Aniversário do PSD
Reforma laboral: Montenegro avisa que "Governo não vai desistir" nem ficar "refém do imobilismo"
06 mai, 2026 - 21:58 • Manuela Pires
Na festa dos 52 anos do PSD, Conceição Monteiro, 92 anos de idade e militante número dois do PSD, foi homenageada e revelou que, por vezes, fica "triste" com o que ouve ou vê na televisão, pedindo para não deixarem ficar mal o partido.
A poucas horas dos parceiros sociais regressarem à mesa das negociações, o primeiro-ministro volta a lembrar que o Governo é de “concertação” e de transformação do país e, por isso, não vai desistir de alterar as leis laborais e outras reformas de que o país precisa.
Na festa dos 52 anos do PSD, Luís Montenegro lembra que este Governo é reconhecido lá fora “por conjugar a baixa dos impostos sobre os rendimentos do trabalho com o aumento dos salários”, e por isso vai insistir no pacote laboral para tornar o país mais produtivo.
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“É um Governo que, obviamente, não vai desistir. Vai continuar concentrado e focado em dar ao país mais instrumentos para o país ser produtivo e competitivo. Não vai desistir de aproveitar o potencial da sociedade”, disse Luís Montenegro.
O primeiro-ministro avisou ainda os parceiros sociais que, apesar de o Governo ser de “diálogo” e “concertação”, isso não quer dizer que vai ser transigente.
“Nós já demos muitas mostras de cedência, muitas mostras de transigência. Nós o que não podemos é ficar reféns da intransigência ou ficar reféns do imobilismo. Para isso vão contar com um PSD muito ativo, um PSD muito proativo e um PSD muito combativo”, avisou o primeiro-ministro.
Montenegro e os "elogios" alemães
Num discurso de mais de 30 minutos, no dia em que o PSD celebra 52 anos, o líder do partido deixou vários elogios ao seu Governo que tem conseguido reduzir impostos, obter um superavit e ser reconhecido lá fora por este desempenho.
Montenegro referiu que, na visita de terça-feira a Berlim, foi elogiado por vários empresários alemães pelo trabalho que está a fazer.
“Nós somos um país que tem um primeiro-ministro que falou para quase dois mil empresários alemães, que respondem por uma grande parte do PIB da Alemanha, que é só a maior economia da Europa, e foi, enfim, agraciado com o respeito espontâneo dessa plateia, sempre que se falou da situação económica, da situação financeira, do ímpeto transformador”, referiu Luís Montenegro.
Perante uma plateia de deputados, governantes, autarcas e dois antigos líderes do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa e Luís Marques Mendes, o primeiro-ministro lamentou que em Portugal não se destaquem estas notícias e se dê valor ao que o Governo está a fazer.
“Eu lamento efetivamente que em Portugal não se tenha noção exata daquilo que os outros pensam de nós lá fora. Nós valemos muito mais de fora para dentro do que de dentro para dentro ou de dentro para fora. É talvez uma sina portuguesa”, disse.
Montenegro lamenta que em Portugal não haja elogios para os resultados económicos da governação e dá o exemplo da privatização da TAP que conseguiu captar as melhores companhias aéreas do mundo.
“Porque é que isto está a acontecer? A companhia é a mesma, o contexto estratégico que nós temos para esta privatização é o mesmo que existia há 10 ou há 15 anos atrás”. Disse que o que mudou foi “o potencial de rentabilização deste investimento, aquilo que nós aportamos como capacidade de acrescentar, é hoje muito mais do que aquilo que era há 10 ou há 15 anos atrás” disse o primeiro-ministro numa alegada referência à privatização da TAP no Governo de Passos Coelho.
E uma vez que a festa é do PSD, Luís Montenegro vaticinou que o atual período governativo “vai marcar tanto a história de Portugal como os grandes períodos governativos” dos 52 anos do PSD. “E vai marcar porque foi isso que o povo português quis e é isso que o povo português quer”, garantiu.
Marcelo regressa a casa e Conceição Monteiro pede para seguirem os princípios do PSD
Conceição Monteiro, 92 anos, a militante número 2 do PSD e antiga secretária de Sá Carneiro, foi homenageada pelo partido e pediu aos PPDs que não deixem ficar mal o partido, avisando que continua a seguir de perto as intervenções dos dirigentes do PSD.
“Ainda hoje em dia, eu ouço, tento ouvir tudo aquilo que vocês andam a fazer e a dizer. E quando andam pelas linhas certas, eu mando uma mensagem a dar parabéns. Muitas vezes, quando fico triste, não mando mensagem nenhuma. E assim é a minha vida. A minha vida”, referiu Conceição Monteiro, que pediu ainda ao primeiro-ministro e aos dirigentes para seguirem os princípios do PSD.
“E quando forem à televisão e à rádio, tomar qualquer posição, participar em alguns debates, pensem sempre assim, a Conceição estava em casa a ouvir, porque tenho a certeza que se pensarem isso, vão sempre trabalhar a favor dos portugueses” pediu Conceição Monteiro que terminou pedindo “Não nos deixem ficar mal. O partido não merece, o partido merece o melhor de nós próprios, o melhor de cada um de nós”, disse a militante número dois do PSD.
Conceição Monteiro foi apresentada por Marcelo Rebelo de Sousa que elogiou a mulher inteligente e que foi “um elemento unificador muito importante na vida do partido. E muito importante até pela proximidade a Francisco Sá Carneiro, que acompanhará depois com uma fidelidade, com uma lealdade, com uma ternura, com um carinho, ilimitados”, referiu o ex-Presidente da República, que não falou sobre atualidade política.
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