Governo reforça ação social e estima que valor médio das bolsas chegue a 2.660 euros anuais
21 mai, 2026 - 14:49 • Lusa
Novo modelo de ação social entra em vigor no ano letivo 2026/2027 e prevê bolsas médias de 2.660 euros anuais, com investimento total de 220 milhões de euros.
O Governo vai reforçar em 53% o financiamento da ação social no ensino superior e estima que o valor médio das bolsas chegue aos 2.600 euros anuais com as novas regras, aprovadas esta quinta-feira em Conselho de Ministros.
O novo modelo de ação social vai ser aplicado já a partir do ano letivo 2026/2027, mas os alunos abrangidos pelo atual sistema beneficiarão de um regime transitório, em que serão aplicadas as regras mais favoráveis até que concluam o curso.
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De acordo com um decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros, o cálculo da bolsa passará a considerar o custo médio de estudar no ensino superior, estimado por concelho e incluindo despesas com propina, alimentação, transporte e alojamento, bem como o rendimento que o agregado familiar pode disponibilizar ao estudante.
Se a diferença for positiva, o estudante recebe bolsa, explicou à Lusa fonte do Governo, sublinhando que o novo método de cálculo permite garantir maior progressividade e ajusta automaticamente o limiar de elegibilidade às despesas calculadas em cada concelho.
Com a aplicação das novas regras, que representam um investimento de 220 milhões de euros — mais 53% face aos atuais 144 milhões de euros — o Governo estima que o valor médio anual da bolsa passe de 1.734 para 2.660 euros, um aumento de 926 euros anuais, acima de 50%.
O valor da bolsa mínima mantém-se nos 872 euros anuais, correspondendo a 125% da propina máxima de licenciatura, atualmente fixada nos 697 euros. Já a bolsa máxima, cujo valor varia consoante o contexto, será atribuída a todos os estudantes inseridos em agregados abaixo do limiar de pobreza.
Segundo a mesma fonte do Governo, encontram-se nessa situação cerca de 83 mil estudantes, o equivalente a cerca de 27% do universo atual de bolseiros.
Em Lisboa, por exemplo, a bolsa máxima de um estudante deslocado em residência privada poderá atingir os 7.818 euros anuais.
Relativamente ao alojamento, o novo regime garante prioridade de acesso às residências públicas, embora os alunos não sejam obrigados a permanecer nessas estruturas.
Caso optem por uma residência pública, os estudantes receberão um apoio de 160 euros, mais 20% face à comparticipação atual atribuída às instituições de ensino superior.
Se não conseguirem vaga, será considerado no valor da bolsa o custo do alojamento privado, ajustado ao concelho onde estudam.
O novo sistema de ação social aplica-se aos estudantes de cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas, mestrados integrados e mestrados de 2.º ciclo.
Aos bolseiros abrangidos pelo atual regime será aplicado um modelo transitório, com os dois sistemas a funcionar em simultâneo, para garantir que nenhum estudante seja prejudicado.
Nestes casos, se a aplicação das novas regras resultar num valor inferior, o estudante manterá o valor da bolsa atualmente recebido até concluir o curso.
A revisão do sistema de ação social do ensino superior teve por base uma avaliação realizada por investigadores da Universidade Nova de Lisboa, que concluiu que o valor real das bolsas atribuídas aos estudantes carenciados caiu na última década e, em muitos casos, cobre apenas 20% das despesas.
A primeira proposta do Ministério da Educação, Ciência e Inovação tinha sido apresentada em dezembro.
- Noticiário das 17h
- 22 jul, 2026






