Diretas no PSD
Montenegro vai ser eleito para terceiro mandato no PSD, com a mira "na maioria absoluta"
30 mai, 2026 - 08:10 • Manuela Pires
Sem adversário interno, mas com Passos Coelho a insistir nas críticas à liderança do Governo, o líder do PSD vai de novo a votos no partido. Cerca de 56 mil militantes têm direito de voto nas diretas deste sábado.
É a terceira vez que Luís Montenegro vai a votos no PSD, sem adversário, mas o líder enfrenta as críticas do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que ainda esta semana surpreendeu pela linguagem que usou para falar dos políticos do mainstream.
Aliás, as eleições diretas deste sábado foram marcadas em março, e na sequência das críticas que Passos Coelho estava a fazer à liderança de Montenegro e à falta de reformas que o Governo não é capaz de aplicar.
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Luís Montenegro decidiu antecipar as eleições quando há dois anos as diretas realizaram-se em setembro de 2024. No Conselho Nacional, o líder do PSD surpreendeu os militantes e desafiou Passos Coelho a ir a votos, o que levou o antigo primeiro-ministro a avisar: “Não estou candidato a coisíssima nenhuma. Escusam de perder tempo”, mas para acrescentar: “No dia em que quiser candidatar-me eu digo. E candidato-me”.
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Este sábado, cerca de 56 mil militantes têm direito de voto, são mais 15 mil do que nas últimas diretas porque a alteração dos estatutos permite o voto a todos os que tenham uma quota paga nos últimos dois anos, ao contrário do que acontecia até aqui em que era necessária uma quota válida no mês das diretas.
Luís Montenegro venceu pela primeira vez as diretas a 28 de maio de 2022, com 72% dos votos, contra Jorge Moreira da Silva. Há dois anos e já como primeiro-ministro, foi reeleito com 97% dos votos e com a abstenção a rondar os 60%.
As eleições diretas para eleger o presidente da Comissão Política Nacional do PSD ocorrem em simultâneo com a eleição dos delegados ao 43.º Congresso Nacional, que se realiza a 20 e 21 de junho, no Velódromo de Sangalhos, em Anadia.
As distritais com mais militantes e que vão eleger mais delegados são o Porto com 105 delegados, Braga com 88 e Lisboa com 70 delegados. Seguem-se Aveiro com 50, Coimbra 47 e Viseu 41 delegados.
Moção do líder recupera slogan de Cavaco Silva
Para a moção com que se recandidata a um novo mandato “Trabalhar - Fazer um Portugal Maior”, Luís Montenegro vai buscar o slogan de Cavaco Silva na campanha, para dizer que mantém o compromisso de não fazer qualquer acordo de Governo nem com o Chega nem com o Partido Socialista, mas para avisar também que é um absurdo falar de “cercas sanitárias no Parlamento”.
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Luís Montenegro deixa também um aviso aos dois maiores partidos da oposição que não podem estar constantemente a bloquear a ação governativa, porque do lado do PSD o objetivo é “dialogar e negociar com todos os partidos políticos e de forma particular procurar a não objeção ou bloqueio de pelo menos um dos dois maiores partidos da oposição”.
Em Sintra, durante a apresentação da candidatura, o primeiro-ministro pediu ao PSD para se concentrar na governação e deixou claro que ainda acredita numa maioria absoluta: “Maioria absoluta é ter metade dos votos mais um. Nós ainda estamos com esse objetivo na nossa mira."
Mas, por enquanto, o PSD precisa do Chega ou do PS para aprovar as propostas do Governo e Montenegro aproveitou a apresentação da candidatura à liderança do PSD para avisar os dois maiores partidos da oposição que têm de cumprir as promessas eleitorais de estabilidade política e de entendimentos pontuais.
“Nós estamos aqui para cumprir aquela que é vontade do povo. O povo disse à AD, ao PSD, cabe governar. E o povo disse aos outros, cabe terem uma representação no Parlamento, em que nos dois maiores partidos da oposição um deles, pelo menos, tem de viabilizar aquilo que são as propostas do governo”, referiu Luís Montenegro.
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