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Presidente da República alerta para ameaça global à liberdade de imprensa

03 mai, 2026 - 10:30 • Lusa

"No ano passado, 129 jornalistas e profissionais da comunicação social foram assassinados no mundo", afirma, salientando que isto "não é uma estatística. É uma acusação".

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O Presidente da República assinalou este domingo o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, defendendo o papel essencial de uma imprensa livre como pilar da democracia e alertando para o agravamento das ameaças à atividade jornalística a nível global.

Numa nota divulgada pela presidência, António José Seguro afirma que "a liberdade é o fundamento da democracia" e que a liberdade de imprensa constitui "uma das suas expressões mais exigentes", porque "tem a obrigação de incomodar".

"Uma imprensa livre é, por definição, um contrapoder. Uma voz que questiona, que investiga, que não se dobra ao poder nem se rende ao aplauso fácil. Uma voz fundamentada, independente e, quando necessário, incómoda. É precisamente essa a sua função. É precisamente por isso que é insubstituível", frisa o chefe de Estado.

Apesar disso, o que o cenário internacional mostra é precisamente o contrário, com números que contrariam "a expectativa de progresso que a consolidação das democracias deveria garantir", acrescenta.

"No ano passado, 129 jornalistas e profissionais da comunicação social foram assassinados no mundo", afirma, salientando que isto "não é uma estatística. É uma acusação".

Para além da violência direta, o chefe de Estado aponta outras ameaças à liberdade de imprensa, "igualmente corrosivas", como a regressão democrática em várias regiões do mundo, a pressão de regimes autoritários sobre os "media" independentes, a precariedade económica das redações, a concentração da propriedade e a disseminação de desinformação.

Sobre este último aspeto, alerta que essa proliferação de desinformação seduz "os próprios "media" que deveriam ser o seu antídoto".

Segundo o Presidente, estes fatores contribuem para um "ecossistema de informação cada vez mais frágil", em que a verdade disputa espaço com o espetáculo e o "circo mediático" capta mais atenção do que o jornalismo rigoroso.

António José Seguro defende, por isso, que a proteção da liberdade de imprensa deve ser entendida como uma responsabilidade coletiva e uma prioridade de cidadania, não apenas dos jornalistas ou das empresas de comunicação social.

"Quando uma voz jornalística se cala por medo, por impossibilidade económica ou por captura, não é apenas ela que perde. Perdemos todos", conclui.

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