Energia
Liberais querem que Espanha pague prejuízos do apagão
28 abr, 2026 - 06:30 • Manuela Pires
O deputado Jorge Miguel Teixeira, da Iniciativa Liberal, diz que o Governo e o PSD querem que “o relatório não levante ondas e que não seja particularmente conclusivo”. O Parlamento vai discutir e votar, esta terça-feira, o documento do grupo de trabalho sobre o apagão.
Ao fim de cinco meses de audições, no grupo de trabalho sobre o apagão de 28 de abril de 2025, a Iniciativa Liberal (IL) ficou pouco esclarecida porque quase todas as entidades escutadas pelos deputados não conseguiram apontar o porquê das falhas nem o que já foi feito para colmatar o que correu mal naquele dia em que o país ficou sem energia desde as 11h33 da manhã até às 20h00.
O deputado liberal considera que “pouco se conseguiu concluir” porque há “um medo de assumir” erros e acusa o PSD de ter uma postura neste processo “apenas de uma gestão política para que seja tudo o mais limpo possível, sem criar muitas ondas”, e colocar a responsabilidade do lado de Espanha.
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Em entrevista à Renascença, o deputado da Iniciativa Liberal que integra o grupo de trabalho, criado em julho por iniciativa do PS, reconhece que, sendo a origem do apagão em Espanha, o Estado Português deve exigir uma compensação pelos prejuízos causados durante esse dia.
“A origem, tudo o que aconteceu, está do lado de Espanha. Portanto, há uma outra questão a tratar, que é, Portugal terá de ser compensado, porque a falha humana é da má gestão da rede elétrica espanhola”, defende.
Questionado sobre se essa compensação deve ser financeira, o deputado liberal admite que só pode ser essa a solução. “Isso terá de ser analisado, o nosso regulador de energia irá fazer a sua própria análise. Agora, parece-me que deve ser financeiramente, porque houve um dano económico concreto que foi causado a Portugal”, refere Jorge Miguel Teixeira.
Demora no blackstart? "Ninguém explicou"
Para além da origem do apagão, o deputado liberal tentou ainda saber porque é o sistema demorou tanto tempo a arrancar, a fazer o "blackstart", mas não conseguiu obter uma resposta clara ao longo destes meses de trabalho.
“Nós temos duas centrais em Portugal capazes de iniciar um processo 'blackstart'. Em teoria, o 'blackstart' deve demorar menos de uma hora, mas levou muito mais horas. Isso é estranho. Não é suposto, tecnicamente, ser assim. Ninguém respondeu, nem ninguém explicou porque é que demorou tanto tempo”, diz Jorge Miguel Teixeira.
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Segundo a informação que consta da proposta de relatório do grupo de trabalho, a que a Renascença teve acesso, pelas 11h35, a REN solicita o primeiro arranque em modo "blackstart" da central de Castelo de Bode, às 11h43 é solicitada a ativação em modo "blackstart" da central da Tapada do Outeiro.
Passavam 15 minutos do meio-dia quando a REN decide proceder ao corte formal das interligações com Espanha, reiniciando o processo de reposição autónoma do Sistema Elétrico Nacional em modo "blackstart".
Três horas depois é criada a primeira ilha energética, na sequência do arranque bem-sucedido da central de Castelo de Bode, sendo que a E-Redes indicou aos deputados que entre as 16h00 e as 17h30 inicia-se a reposição progressiva do fornecimento de energia aos consumidores, de forma faseada e controlada.
Só por volta das 20h00 tem início a reposição do fornecimento de energia na área metropolitana de Lisboa.
Grupo de Trabalho sobre o Apagão
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Falha nas comunicações: SMS enviado seis horas depois
Há um ano, a falha nas comunicações afetou não só a resposta ao apagão, mas também a informação e coordenação entre as diferentes entidades. No dia do apagão, uma segunda-feira, o presidente da Assembleia da República não conseguiu estabelecer ligação com os representantes dos partidos. A rádio foi o meio de comunicação social que conseguiu estar sempre a emitir e foi, para a maioria da população, a única fonte de informação ao longo de todo o dia.
O deputado Jorge Miguel Teixeira aponta a falha no envio das SMS que aconteceu apenas seis horas depois do início do apagão, porque era necessário ter a autorização do gabinete de segurança.
“Nós vimos que a comunicação nesse dia falhou. Os portugueses levaram muitas horas até receber comunicações oficiais ou comunicações objetivas, sucintas, sobre o que é que estava a passar. Eu perguntei diretamente à Autoridade Nacional da Proteção Civil sobre porquê da demora e respondem que estavam à espera de que o Gabinete de Segurança os informasse se isto era um caso ou não de segurança interna”, revela o deputado da Iniciativa Liberal.
O grupo de trabalho sobre o apagão vai discutir esta terça-feira a proposta de relatório elaborada pelo deputado do PSD Paulo Moniz, e será depois votado na comissão de ambiente e energia.
A criação do grupo de trabalho partiu do Partido Socialista e foi aprovado por unanimidade em julho do ano passado.
- Noticiário das 21h
- 07 jun, 2026













