Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 12 mai, 2026
A+ / A-

"Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma": Passos considera absurda e irrealista proposta do Chega

05 mai, 2026 - 22:59 • Lusa

Pedro Passos Coelho critica proposta do Chega sobre idade da reforma. Ex-primeiro-ministro considera cenário absurdo e irrealista.

A+ / A-

O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho classificou hoje como absurda e irrealista a proposta do Chega de baixar a idade da reforma e, sem fechar portas ao futuro, voltou a considerar improvável um regresso à vida política.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

Segundo relatos à Lusa de uma intervenção à porta fechada para estudantes da Nova SBE, Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, sobre “Portugal e o Futuro”, Passos reiterou que o atual Governo PSD/CDS-PP tem demorado “demasiado tempo” a mostrar resultados, apontando como exceção a tentativa de reforma da lei laboral.

“Mas apareceu muito isolada, sozinha, coitadinha. E quando se aparece muito sozinha e é preciso negociar, só se pode negociar ali dentro”, afirmou Passos Coelho.

Sobre este tema, o antigo líder do PSD criticou a posição do partido liderado por André Ventura, que admitiu que só viabilizaria no parlamento a proposta do Governo se este aceitasse baixar a idade da reforma.

“Além do absurdo e irrealismo, que mostra populismo em excesso, eu que tanto tenho defendido que o PSD procure a maioria que não tem, com a IL e com o Chega, que são partidos não socialistas... Quando as coisas assumem este caráter, eu pergunto: são não socialistas? Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma”, afirmou Passos Coelho.

Ao longo de quase duas horas de perguntas e respostas, Passos Coelho foi questionado sobre o seu futuro político, reiterando que “não anda à procura de nada” e que seria “um mau sinal” que tivessem de o ir “buscar ao baú”, revelando até uma conversa que teve com o atual primeiro-ministro no verão de 2023.

Na altura, contou, dizia-se que a alternativa a Luís Montenegro passaria por si ou pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.

“Era eu e o Moedas, ainda tinha aparecido há pouco tempo, aqui pela capital, agora já estará um bocadinho mais usado, mas na altura não estava”, ironizou Passos Coelho.

O antigo primeiro-ministro confessou que esta conversa até o irritou, tendo deixado um conselho ao então líder da oposição, Luís Montenegro.

“É muito simples: sejam competentes e tratem do assunto. Se forem competentes e tratarem do assunto, ninguém vai andar preocupado nem com o Moedas, nem com o Passos Coelho”, disse Passos Coelho.

Perante a insistência dos alunos sobre uma eventual candidatura a funções políticas, Passos reiterou a sua falta de interesse no cargo de Presidente da República.

“Não é que eu não conseguisse fazer, mas só de pensar que estaria lá cinco anos que fosse, era uma coisa horrível (...) Chefiar um governo era diferente, porque eu saberia o que fazer”, disse Passos Coelho.

Ainda assim, considerou que o país mudou muito desde que deixou essas funções, em 2015, e que “há pessoas que podem ter mais vantagem para poder fazer esse papel”.

“Se, porventura, eu vier fazer, é porque tudo o mais falhou. Não é um bom sinal, é porque tiveram de ir ao baú, buscar um gajo antigo para tratar do assunto”, disse Passos Coelho.

Ainda assim, fez questão de dizer que não fechava “nenhuma porta para o futuro”.

“Eu sei que muita gente ficaria encantada se eu dissesse: garanto-vos, nunca mais me candidato. Tipo, como o professor Marcelo, nem que Cristo desça à terra. Não digo nada dessas coisas, mas não acho provável que isso aconteça”, disse Passos Coelho.

Para Passos Coelho, o provável é que o PSD e o atual primeiro-ministro continuem no poder por uns anos, mas disse não saber “o que é que vai acontecer daqui a dois, quatro ou seis anos”.

“Só um tolo é que perde tempo a pensar nessas coisas. Eu não perco tempo a pensar nisso”, disse Passos Coelho.

Na sua intervenção, voltou a alertar para o problema da sustentabilidade da segurança social, que considerou ninguém querer enfrentar, para as dificuldades de integração de muitos imigrantes, que vivem “em servidão” em Portugal, e criticou o atual modelo de IRS Jovem, que classificou como iníquo, deixando um conselho para que os mais novos tomem conta do seu futuro se querem mudanças reais no país.

“A malta que está na política não tratará. Conheço-os todos. A maior parte da malta que está na política quer estar lá. Quer fazer como o Dr. António Costa, gerir o dia-a-dia. Arranjar empregos para os amigos. Colocar os apoiantes. Controlar. Mandar, ser obedecido. Porquê? Porque essa é a natureza do poder”, considerou Passos Coelho.

Ouvir
  • Noticiário das 18h
  • 12 mai, 2026
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Antonio Santos
    06 mai, 2026 Lisboa 15:17
    Só nos faltavam agora as opiniões deste piroso da linha de Sintra "with a melon-shaped head" É PRECISO TER AZAR !

Vídeos em destaque