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Visita ao Luxemburgo

Seguro distingue: identificar problemas não é o mesmo que "fazer críticas"

05 jun, 2026 - 20:49 • Tomás Anjinho Chagas (enviado ao Luxemburgo)

Presidente da República não quer comentar novas mudanças nas prestações sociais, nem as negociações da reforma laboral. Sobre as declarações em que a "bomba-relógio" que alertou no envelhecimento em Portugal, o chefe de Estado diz que não são críticas ao Governo, servem para identificar problemas. Seguro está no Luxemburgo e ouviu um emigrante, a quem assinou uma bandeira portuguesa. Pediu-lhe que Portugal olhe para o Luxemburgo como exemplo no setor dos transportes e na Saúde.

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O Presidente da República garante que nem sempre está a dirigir críticas ao Governo sempre que identifica problemas no país.

António José Seguro iniciou esta sexta-feira uma visita oficial ao Luxemburgo. E foi questionado sobre as recentes declarações em que alertou para a "bomba-relógio" do envelhecimento em Portugal. O chefe de Estado garante que estava apenas a chamar a atenção para a realidade.

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"Não esconderei nenhuma realidade e direi em voz alta o que considere importante Isso não significa que eu esteja a fazer críticas a A,B ou C. Significa que há um problema e que temos de resolvê-lo", afirmou o Presidente.

As declarações surgem também pouco tempo depois de lançar um relatório em que lamenta o excesso de improviso do Estado na resposta às tempestades que assolaram o centro do país – e que muitos leram como sendo uma crítica ao Governo de Luís Montenegro.

Seguro garante que vai continuar a fazer "chamamentos" e chamadas de atenção sobre vários problemas, mas assegura que isso não deve ser sempre analisado como uma crítica a alguém em concreto.

O Presidente aproveitou para voltar a pedir estabilidade política para se conseguirem implementar soluções para resolver esses problemas: "O país não aguenta com legislaturas encurtadas e mudanças de políticas permanentemente".

Sobre os mais recentes desenvolvimentos na negociação da reforma laboral, o Presidente da República não quis pronunciar-se.

"Há um processo que vai começar a decorrer no Parlamento e o Presidente não se vai imiscuir nessa discussão, vai esperar pelo seu tempo", afirma António José Seguro.

Questionado pela Renascença se ficaria preocupado em ver a reforma laboral aprovada à direita (sem o PS), o chefe de Estado respondeu, novamente, de forma lacónica: "Este é o tempo do Parlamento".

"Já cá estou há 20 anos praticamente e não consegui votar"

O Presidente da República iniciou esta sexta-feira uma visita de três dias oficiais ao país, é a primeira em que vai ter a companhia de Luís Montenegro.

Ao final da tarde, o chefe de Estado foi à Embaixada de Portugal no Luxemburgo onde teve uma reunião com empresários portugueses e lusodescendentes.

À entrada para a embaixada, António José Seguro foi recebido por um português que está a viver no país há quase 20 anos. Pedro Teixeira trazia consigo uma bandeira portuguesa com várias assinaturas e pediu um autógrafo ao Presidente.

Seguro agarrou na bandeira e respondeu: "Com muito gosto, vou escrever aqui no verde da esperança".

Pedro Teixeira agradeceu, mas deixou um pedido: "Queria que fizesse alguma coisa pelo nosso Portugal e aprendesse alguma coisa com o Luxemburgo".

O Presidente da República retorquiu: "É isso que fazemos na vida, aprender uns com os outros".

A bandeira, que agora conta com a assinatura de António José Seguro, já tem autógrafos de outros protagonistas: Aguiar-Branco, cardeal Américo Aguiar, Cristiano Ronaldo e o ciclista Rui Oliveira.

Desanimado com o país que o viu crescer, empurra os portugueses a aprender com os exemplos de países mais desenvolvidos, como o Luxemburgo: "Saúde, transportes e um bocadinho de tudo".

Pedro Teixeira assume que veio para o país "à procura de novas oportunidades" e admite que tem vindo a perder "toda a consideração pelos políticos", que acusa de só verem "negócios".

Sobre a visita de António José Seguro, este emigrante apela a uma mudança no sistema eleitoral: "Já cá estou há 20 anos praticamente e não consegui votar porque não estou nos cadernos".

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