Seguro e Montenegro alinhados "completaram-se" no Luxemburgo
07 jun, 2026 - 18:33 • Tomás Anjinho Chagas
Presidente e primeiro-ministro estrearam-se em visitas conjuntas. Estiveram com crianças e emigrantes, num tom sóbrio - como é típico dos dois - e abiram um novo ciclo de convivência entre Belém e São Bento, mais previsível e frio. Até nas fintas aos jornalistas se uniram.
A bandeira portuguesa é um símbolo nacional. Na visita ao Luxemburgo, foi também uma oportunidade para o Presidente assegurar que o seu papel se "completa" com o do primeiro-ministro.
À chegada ao primeiro ponto da agenda em que estão juntos, Luís Montenegro e António José Seguro são rodeados por crianças, todas elas falantes de português.
"Quantos anos é que vocês têm?", pergunta o primeiro-ministro. As respostas surgem num português perfeito, mas atropelam-se: "Oito! Seis! Nove!", dizem alguns deles, com bandeiras portuguesas e luxemburguesas nas mãos.
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A pequena conversa com os mais novos dá tempo ao Presidente da República de chegar. António José Seguro junta-se ao diálogo. "Falam português e mais quantas línguas?", pergunta.
Ouve-se de tudo: "Francês! Alemão! Luxemburguês! Inglês!". E o Presidente assume: "Eu e o primeiro-ministro não sabemos falar tantas". Montenegro ri-se e concorda.
Poucos metros à frente surge Pedro Teixeira, homem que traz uma enorme bandeira portuguesa nas mãos e um marcador. O seu rosto não é estranho: já tinha intercetado o Presidente na última sexta-feira e, nessa altura, pediu-lhe um autógrafo.
António José Seguro assinou no lado verde, "o da esperança", da bandeira que já tinha recolhido os autógrafos de Cristiano Ronaldo, Aguiar-Branco, do Cardeal Américo Aguiar e do ciclista Rui Oliveira.
Chega a vez de Luís Montenegro. Pega na bandeira e pergunta ao dono: "Onde é o melhor sítio?". Pedro responde: "Onde quiser" e acrescenta que o Presidente tinha escolhido o verde. Montenegro reage: "Então vou aqui para o lado vermelho".
Seguro comenta: "Está a ver? Assim completamo-nos!". E Montenegro alinha: "É assim que tem de ser."
O momento é de comunhão e até Pedro Teixeira incentiva: "Deixei de acreditar há muito tempo na política, mas acredito que dois homens podem fazer a diferença." Os dois homens são o Presidente da República e o primeiro-ministro, que iniciaram nos últimos meses a sua convivência institucional.
"Estamos aqui para isso", assente Montenegro.
Mais tarde, num encontro com a comunidade portuguesa na enorme sala de espetáculos Filarmónica do Luxemburgo, António José Seguro garantiu estar "muito grato" por ter Montenegro "ao seu lado".
O pedido de regresso a Portugal
O tom de alinhamento mantém-se mais à frente. Perante centenas de portugueses, na Filarmônica do Luxemburgo, Luís Montenegro apelou ao regresso dos emigrantes e lusodescedentes.
"Portugal precisa de todos vós e nós contamos muito convosco para o nosso futuro. Seja esse futuro construído aqui no Luxemburgo, seja esse futuro construído no regresso que ambicionamos muitos possam ter a Portugal, seja esse futuro construído com as famílias que partilham uma presença quer em Portugal, quer no Luxemburgo”, diz o Chefe de Governo.
E pouco depois, António José Seguro fez o mesmo: "Portugal é um país que quer de receber de volta os seus".
Apesar de repetir o que já tinha dito em Madrid e avisar que o país "é um país extraordinário para se viver, deve ser também um país extraordinário", o Presidente faz o mesmo desafio à comunidade portuguesa a viver no Luxemburgo.
Alinhamento e cooperação institucional
O protocolo é para ser seguido à risca. A dupla Seguro-Montenegro é radicalmente diferente da dupla Marcelo-Costa. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa conviveram vários anos numa relação intensa e com momentos de tensão. As visitas conjuntas eram marcadas por momentos expontâneos, sobretudo alavancados pelo então Presidente da República no seu estilo inconfundível.
Agora, Belém e São Bento vivem uma bova era. Os dois protagonistas preferem ambientes controlados e previsibilidade. No final da visita de três dias ao Luxemburgo, nem António José Seguro nem Luís Montenegro quiseram falar aos jornalistas.
A estreia em viagens conjuntas contrasta claramente com a primeira visita feita entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, em que os dois demonstraram cumplicidade e alguma dose de improviso.
Em momentos como este, habitualmente, o Presidente da República e o primeiro-ministro fazem uma conferência de imprensa conjunta de balanço. Na primeira que fizeram juntos fintaram a comunicação social.
A visita ao Luxemburgo comprova o que tem sido prometido por António José Seguro, que garantiu na campanha que iria ter solidariedade institucional se fosse eleito.
No primeiro dia de visitas, o Chefe de Estado até aproveitou uma pergunta dos jornalistas para assegurar que nem todos os seus avisos devem ser lidos como críticas, aliviando alguma tensão que possa ter sido causada pelo relatório do Presidente sobre as tempestades e a presidência aberta na zona centro, em que alertou várias vezes que os apoios deviam chegar mais depressa.
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