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REVISÃO CONSTITUCIONAL

IL junta-se a Chega e também apresenta projeto de revisão constitucional

04 mai, 2026 - 19:04 • Susana Madureira Martins , Olímpia Mairos

Liberais apresentam proposta num prazo de 30 dias e querem, por exemplo, a propriedade privada inscrita na Constituição como direito fundamental.

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Mariana Leitão sobre revisão constitucional
Ouça aqui as declarações de Mariana Leitaõ

A Iniciativa Liberal (IL) junta-se ao Chega e acaba de divulgar uma nota de imprensa em que anuncia que irá apresentar um projeto de revisão constitucional num prazo de 30 dias. No caso de vir a ser aprovada no Parlamento e instalada, será a própria líder do partido, Mariana Leitão a liderar a participação da IL nos trabalhos da comissão eventual para alterar a Lei Fundamental.

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Na nota de imprensa enviada às redações e a que a Renascença teve acesso, os liberais avançam com as cinco prioridades para uma eventual revisão constitucional. Desde logo, querem tornar a propriedade privada em direito fundamental, rever "toda" a constituição económica, com o argumento que a Lei fundamental "não pode continuar a consagrar uma desconfiança estrutural no mercado e na iniciativa privada".

Os liberais querem também criar o princípio da "solidariedade intergeracional", sem, contudo, referir exatamente o que querem inscrever na Constituição e mostram intenção de uma "reflexão séria" sobre os direitos individuais face às "tecnologias emergentes" de inteligência artificial.

O último princípio definido pela IL na nota de imprensa divulgada esta segunda-feira é o de "garantir que não são atacados direitos, liberdades e garantias que violem os princípios da liberdade individual e da dignidade pessoal", ficando por definir exatamente de que direitos se tratam.

A Renascença sabe, contudo, que este último ponto se trata de um aviso para o Chega que tem defendido alterações à Constituição como a prisão perpétua ou a castração química de condenados por crimes sexuais contra menores, dois princípios de que o partido liderado por André Ventura não abdica, mas com os quais os liberais não concordam e pretendem travar numa eventual revisão.

Responsabilidade de todos os partidos

Em declarações aos jornalistas durante a Queima das Fitas do Porto, Mariana Leitão defendeu que o processo de revisão constitucional deve ser encarado como uma responsabilidade partilhada por todas as forças políticas com representação parlamentar, rejeitando a ideia de uma articulação prévia obrigatória entre partidos. Como afirmou, “não é uma questão de nos juntarmos, isto é uma prerrogativa de todos os partidos”, explicando que, após a apresentação de um projeto, “os outros partidos têm todos 30 dias para apresentarem os seus”.

A presidente da Iniciativa Liberal garantiu que o partido irá avançar com uma proposta própria, sublinhando a ambição de apresentar “um projeto de revisão constitucional sério, credível, que de facto vá ao encontro dos interesses dos portugueses”. No mesmo sentido, defendeu a necessidade de atualizar o texto fundamental do país, argumentando que se pretende “uma Constituição adaptada ao século XXI, que dê resposta às exigências dos tempos modernos”.

Sublinhando a natureza dinâmica da Lei Fundamental, Mariana Leitão acrescentou que “a Constituição não é uma coisa escrita em pedra, que nunca se pode alterar”, mas antes “um assunto vivo” que deve evoluir com o tempo — trabalho que a Iniciativa Liberal pretende desenvolver “ao longo dos próximos 30 dias”, através da apresentação das suas propostas.

Quanto ao posicionamento de outros partidos, incluindo o Chega e o PSD, a deputada reiterou que o essencial é a participação generalizada no processo. Assim, considerou que “todos os partidos que queiram de facto ter uma postura séria devem também submeter as suas propostas”, permitindo que do debate parlamentar resulte “um trabalho construtivo”.

Em conclusão, reforçou que o objetivo último deve orientar toda a discussão: “em última instância, o que interessa é sempre o interesse dos portugueses”, pelo que todos os partidos com assento na Assembleia da República “têm essa responsabilidade de fazer esse trabalho” e participar no processo de revisão constitucional.

Depois do Chega, os liberais são o segundo partido a mostrar vontade em avançar com uma revisão constitucional nesta legislatura, sendo que o líder do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, já tornou público que este processo não é uma prioridade.

Já o líder do Chega, André Ventura, prometeu avançar na quinta-feira com um projeto de revisão constitucional, salientando que existe uma maioria de direita para as alterações à Lei Fundamental. Ventura tinha prometido apresentar a proposta no final de abril, mas a Renascença sabe que o foco nos temas da transparência fizeram adiar os planos.

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