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Morreu Carlos Brito, histórico comunista

07 mai, 2026 - 21:01 • Ricardo Vieira , Marisa Gonçalves

Antigo braço direito de Álvaro Cunhal e renovador comunista tinha 93 anos. Candidato à Presidência da República em 1980, foi afastado do PCP em 2002.

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Carlos Brito em declarações ao podcast Avenida da Liberdade, em 2022
Carlos Brito recorda o 25 de Abril em declarações ao podcast Avenida da Liberdade, em 2022

Morreu Carlos Brito, histórico comunista e antigo líder parlamentar do PCP. Tinha 93 anos.

A notícia foi avançada pela SIC Notícias e confirmada pelo presidente da Câmara de Alcoutim, Paulo Paulino, ao jornal Público.

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O histórico e renovador comunista, que residia em Alcoutim, faleceu depois de estado internado no Hospital de Faro, onde recebeu alta na segunda-feira.

Com um historial de problemas cardíacos, Carlos Brito sentiu-se mal esta quinta-feira e foi levado para o Centro de Saúde de Vila Real de Santo António, indica o Público.

Durante a ditadura, Carlos Brito passou dez anos na clandestinidade e oito anos na prisão.

Carlos Brito era responsável pelo PCP Lisboa na altura do 25 de Abril de 1974 e foi braço direito do líder histórico comunista Álvaro Cunhal.

A seguir ao 25 de Abril esteve 16 anos na Assembleia da República, 15 dos quais como líder do grupo parlamentar.

Candidato à Presidência da República em 1980, foi afastado do PCP em 2002 e integrava o Movimento Renovação Comunista.

Numa entrevista à Renascença, em dezembro de 2024, disse que só admitia regressar ao partido se o PCP abandonar marxismo-leninismo e o chamado "centralismo democrático".

Em declarações ao podcast Avenida da Liberdade, da Renascença, publicado em abril de 2022, Carlos Brito fez um balanço dos 50 anos do 25 de Abril. O histórico comunista lamentou que ainda existam "zonas de grande pobreza" em Portugal e persistam a “desigualdade e salários muito baixos”.

PCP recorda "contribuição na Revolução de Abril"

O Partido Comunista Português divulgou uma nota em reação à morte de Carlos Brito.

O PCP reconhece o "distanciamento político" entre o partido e o histórico comunista, mas não deixa de enaltecer o percurso de Carlos Brito.

"Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar", refere o partido liderado por Paulo Raimundo.

"Carlos Brito foi um grande resistente antifascista"

Em declarações à Renascença, o comunista António Filipe refere que mais do que as divergências ideológicas, Carlos Brito deve ser recordado pela sua luta antifascista e pelo contributo que deu à Democracia.

"São do conhecimento geral as divergências entre o PCP e Carlos Brito nos últimos anos da sua vidas, mas é com muita tristeza que recebo a notícia do seu falecimento e, antes de mais, quero dirigir condolências aos familiares. Na verdade, Carlos Brito foi um grande resistente antifascista dentro do PCP, passou várias vezes pelas cadeias da PIDE e, depois do 25 de abril, teve um papel muito relevante como líder parlamentar", refere o antigo deputado.

Nestas declarações à Renascença, António Filipe sublinha que Carlos Brito teve um percurso muito importante enquanto deputado comunista na Assembleia da República, entre 1976 e 1991.

"Designadamente os dois primeiros processos de Revisão Constitucional. Foi um deputado sempre eleito pela sua região natal, o Algarve, defendendo a sua região, os direitos e os interesses daquele povo. Como líder parlamentar participou em momentos decisivos da Democracia portuguesa", declara.

[notícia atualizada às 22h30 - com reação de António Filipe]

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