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Pedro Pinto à Renascença: "Não é altura para falar em eleições"

20 mai, 2026 - 00:48 • Tomás Anjinho Chagas

Líder parlamentar do Chega critica fortemente postura do Governo nas negociações da reforma laboral e da reforma do Estado. Deputado admite que o partido pode negociar o Orçamento do Estado e rejeita "jogo tático" de falar em eleições antecipadas.

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Entrevista a Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega
Oiça aqui a entrevista a Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega. Fotografia: Lusa

Pedro Pinto, líder parlamentar do Chega, rejeita falar neste momento em eleições antecipada. Em entrevista à Renascença, o deputado argumenta que há uma "maioria de direita" que deve tomar decisões.

Braço direito de Ventura no Parlamento, Pedro Pinto defende que deve haver uma "reforma salarial" em vez de uma reforma laboral, e lamenta que o Governo tenha recebido os partidos com uma "proposta quase fechada" para discutir a reforma do Estado.

Durante as jornadas parlamentares do Chega, que decorreram 18 e 19 de maio em Viseu, o líder parlamentar do partido responde às perguntas da Renascença, um ano depois de o partido se tornar a segunda força política em Portugal.

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Há umas semanas disse que o Chega estaria disponível para viabilizar a reforma laboral. Neste momento conseguiria repetir essa afirmação?

A minha afirmação foi que o Chega estaria disponível para aprovar esta reforma laboral, mas não era esta reforma laboral do Governo. Com mudanças que nós íamos propor e conversar com o Governo para isso. Foi para isso que constituímos um grupo de trabalho dentro do nosso grupo parlamentar. Agora, para esta reforma laboral do Governo não pode contar connosco, porque já não vai de encontro aos trabalhadores, cria uma grande divisão entre patrões e trabalhadores.

Mais do que falar em reforma laboral, nós temos de falar em reforma salarial, ainda por cima porque o Estado, o Estado português, é o maior precário que existe, ou seja, os trabalhadores continuam a receber muito pouco, e nós temos que valorizar quem trabalha, quem trabalha tem que ter melhores salários, tem que ter mais dias de férias. Nós conseguimos trazer a baixa da idade da reforma para a praça pública, que havia muita gente para quem parecia um assunto tabu, ninguém pode falar da idade da reforma.

É uma condição absoluta para aprovar a lei laboral?

Quando há uma negociação, se o Governo quer realmente de boa-fé negociar, o Governo tem que chegar ao pé de nós e dizer assim, bom, a nossa proposta é esta, qual é a vossa, onde é que nós temos pontos em comum, pontos de entendimento, onde é que temos um chão comum para começar a trabalhar e a negociar. Isto é numa negociação de boa fé. Agora, como o Governo tem feito, não é negociar, isso é ouvir, é uma conversa, são aquelas reformas da treta.

Nestas jornadas parlamentares contou com um vice-presidente da UGT. O Chega, em tempos, falou em criar um sindicato. Faria sentido, uma vez que também já conseguiu trazer a umas jornadas parlamentares, haver uma tendência do Chega na UGT, por exemplo?

O que faz sentido é o Chega fazer um caminho próprio. Eu acho que nós temos que, de uma vez por todas, ter sindicatos independentes em Portugal, que estejam mesmo ao lado das pessoas e dos trabalhadores. Não é o que tem acontecido, infelizmente. Este Governo teve um condão, comunicou tão mal esta reforma laboral que fez com que a CGTP e a UGT voltassem a surgir à tona.

Na reforma do Estado, o Governo quer aumentar o limite e passar de 900 mil para 10 milhões de euros para isentar o visto prévio, o Chega estaria disposto a negociar se esse limite baixasse?

Nós estaríamos dispostos a negociar como em tudo o que têm sido as reformas deste Governo. Nós reunimo-nos com o ministro Gonçalo Matias e ele apresentou-nos a proposta quase como fechada. Não nos disse: "Bom vamos negociar". E depois quer o voto a favor do Chega? Não é assim que se negocia uma proposta. 900 mil euros é muito pouco, nós sabemos que as câmaras municipais têm dificuldade em conseguir fazer projetos, mas não é pelo Tribunal de Contas, o Tribunal de Contas demora 12 dias, em média, a responder. Não é por aí que as obras não vão para a frente, depois há é impugnações aos concursos, mas isso faz parte da reforma da Justiça, que este Governo também prometeu e ainda não tocou nela. Aquela grande bandeira da AD da reforma da Justiça, não se fala nela, ninguém fala nela, aliás Luís Montenegro foge como o diabo da cruz da reforma da Justiça.

A Renascença fez um apanhado das reformas, das leis no Parlamento, neste último ano, foi há um ano que houve eleições legislativas, o Chega aprovou mais medidas com o PS do PSD. O que é que isso diz do partido?

Se calhar esses números não estão tão corretos como são apresentados, eu vi isso também. O PSD fez questão de dizer: "Estão a ver? Afinal, os socialistas são eles". Não, quem tem aprovado os orçamentos com o PSD tem sido o Partido Socialista, portanto não metam o Chega ao barulho nisso, portanto isso é uma tentativa desesperada de Luís Montenegro, do PSD, de colagem do Chega ao Partido Socialista.

O Chega nunca estará colado ao PS, estará sempre colado ao povo português, vamos defender sempre tudo o que seja bom como acabar com as portagens. Só porque a proposta vem do PS não podemos votar a favor? Isso é uma teoria ultrapassada na política em Portugal. A proposta pode ser boa, vinda do Bloco de Esquerda, do PCP, do PS, do JPP, de todos os partidos políticos.

Acabou de criticar o PS por ter viabilizado os orçamentos de Estado do PSD, isso significa que o Chega não está disponível para essa discussão?

Há uma coisa que nós nunca dizemos à partida, é que vamos chumbar o orçamento de Estado. José Luís Carneiro disse no último orçamento, que se iria abster e deixou o Governo tranquilo, podiam fazer as asneiras que quisessem, podiam meter tudo no orçamento aquilo que quisessem, que iria passar com a abstenção do PS.

Nós não faremos isso, nunca faríamos isso, vamos analisar que orçamento é que o Governo nos vai apresentar, se o Governo quer ou não negociar com o Chega, ou prefere negociar com o Partido Socialista, como tem feito nos últimos anos, e depois vamos aguardar serenamente.

Esse período pode ser de instabilidade política novamente para o país?

Não, eu sinceramente não vejo que seja um período de instabilidade política, eu acho que na política nós procuramos sempre que haja estabilidade, temos sido um garante de estabilidade. Temos tentado sentar-nos à mesa com o Governo sobre as reformas que eles prometeram. Mas é um Governo que prefere andar sempre a fazer o choradinho de que o Chega está junto ao PS a negociar.

Temos feito algumas coisas importantes, o caso da Lei de Nacionalidade há um chão comum, garanto-lhe também que se fosse um Governo do Chega iríamos muito além. Sente-se que do PSD que ainda existe uma parte grande do centro-esquerda que tenta inviabilizar a grande maioria das propostas do Chega. Nós temos feito alguns progressos, mas precisamos mais abertura deste Governo e não tem havido.

Acha provável que a legislatura dure até ao fim?

Isso depende não só da Assembleia da República, mas também com o Presidente da República. Nós sabíamos qual era as reações de Marcelo Rebelo de Sousa, com António José Seguro nós não sabemos. Vamos aguardar, acho que o país não está bem, na saúdeestá igual ao que estava nos Governos de António Costa, os portugueses não sentem nenhuma diferença. Qual é que foi a grande reforma do Estado que o Governo fez nestes dois anos? Sabe qual é que foi? Foi mudar as administrações dos hospitais, foi criar mais 25 postos no CCDR para meter os seus boys, foi criar mais não sei quantas comissões para meter os seus militantes do cartão laranja.

E portanto estão prontos para ir a eleições contra um Governo que consideram que não tem feito as reformas necessárias?

Não é altura para falar de eleições, este Governo ganhou, existe uma maioria direita no Parlamento, não é um momento para estarmos a ver se vai haver eleições ou não, não é esse jogo tático - que se faz muitas vezes na política - que costumamos fazer.

Enquanto este Governo não governar para os portugueses, seremos os principais líderes da oposição, uma oposição construtiva que, infelizmente, esbarra, num Governo que por vezes não quer dialogar.

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