na sua veia de esquerda, de que é um dos protagonistas dentro do PS, para criticar Carneiro e a “estratégia centrista” do atual líder em contraste com uma linha dura que o ex-líder do partido sempre defendeu e que, por duas vezes, foi derrotada em eleições legislativas no pós-costismo.
Numa espécie de ajuste de contas com o passado e com as condições em que chegou à liderança dos socialistas, Pedro Nuno salientou que, “no final de 2023 o PS já tinha perdido o país, se quiserem recordar, em julho já estávamos atrás do PSD, José Luís Carneiro avança para a liderança do PS depois de se encontrarem 75 mil euros em São Bento, depois da notícia de que havia vários governantes a serem investigados, entre os quais o primeiro-ministro, numa altura em que uma parte do eleitorado que tradicionalmente confiava no PS, a Função Pública estava zangada com o PS e José Luís Carneiro avançou na altura contra mim”.
Entre os governantes que nesse período de novembro de 2023, na sequência da Operação Influencer, foram alvos de buscas domiciliárias foi precisamente o então ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, um dos visados por Pedro Nuno nas declarações desta quarta-feira no Parlamento e com quem o ex-líder do PS mantém hoje em dia uma relação gelada, após uma amizade muito próxima desde os tempos da faculdade de Economia.
As declarações de Pedro Nuno Santos contra os "taticistas" do partido surgem dias depois da eleição dos dirigentes para o Secretariado Nacional do PS e após Duarte Cordeiro ter desistido de fazer parte da Comissão Política de Carneiro, dando como justificação ao jornal Observador que queria "ficar menos comprometido" com a atual direção e para ter "liberdade para discordar". A Renascença sabe que Pedro Nuno não dirigiu as críticas apenas a Cordeiro, mas era um dos alvos, na sequência da reunião do fim-de-semana.
O ex-líder do PS justificou ainda o seu regresso ao Parlamento referindo que porque foi “eleito para um mandato de deputado”, sendo essa a “primeira razão” e como “segunda razão” disse que todos são “poucos para combater um Governo que é medíocre, incompetente, não conseguiu até agora resolver nenhum dos problemas que herdou, agravando alguns, como o caso da Saúde ou da Habitação”.
Nos seus três minutos de declarações aos jornalistas, Pedro Nuno atirou em todas as frentes. Aos que são apontados para a liderança do PS, ao atual líder do partido e ao Governo que considera ser “liderado por gente muito pouco séria e que tem como única missão transferir rendimento dos de baixo para os de cima e fazer aprovar legislação que tem como único objetivo fragilizar, causar mais insegurança e precariedade a quem já tem uma vida precária, neste caso os trabalhadores”.
Aos jornalistas, Pedro Nuno Santos, que esteve meses sem produzir quaisquer declarações, atirou, como começo de conversa, que "estava com saudades vossas, para começar. Não sei se também tinham, mas eu pelo menos tinha", sendo depois interrompido pela campainha do Parlamento que faz a chamada dos deputados para o arranque da sessão plenária, impossibilitando mais questões ao deputado que acabou por virar costas ao microfone instalado nos Passos Perdidos.
- Noticiário das 3h
- 13 jun, 2026








