PACOTE LABORAL
UGT. "Ministra considera fechadas as negociações, mas eu tenho outras informações. Sou um crente"
22 abr, 2026 - 17:28 • João Maldonado
Representantes dos patrões e sindicatos são recebidos esta tarde por António José Seguro para discutir as alterações às leis do trabalho que ainda não têm acordo fechado com o Governo.
O Presidente da República está a receber os parceiros sociais no Palácio de Belém, esta quarta-feira, para falar sobre as negociações do pacote laboral que o Governo está a tentar aprovar.
Depois da audiência desta tarde, o secretário-geral da UGT diz que tem informações que indicam que as negociações podem não estar já encerradas. Mário Mourão diz-se um "crente" no processo. "De facto, a senhora ministra considera fechadas as negociações, mas eu tenho outras informações. Eu sou um crente, creio que isso é possível", sublinhou.
A central sindical vai votar internamente esta quinta-feira, no secretariado nacional, a aprovação ou o chumbo da proposta do Governo para alterar a legislação laboral, mas tudo parece indicar que, nada se alterando, a resposta será um não. "Não estou ainda confortável com a proposta que está em cima da mesa. Por isso é que a UGT continua disponível e aberta se houver alguma proposta do Governo que possa vir ainda a melhorar". O desafio ao executivo está lançado. Teremos de esperar pelas próximas horas para entender se alguma aproximação pode ocorrer.
"PR tem de ouvir a maioria dos trabalhadores". CGTP relembra Seguro do que disse nas Presidenciais
A CGTP foi a primeira entidade a pedir uma audiência sobre esta matéria e foi também a primeira a ser recebida. À saída do encontro, o secretário-geral da central sindical, Tiago Oliveira, voltou a exigir ao Governo que deixe cair a proposta e relembrou o que disse António José Seguro durante a campanha eleitoral.
"O Presidente da República, na campanha eleitoral, disse que este pacote laboral, se não tivesse respaldo na Concertação Social, não teria, da parte dele, posicionamento favorável ao mesmo. A maioria dos trabalhadores pronunciou-se no sentido de rejeitar e o Presidente da República também tem de ouvir a maioria dos trabalhadores", relembra o responsável.
"Este pacote laboral está ferido de inconstitucionalidades, principalmente pela questão do afastamento da CGTP. Relativamente a isto não há por onde fugir: o Governo tem de ouvir a maioria e tem de retirar o pacote laboral", acrescenta Tiago Oliveira.
Representantes dos patrões e sindicatos foram recebidos esta tarde por António José Seguro para discutir as alterações às leis do trabalho que ainda não têm acordo fechado com o Governo.
Os representantes dos patrões já manifestaram que estão a favor, a CGTP é contra e a UGT vai esta quinta-feira votar internamente a posição sobre a matéria, mas o líder, Mário Mourão, voltou hoje a dizer que não está confortável com o que está em cima da mesa das negociações.
[Notícia atualizada às 21h01 de 22 de abril de 2026 para acrescentar declarações da UGT]
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