Política
Polémica no CDS: Juventude Popular pode ficar fora do congresso do partido
14 mai, 2026 - 06:00 • Manuela Pires
Foi apresentado um pedido de impugnação do Conselho Nacional que aprovou a lista de delegados da JP ao Congresso do CDS, que se realiza no próximo fim de semana, em Alcobaça. Nuno Correia da Silva, candidato à liderança, diz na Renascença que sem a JP não vai ao Congresso.
A dois dias do Congresso do CDS, a líder da Juventude Popular (JP) ainda não sabe se os 86 delegados aprovados no Conselho Nacional da JP, na passada quinta-feira, vão poder entrar na reunião magna do partido.
Em causa está um pedido de impugnação do Conselho Nacional, que aponta várias irregularidades à forma como decorreu a escolha dos nomes dos delegados. O líder do CDS não quer comentar esta polémica alegando tratar-se de uma questão interna da Juventude Popular.
No documento a que a Renascença teve acesso, a conselheira Joana Sousa Lara pede a “apreciação da regularidade estatutária e procedimental do último Conselho Nacional da Juventude Popular, no qual foi submetida à votação e aprovada a lista indicada pela Comissão Política Nacional (CPN) para o preenchimento da quota de representação da Juventude Popular no 32.º Congresso do CDS – Partido Popular”.
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No requerimento de seis páginas, a militante da Juventude Popular fala em “opacidade” do processo, porque foi apresentada ao Conselho Nacional a lista da direção sem “que tenha sido divulgada” antes aos militantes.
Joana Sousa Lara aponta ainda outra irregularidade relacionada com o atraso do início da reunião.
“Tendo o Conselho Nacional sido convocado para as 18h30, a respetiva segunda convocação apenas poderia ocorrer, no limite, até às 19h30. Sucede que os trabalhos tiveram início por volta das 20h45 (mas nunca às 19h30), ou seja, cerca de uma hora e quinze minutos para além do limite temporal estatutariamente admissível, circunstância que configura uma violação objetiva das regras estatutárias de funcionamento do órgão deliberativo e compromete a regularidade formal dos atos subsequentes praticados”, lê-se no requerimento a que a Renascença teve acesso.
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Contactada pela Renascença, a líder da Juventude Popular diz que, por agora, não pode adiantar mais sobre o processo que está entregue ao Conselho de Jurisdição que não deu qualquer prazo para anunciar uma decisão.
“Eu infelizmente não posso fazer grandes considerações, o processo está nos seus trâmites normais, nos nossos órgãos superiores e, só se eu for chamada é que poderei dizer algo”, diz Catarina Marinho à Renascença.
A líder da Juventude Popular revela, apenas, que “a subscritora do pedido de impugnação é assessora da Câmara Municipal de Lisboa”, mas que foi uma escolha da direção do CDS.
Joana Sousa Lara avisa que vai informar a presidência do CDS, a Comissão Organizadora do Congresso deste pedido uma vez que considera que “a gravidade dos factos ora participados extravasa a esfera interna da Juventude Popular e projeta-se diretamente sobre a regularidade da representação no Congresso do Partido”.
Nuno Correia da Silva: "Sem JP eu não vou ao Congresso"
O candidato à liderança do CDS, Nuno Correia da Silva, revela à Renascença que este pedido de impugnação tem motivos políticos porque a moção que a JP entregou critica o rumo do partido dizendo que o CDS está “excessivamente diluído” na coligação com o PSD e que mostrou muitas vezes ser “incapaz de afirmar uma voz própria” junto do eleitorado.
Nuno Correia da Silva elogia a líder da JP, considerando que é mais eficaz do que Nuno Melo tem sido à frente do CDS.
“A Catarina Marinho, a presidente é fantástica, tem uma intervenção política muito assertiva. A JP é uma força muito mais viva do que o próprio partido. E, portanto, não vejo outra razão que não seja a razão política e que tem a ver com a JP ter um entendimento daquilo que é seu posicionamento de partido, que pode não coincidir com o da atual direção”, refere Nuno Correia da Silva.
O antigo deputado e dirigente do partido volta a ser candidato à liderança do CDS, mas garante que se os 86 delegados da Juventude Popular não participarem no Congresso, Nuno Correia da Silva também vai ficar de fora.
“Se se confirmar, não participarei num Congresso viciado, porque isso seria ser cúmplice. E nunca poderia ter uma participação num Congresso que não é legítimo. Portanto, sem a participação da JP, obviamente não estarei no Congresso”, diz Nuno Correia da Silva em entrevista à Renascença.
O congresso do CDS realiza-se nos dias 16 e 17 de maio, em Alcobaça. Nuno Melo é recandidato a mais um mandato e já disse que o CDS precisa agora de “ganhar músculo”.
Nuno Melo não quer comentar
O líder do CDS não quer comentar esta polémica alegando tratar-se de uma questão interna da Juventude Popular. Em entrevista à Renascença, Nuno Melo diz esperar que esta questão se resolva porque os jovens são importantes para o partido.
“Eu não comento questões internas da JP, suponho que de âmbito jurisdicional. O que eu espero é que tenham a capacidade de resolver as suas divergências porque são todos muito importantes, muito relevantes, por todas as razões e mais algumas”, refere.
Questionado sobre se será possível dirimir estas questões a tempo de garantir a presença dos 86 delegados da Juventude Popular no Congresso do CDS, Nuno Melo espera contar com todos no Congresso de Alcobaça.
“Espero que sim, enfim. A juventude é fundamental agora, mas precisamente porque a JP é uma organização autónoma, o CDS não se pode imiscuir nas suas questões internas. Só espero que sejam capazes, enfim, de resolver todas as divergências porque, no que tem que ver com o partido, a juventude é uma parcela fundamental” remata.
Questionado sobre se esta impugnação está relacionada com o facto da moção que a Juventude Popular apresenta ao congresso ser muito crítica para a sua liderança, Nuno Melo recusa essa leitura.
“De todo, vamos cá ver. Eu encaro as divergências apenas como formas diferentes da avaliação da realidade e da avaliação do partido. E o partido é o nosso maior denominador comum. O debate político é importante. Quer o interno, quer o externo. E que num congresso diferentes posições se expressem, isso é o mais normal no mundo” conclui Nuno Melo.
[atualizada às 14h18 com declarações de Nuno Melo]
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