Entrevista Renascença
Nuno Melo ataca críticos: "Quem pensa transformar o PSD no nosso adversário" só ajuda o PS e o Chega
15 mai, 2026 - 06:30 • Manuela Pires
Em entrevista à Renascença, antes do congresso do CDS, Nuno Melo recorda o partido que recebeu em 2023 e aquilo que alcançou em três anos, com vitórias nas legislativas, nos governos regionais e em muitas autarquias. O líder e recandidato centrista não aceita que o partido esteja diluído na coligação AD.
O presidente do CDS, Nuno Melo, responde, na véspera do Congresso do partido, aos que criticam a sua liderança, dizendo que não é transformar o aliado em adversário que vai dar força ao CDS, antes irá fortalecer o socialismo e os populismos.
Em entrevista à Renascença, na véspera do Congresso de Alcobaça, Nuno Melo responde com o partido que recebeu em 2023 e com aquilo que alcançou nestes três anos, com as vitórias nas legislativas, nos dois governos regionais e ainda em muitas autarquias.
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No Congresso deste fim de semana, vai ouvir algumas vozes críticas à sua liderança. A moção da Juventude Popular diz que o CDS está diluído na coligação do Governo, defende até que o partido deve ir sozinho a eleições futuras. Como é que recebeu estas críticas?
Eu encaro as divergências apenas como formas diferentes da avaliação da realidade e da avaliação do partido, e o partido é o nosso maior denominador comum. O debate político é importante, e é o mais normal no mundo que num Congresso se expressem diferentes posições.
Nós, no CDS, praticamos a democracia dentro e praticamos a democracia fora, isso é que é relevante. Eu acho ótimo que existam diferentes posições, diferentes pensamentos, mesmo quando discordo profundamente deles, como é obviamente nesse caso.
A estratégia não pode ser a de transformar o nosso aliado na AD no nosso adversário, só pode ser a de combater os socialismos e os populismos que nos atacam
Quando apresentou a moção, respondeu aos críticos dizendo que “gostava de ver quem fizesse melhor”. Tem sido difícil estes dois anos do CDS na coligação e fazer vincar a posição do partido na AD?
Não, vamos cá ver, em 2024, os oito anos de socialismo só foram derrotados em legislativas precisamente porque o CDS e o PSD juntaram esforços, lembra-se que a diferença de votos foi pouco mais de 30 mil, o CDS no seu pior momento de toda a sua existência teve mais de 90 mil votos, por isso, enfim, quando só passou um ano desde as últimas eleições legislativas, quando governamos em maioria relativa, parece-me evidente que a estratégia não pode ser a de transformar o nosso aliado na AD no nosso adversário, a nossa estratégia só pode ser a de combater os socialismos e os populismos que nos atacam.
Mas e no Governo…
O Governo fez mais pela paz social do que o PS e a esquerda em oito anos. Nós resolvemos problemas de professores, militares, forças de segurança, profissionais de saúde, guardas, etc..., enquanto reduzimos impostos e reduzimos a dívida pública para valores históricos e nós alcançamos superávites.
Ora, aqui também se vê a relevância e a utilidade do CDS, porque o CDS contou para essa vitória e, um ano depois das últimas eleições, haver quem acha que o PSD é que deve ser o adversário, peço desculpa, mas acho que não estão a ver muito bem o filme.
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Nuno Melo é líder desde 2023…
Eu sei onde nós estávamos e sei onde nós chegamos. E esta caminhada começou em Guimarães, em 2023. O CDS tinha sido varrido da Assembleia da República, não tinha subvenção parlamentar, tínhamos uma dívida gigantesca e não tínhamos imprensa. E chegámos aqui, o CDS foi a votos sete vezes em dois anos, em cima de todas as dificuldades. Nós não tivemos escolha, não pudemos pedir mais tempo. E fomos a votos em coligação e fomos a votos sozinhos.
E hoje o CDS é o único partido, além do PSD, que está simultaneamente no Governo da República e nos governos regionais dos Açores e da Madeira. O CDS está no Parlamento Europeu, e nas eleições autárquicas mantivemos as seis autarquias, conquistamos mais um presidente de Câmara.
Mas se, chegados aqui, a estratégia é transformar o aliado em adversário, eu pergunto a quem é que se aproveita? Ao PS ou ao Chega, mas não será pela minha mão, pelo menos se os congressistas assim validarem, que o poder será de entregue a esses partidos.
O CDS é um partido relevante e o CDS está a fazer um grande serviço ao país através das áreas que tutela
Para além desse caminho considera que o CDS precisa de ganhar “músculo”, isso quer dizer que é preciso ter mais força para poder caminhar sozinho?
O CDS já vem caminhando sozinho em muitos casos e vem caminhando também em coligação com o PSD quando o interesse nacional o justifique. Nós não temos problemas em ir a votos num caso ou no outro. O que é para mim relevante é demonstrar que em cada uma das estratégias que decidimos, e foram decididas de forma transversal e democrática dentro do CDS, nós alcançamos sucesso e quando hoje em dia as eleições são disputadas por tão poucos votos de diferença e entre os diferentes partidos, obviamente que o CDS é um partido relevante e o CDS está a fazer um grande serviço ao país através das áreas que tutela e através das outras áreas que não tutelando para as mesmas contribui com pensamento, com discussão, com ideias, é isso que é suposto.
Portanto, o CDS tem ideias, tem valores, tem doutrina, tem ideias, tem quadros e é competente.
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Falou em quadros do partido. A moção que leva ao congresso conta com o contributo de Adolfo Mesquita Nunes. Gostava de o ver de novo no CDS?
Gostava, naturalmente, e o próprio Adolfo sabe disso, como alguns outros quadros que saíram, mas que redefiniram as suas vidas depois de 2022. Qualquer partido responsável tem de ter respostas competentes sobre a inteligência artificial e o Adolfo emprestou muito daquilo que são as suas ideias, que já constam de um livro, para esta moção. E o CDS tem muitos quadros relevantes ainda hoje nos seus órgãos dirigentes, como terá a partir do próximo congresso, se vencermos como espero.
O documento que leva ao congresso deste fim de semana centra-se na recuperação do partido, mas reafirma também a vontade do CDS em rever a Constituição. É um capítulo inteiro dedicado a esta matéria. Entende, tal como o primeiro-ministro, que este ainda não é o melhor momento para alterar e para rever a Constituição na Assembleia da República?
O CDS estará presente na revisão constitucional, quando assim tiver de ser. O CDS não foi apenas o partido que votou contra a Constituição do caminho para o socialismo dos anos 70. O CDS é o partido que esteve depois em todos os processos de revisão constitucional e a próxima não será a exceção. Vou até dedicar uma parte da minha intervenção, no Congresso, à revisão constitucional.
Para terminar, no congresso de Alcobaça, vai ter oposição na corrida à liderança. Ficou surpreendido com a candidatura de Nuno Correia da Silva?
Não, eu fico muito satisfeito pelo facto de o Congresso apresentar diferentes moções, diferentes protagonistas, diferentes ideias. Essa é a beleza da democracia.
Acho muito saudável, não concordo com quase nada do que diz, não vem mal ao mundo, mas o Nuno Correia da Silva não é meu inimigo e nós temos no CDS um denominador comum e, ainda bem que vai ao Congresso para voltarmos a conversar.
- Noticiário das 16h
- 11 jun, 2026













