Investigação
Líder do PS promete colaborar com a justiça e quer legalidade "em todos os níveis" do partido
28 mai, 2026 - 15:07 • Redação com Lusa
"Quero garantir que tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS, seja a nível local seja nacional", afirmou o líder socialista.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou esta quinta-feira que cooperará com a justiça e tudo fará para que a "legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade" do partido.
"Quero garantir que tudo farei para que a legalidade seja defendida e promovida em todos os níveis de responsabilidade do PS, seja a nível local seja nacional", afirmou o líder socialista.
José Luís Carneiro falava aos jornalistas na Assembleia da República, na sequência da operação da Polícia Judiciária que inclui buscas na sede nacional do PS.
O secretário-geral socialista sublinhou também que as diligências da PJ "não visam o PS", assegurando que o partido vai cooperar com a justiça.
Operação Imergente
Megaoperação da PJ em autarquias faz cinco detidos. PS nega ser visado
Polícia Judiciária faz buscas em várias autarquias(...)
400 inspetores no terreno
A Polícia Judiciária (PJ) realizou esta quinta-feira uma megaoperação, com cerca de 400 inspetores, para investigar suspeitas de "participação económica em negócio, relativa à adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia", avança em comunicado.
Em causa estão crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia. "Em causa estão procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público", lê-se ainda no comunicado.
Em comunicado oficial, a PJ dá conta de que foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos.
Foram cumpridos 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra.
PS nega ser visado na investigação
O Partido Socialista, antes de Carneiro falar aos jornalistas, em comunicado, confirmou que a Polícia Judiciária esteve na sede nacional do partido, "a realizar diligências relacionadas com atividades que são imputadas a um dos seus trabalhadores".
No entanto, frisa que "o Partido Socialista não é, como tal, visado pela investigação da Polícia Judiciária".
No comunicado, o PS diz ainda estar a colaborar com a Polícia Judiciária "em tudo quanto lhe é por esta solicitado, no sentido de assegurar a boa condução das investigações e no respeito integral dos princípios e regras do Estado de direito".
Segundo a CNN, a junta de freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, seria o principal local de interesse da operação. O antigo autarca socialista Miguel Coelho será um dos visados na operação de buscas, por ter alegadamente estabelecido uma rede de antigos candidatos socialistas e contratado 19 empresas da zona de Mafra.
Uma das beneficiárias de contratos por ajustes diretos, ainda segundo aquele canal, será a mulher de Duarte Moral, diretor de comunicação do líder socialista, José Luís Carneiro, e antigo assessor do antigo primeiro-ministro António Costa. A mulher de Duarte Moral terá celebrado contratos com a junta de Santa Maria Maior, por ajuste direto, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022.
Miguel Coelho suspende mandato de deputado municipal em Lisboa
Entretanto, o socialista Miguel Coelho suspendeu o mandato de deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, na sequência de investigações sobre adjudicações, inclusive na Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, dizendo que se defenderá "com a consciência tranquila".
"Perante as notícias que associam o meu nome às diligências realizadas no âmbito da operação Imergente, decidi suspender, com efeitos imediatos, o meu mandato de deputado municipal à Assembleia Municipal de Lisboa", afirmou, em comunicado, o também ex-presidente da junta de freguesia do centro de Lisboa.
A decisão de Miguel Coelho é tomada para que "esta situação não condicione o trabalho do grupo municipal do Partido Socialista, o normal funcionamento da Assembleia Municipal, nem fragilize a muito necessária fiscalização ao executivo municipal", afirmou o socialista, que não se encontra entre os detidos, segundo fonte do grupo municipal.
"Colaborarei, como sempre, com as autoridades competentes, no integral respeito pelo esclarecimento dos factos. Defender-me-ei com a consciência tranquila quanto à minha conduta e com a mesma honradez que sempre procurei colocar no meu percurso cívico e político", concluiu.
Também o PS na Assembleia Municipal de Lisboa, em comunicado, disse que Miguel Coelho decidiu "suspender, com efeitos imediatos, o seu mandato de deputado municipal e, consequentemente, as funções de presidente do grupo municipal".
A decisão, acrescenta-se, "traduz o seu sentido de responsabilidade institucional e a vontade de garantir que nenhuma circunstância pessoal condiciona o trabalho do grupo municipal, o normal funcionamento da Assembleia Municipal ou a fiscalização política ao executivo da Câmara Municipal de Lisboa".
"O grupo municipal respeita plenamente o seu direito à defesa, a presunção de inocência e o trabalho das autoridades competentes no apuramento dos factos", salienta-se na nota, assegurando-se que os socialistas continuarão a "defesa dos melhores interesses dos lisboetas e da cidade".
- Noticiário das 22h
- 13 jun, 2026








