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Manuel Monteiro: CDS tem de ter as chaves do carro para “se necessário” se fazer à estrada sozinho

16 mai, 2026 - 18:11 • Manuela Pires

O antigo líder do partido esteve no congresso do CDS em Alcobaça e no discurso deixou avisos ao Governo, e para dentro criticou a ausência dos “pesos pesados” do partido.

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É uma ideia que vai pontuando os discursos no congresso do CDS, e Manuel Monteiro também defendeu que o partido deve estar preparado para, se for necessário, ir sozinho a eleições.

“Ser um partido político enquanto está junto é leal, mas nunca deixa de ter as chaves do seu próprio carro no seu próprio bolso para, se necessário for, se pôr à estrada e caminhar sozinho. E essa perspetiva é uma perspetiva que acredito que o CDS saberá trilhar”, disse o antigo líder do CDS.

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Num congresso em que se aponta para a diluição do CDS na Aliança Democrática, Manuel Monteiro defendeu que se espera de um parceiro de coligação lealdade e compromisso.

“Há quem entenda que o CDS não pode diluir-se no Governo, compreendo. O que é que se pode esperar de um partido que é parceiro de coligação? Lealdade e compromisso, parece-me óbvio”, afirmou.

Manuel Monteiro marcou presença e, no discurso que fez aos militantes, elogiou Nuno Melo, por ter conseguido colocar de novo o partido no mapa, e criticou as ausências muito notadas neste congresso.

“O que há que reconhecer é que o doutor Nuno Melo conseguiu que o CDS voltasse a estar presente na ordem do dia política. Mas só acompanhado dos pesos leves. Provavelmente, alguns dos pesos pesados são tão pesados que temiam que o palco fosse abaixo e entenderam não estar aqui”, apontou Manuel Monteiro, sem referir qualquer nome.

Com a sala em silêncio para ouvir o antigo líder do CDS, Manuel Monteiro apontou também ao Governo para criticar duas medidas recentes: a possibilidade de chamar universidades aos institutos politécnicos e os passes sociais.

“Há aí uma ideia para se chamar aos politécnicos universidades politécnicas. Eu acho isso um erro, porque universidade é universidade e politécnico é politécnico. É um erro num país que se habituou a socializar, a dar tudo a todos por igual”, disse Monteiro.

A mesma ideia aplica-se, na sua opinião, à atribuição dos passes sociais, que considera errada.

“Nós não temos a ideia, pela via legislativa, de transformar em igual aquilo que é diferente. O que significa que essa ideia socialista de dar apoios a todas as pessoas, independentemente do seu rendimento, sejam esses apoios convertidos em passes sociais, transportes gratuitos ou outra coisa qualquer”, avisou.

Quando alguns congressistas apelam ao partido para não perder a sua identidade democrata-cristã, Manuel Monteiro assina por baixo e pede que se esqueçam “as nuvens passageiras”.

“É verdade que em política há nuvens passageiras que provocam estragos e que contribuem para lançar a confusão no eleitorado. Mas isso não nos pode impedir de reconquistar esse mesmo eleitorado, dizendo-lhe que o erro, por outras opções, não é dele, foi nosso, e que nós humildemente o sabemos assumir”, afirmou.

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