Política
Luísa Neto proposta pelo PS com acordo do PSD como candidata a provedora de Justiça
29 mai, 2026 - 23:16 • Lusa
Eleição para as funções de provadora de justiça está marcada para 12 de junho.
O PSD aceitou a indicação do PS de propor Luísa Neto, atual presidente do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Administração (INA), como candidata a provedora de Justiça, eleição que requer maioria de dois terços no parlamento.
A eleição para as funções de provadora de justiça está marcada para 12 de junho e será a segunda tentativa nesta legislatura no sentido de se eleger uma personalidade para um cargo que está por preencher desde o início da presente legislatura, quando Maria Lúcia Amaral saiu desse lugar para então desempenhar as funções de ministra da Administração Interna, cargo do qual se demitiu no começo deste ano.
Em 12 de abril, numa primeira eleição falhada, o antigo secretário de Estado socialista Tiago Antunes, proposto pelo PS para provedor de Justiça, alcançou um resultado inferior a dois terços, tendo apenas 104 votos favoráveis num total de 230 deputados.
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A nova candidata a provedora de justiça, Luísa Neto, foi nomeada para presidente do INA em 2021 pela então ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, durante o segundo dos três executivos socialistas liderados por António Costa.
É licenciada pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e doutorada pela Universidade do Porto e destacou-se na Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, onde esteve entre 2007 a 2013.
Luísa Neto foi assessora de José Pedro Aguiar-Branco quando o atual presidente da Assembleia da República exerceu as funções de ministro da Justiça no Governo liderado por Pedro Santana Lopes.
Na atual legislatura, o PSD tem 89 deputados, o Chega 60, o PS 58, a IL nove, o Livre seis, o PCP três, o CDS-PP dois, e BE, PAN e JPP um cada. E para que Luísa Neto seja eleita terá de obter uma maioria de dois terços de votos favoráveis, ou seja, 154 num total de 230 deputados.
Se o Chega e a Iniciativa Liberal não votarem favoravelmente – a eleição é feita por voto secreto –, a candidata terá de obter apoio quase total entre os deputados do PSD e das bancadas da esquerda parlamentar.
Montenegro e Carneiro estiveram nas negociações
O líder da bancada socialista afirma que o processo para indicação de candidatos a juízes do Tribunal Constitucional e provedora de Justiça tiveram "interlocução política" do primeiro-ministro e do secretário-geral do PS, além das respetivas lideranças parlamentares.
Na mesma nota de Eurico Brilhante Dias, à qual a agência Lusa teve acesso, refere-se também que os socialistas esperam que os processos eleitorais para a escolha da provedora de Justiça, Luísa Neto, indicada pelo PS, e dos quatro juízes para o Tribunal Constitucional (TC) sejam efetivamente encerrados a bem do funcionamento das instituições da República.
Para a lista conjunta destinada a preencher as vagas no TC, o PSD indicou Joaquim Cardoso da Costa e Paula Ribeiro Faria, o PS Gabriela Cunha Rodrigues e o Chega Luís Filipe Brites Lameiras. Para as funções de provedor de Justiça, o PS indicou como candidata Luísa Neto, nome que teve acordo do PSD.
Nesta nota, o presidente do Grupo Parlamentar do PS refere que, após "um longo processo, a questão em torno do TC está fechada do ponto de vista negocial".
"E, em paralelo, o caso lamentável da Provedoria de Justiça" – uma alusão de Eurico Brilhante Dias ao facto de o primeiro nome apresentado pelo PS, o antigo secretário de Estado Tiago Antunes, não ter alcançado no mês passado os dois terços necessários para ser eleito provedor de Justiça, apesar de o seu nome ter sido acordado com o PSD.
Eurico Brilhante Dias refere depois que, no caso dos quatro candidatos ao TC, o PS "incluirá o nome da magistrada Gabriela Cunha Rodrigues".
"E deu anuência depois de verificar o perfil dos dois nomes que hoje o PSD propôs" – aqui, uma referência do líder da bancada socialista aos dois candidatos indicados pelos sociais-democratas, Joaquim Cardoso da Costa e Paula Ribeiro Faria.
A conclusão deste processo, de acordo com Eurico Brilhante Dias, aconteceu, "naturalmente, depois de interlocução política" do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, com o primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, "e também entre lideranças parlamentares" socialista e social-democrata. "Adicionalmente, o PS propôs o nome da professora Maria Luísa Neto", atual presidente do Instituto Nacional de Administração, para provedora de Justiça.
Um nome que, segundo Eurico Brilhante Dias, "foi sugerido depois de consulta interna e teve parecer positivo de quem trabalhou diretamente com a candidata, em particular alguns dos membros dos governos PS com quem trabalhou mais diretamente."
Ainda relativamente à possibilidade de Luísa Neto ser eleita provedora de Justiça, o líder da bancada socialista assinala: "Foi com satisfação que constato que podemos ter mais uma mulher no Conselho de Estado".
"Espero que se encerrem estes processos, na salvaguarda das instituições da República e do seu bom funcionamento", acrescenta.
Os juízes do Tribunal Constitucional são designados por um período de nove anos, contados da data da posse, mas apenas cessam funções com a posse do juiz designado para ocupar o respetivo lugar, salvo situações como a renúncia.
A eleição dos novos juízes, feita por voto secreto, tem sido sucessivamente adiada desde o início da legislatura.
- Noticiário das 22h
- 20 jul, 2026





