Leitão Amaro admite que Governo não tinha planeamento específico, mas aprendeu com "apagão"
23 abr, 2026 - 21:06 • Tomás Anjinho Chagas , Daniela Espírito Santo com Lusa
O Governo dificilmente podia ter comunicado mais rápido durante o apagão, defende Leitão Amaro que, ainda assim, reconhece que muito foi feito de improviso.
O Governo dificilmente podia ter comunicado mais rápido durante o apagão, garante o ministro da Presidência. Leitão Amaro, ainda assim, reconhece que muito foi feito de improviso.
O ministro da Presidência esteve, ao final da tarde desta quinta-feira, no Parlamento a ser ouvido sobre a resposta do Executivo no dia do "apagão", verificado a 28 de abril do ano passado.
Leitão Amaro admitiu que o Governo não tinha, naquela data, planeamento específico de coordenação política e resposta à crise. Na última audição do grupo de trabalho parlamentar sobre o apagão, na Comissão de Ambiente e Energia, António Leitão Amaro afirmou que o executivo retirou lições da falha elétrica e avançou, entretanto, com mudanças nos procedimentos, meios técnicos e planeamento de resposta.
Reconhece, que de lá para cá, os ministros aprenderam muita coisa, mas defende que o Governo foi rápido a falar com as pessoas, nomeadamente através da rádio, considerando que a comunicação inicial foi feita no formato considerado mais resistente naquele contexto.
"Aprendemos? Aprendemos. Aprendemos que era preciso melhorar? Aprendemos"
"Nós comunicamos. Comunicamos depressa e transmitimos as mensagens que interessavam passar ali. O primeiro-ministro comunicou várias vezes. Nós estávamos reunidos, em modo de crise, rapidamente", considera. Mesmo assim, reconhece que muito foi feito de improviso e já não se repetiria.
"Aprendemos? Aprendemos. Aprendemos que era preciso melhorar? Aprendemos. Era preciso planear a comunicação e o circuito de comunicação e os passos a dar? Sim", assegura.
"Resposta mais rápida é praticamente impossível, com menos improviso, seguramente porque agora temos planeamento. De forma mais coordenada porque hoje já sabemos mais coisas sobre coordenação que não sabíamos antes", acrescenta.
Como consequência, foi criado o Corgov, Centro de Operações do Governo, uma "estrutura e um manual de procedimentos para coordenação política e comunicação política em momento de crise".
"Nós sabemos que a resiliência das redes de comunicação, mesmo dos canais de rádio, era limitada e vulnerável", admitiu, anunciando que o reforço dessas redes está incluído no PTRR.
O ministro da Presidência reconheceu, ainda, que até ao apagão do ano passado os ministros não tinham sistema SIRESP para comunicar entre eles, o que mudou entretanto.
"Não tínhamos os meios técnicos, sequer dentro do Governo, para todos falarmos imediatamente por rede SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança)", lamentou, garantindo que já se procedeu à entrega de terminais aos membros do executivo.
Leitão Amaro revela que, durante as tempestades, esse sistema serviu para a comunicação de crise entre os vários gabinetes.
Leitão Amaro recorda "momento mais dramático" que viveu na sua vida política
Falando especificamente sobre o funcionamento das infraestruturas críticas, como hospitais, o ministro admite que chegaram a ser ponderadas alternativas para assegurar combustível em algumas unidades de saúde na capital. "Provavelmente o momento mais dramático que vivi na minha vida política foi ter ouvido qual era o cenário de risco que poderia estar envolvido caso tudo falhasse", relembra.
"Naquele sítio havia crianças cuja vida, bebés, dependiam do fornecimento elétrico para viverem, porque vivem em incubadoras com ventilação assistida", afirmou.
Durante a audição, o governante reiterou, igualmente, que a origem da falha "não foi em Portugal", e sim em Espanha, mas admite que o incidente causou prejuízos à população. "Claro que os portugueses foram lesados. Houve pessoas que não conseguiram fazer o que queriam estar a fazer, atividades que não puderam acontecer da mesma forma e vidas que foram perturbadas. Isso é uma lesão", comentou.
No final das contas, Leitão Amaro defende que, "desta vez", "correu bem". Mas não estava tudo bem para correr bem. E nós aprendemos lições. Melhorámos várias coisas", remata.
- Noticiário das 20h
- 15 jun, 2026







