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Chega quer incluir perda de nacionalidade na Constituição

07 mai, 2026 - 06:00 • Tomás Anjinho Chagas

Partido apresenta proposta de revisão constitucional esta quinta-feira e quer que a perda de nacionalidade esteja prevista na lei fundamental. Chega defende que a proposta que está agora a ser discutida não ultrapassa os limites, mas quer “clarificar” para evitar novos chumbos do Tribunal Constitucional.

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O Chega quer incluir a perda de nacionalidade na Constituição. É uma das propostas que o partido de André Ventura vai apresentar esta quinta-feira e a que a Renascença teve acesso.

Depois do chumbo do Tribunal Constitucional, que em dezembro impediu que a proposta aprovada pela AD e o Chega entrasse em vigor, a solução encontrada é alterar um dos artigos da Constituição para “clarificar” o caso.

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O Chega quer promover a alteração do Artigo 4º da Constituição e incluir explicitamente a possibilidade de perda de cidadania portuguesa no caso de serem cometidos crimes por portugueses que tenham adquirido a nacionalidade.

“A nacionalidade portuguesa pode ser revogada em caso de obtenção fraudulenta ou de prática de atos que atentem gravemente contra os valores fundamentais do Estado português, e ainda contra a soberania, independência ou a integridade do Estado”, pode ler-se na proposta a que a Renascença teve acesso.

Além da perda de nacionalidade, o Chega quer também deixar escrito na Constituição que para adquirir a nacionalidade, “é fundamental comprovar o conhecimento da língua portuguesa, tal como da história, cultura e valores identitários da nação”.

Na argumentação para esta mudança, o partido de André Ventura defende que ao chumbar esta lei, em dezembro do ano passado, o Tribunal Constitucional “deturpou”, “extravasou” e tentou “limitar a competência” do Parlamento. Porquê? Para o Chega a Constituição não impedia a perda de nacionalidade, tratou-se de uma interpretação abusiva por parte dos juízes.

Atualmente, a Constituição, no Artigo 4º, que se refere à Cidadania Portuguesa, é mais ampla: “São cidadãos portugueses todos aqueles que como tal sejam considerados pela lei ou por convenção internacional”.

Lei da Nacionalidade declarada inconstitucional pelo TC - Renascença

TC considerou que lei viola princípio da igualdade

Esta semana, o Presidente da República promulgou a lei da nacionalidade, que também tinha tido reparos do Tribunal Constitucional. Em análise está agora a perda de nacionalidade como pena acessória para alguns crimes.

Em dezembro, o Tribunal Constitucional chumbou as duas leis que tinham sido aprovadas no Parlamento. Sobre a perda de nacionalidade, os juízes declararam, por unanimidade, que viola o princípio da igualdade.

Em causa, a diferença dada aos cidadãos, porque um português nascido em Portugal não pode perder a nacionalidade, e com esta lei, um estrangeiro que tivesse adquirido a nacionalidade português pode perder. Ou seja, há uma diferença no tratamento dos cidadãos.

Em abril, o PS voltou a enviar a lei que propõe a perda de nacionalidade para o Tribunal Constitucional, por considerar que a nova aprovação mantém os problemas constitucionais que levaram ao chumbo no final do ano passado.

“O acórdão é claro. É estabelecida uma diferença entre portugueses e portuguesas que faz com que, para um crime igual, sejam considerado um quadro sancionatório diferente para portugueses e portuguesas", afirmou Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista.

A nova proposta do PSD que altera o código penal reduz o leque de crimes que pode levar à perda da nacionalidade.

Ventura admite que processo se prolongue para 2027

Em declarações aos jornalistas esta quarta-feira no Parlamento, André Ventura piscou o olho ao PSD ao admitir que o processo pode vir a arrastar-se para o próximo ano. Dessa forma, estaria cumprido o pressuposto do PSD, que insiste que só quer falar de revisão constitucional na segunda metade da legislatura.

É legítimo dizer que neste momento, seja em 2026, seja no prolongar dos trabalhos para 2027, temos condições de mudar a Constituição ao longo desta legislatura”, afirmou.

O presidente do Chega mantém a confiança no processo, mesmo que para já não tenha garantias de nenhum partido sobre a aprovação de alterações: “Pelo que oiço dos outros líderes partidários vamos ter um processo”.

Ventura assume que não vai deixar cair “bandeiras” como a redução do número de deputados ou a viabilização do enriquecimento ilícito.

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