ENTREVISTA RENASCENÇA
Para Bolieiro, o 10 de Junho na Terceira é "sem dúvida" sinal aos EUA: "Portugal é um aliado fiável"
09 jun, 2026 - 06:30 • Susana Madureira Martins
Arrancam esta terça-feira, nos Açores, as comemorações do 10 de junho, com a participação do Presidente da República e do primeiro-ministro. À Renascença, o presidente do governo regional, José Manuel Bolieiro, congratula-se com a escolha da ilha Terceira, sede da base das Lajes, numa altura em que a América começa a retirar os contingentes militares da Europa.
José Manuel Bolieiro agradece ao Presidente da República, António José Seguro, ter escolhido a ilha Terceira como palco para a segunda fase das comemorações do 10 de Junho, após a deslocação ao Luxemburgo para visitar a comunidade portuguesa ali residente.
“Cala fundo nos açorianos”, admite o líder do Governo regional em entrevista à Renascença, que diz não ter dúvidas que a escolha mostra que “Portugal é um aliado fiável” dos Estados Unidos da América.
Questionado sobre o sinal que é dado pelo Presidente da República com esta escolha da Terceira, onde está situada a base das Lajes, Bolieiro diz não ter dúvidas que a ilha “é verdadeiramente reguladora de uma participação pela paz e de assunção com o valor político e o geopolítico de Portugal no quadro da paz e das suas alianças históricas com a NATO, com os Estados Unidos da América”.
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Em relação à base das Lajes, José Manuel Bolieiro, que tem defendido a revisão do acordo de Portugal com os Estados Unidos da América, regista que o Presidente da República já veio defender o mesmo enquanto candidato a Belém, mas ressalva que “há tempos para a oportunidade de qualquer negociação”.
Que significado atribui à escolha dos Açores pelo Presidente da República para as comemorações do 10 de Junho?
A escolha dos Açores pelo Presidente da República para a celebração deste ano do Dia de Portugal de Camões e das Comunidades, cala fundo nos açorianos. Nós sentimos esta oportunidade como verdadeiramente estratégica, nós valorizamos o país na sua condição de ator da geopolítica global, muito por força da geografia que os Açores representam para o país, e estamos de braços abertos para acolher uma celebração com sucesso do dia de Portugal de Camões e das Comunidades em 2026.
Nós consideramos a nossa identidade de povo e de território como de paz, de cosmopolitismo e de ligação com o mundo ocidental. Envolve, aliás, três continentes, três civilizações muito importantes, a europeia, a americana e a africana e, por isso, creio que foi muito bem escolhido por parte do Sr. Presidente da República esta geografia na Ilha Terceira e nos Açores. Quero, aliás, deixar uma palavra aqui expressa de congratulação pela escolha que fez.
E quanto ao facto de a escolha ter recaído nesta ilha específica que é a Terceira?
Desde logo, é uma referência do universalismo dos Açores e de Portugal e da ligação dos compromissos que Portugal tem historicamente com os seus aliados pela paz e, sobretudo, por uma referência de um relacionamento também bilateral com os Estados Unidos. A história da geografia dos Açores e, em particular, da Ilha Terceira é verdadeiramente reguladora de uma participação pela paz e de assunção com o valor político e o geopolítico de Portugal no quadro da paz e das suas alianças históricas com a NATO, com os Estados Unidos da América e a favor desta universalidade com que Portugal sempre se apresentou ao mundo.
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Vê aqui um sinal que é dado às autoridades internacionais, nomeadamente, aos Estados Unidos?
Sem dúvida e, aliás, também a demonstração de que Portugal é um aliado fiável e promotor da paz. Aliás, não é também por acaso, felizmente, coincidentemente, tivemos recentemente a eleição, e isto é revelador do reconhecimento do papel de Portugal no contexto da eleição como membro rotativo do Conselho de Segurança das Nações Unidas e muito fruto também, obviamente, da projeção atlântica que Portugal representa, em particular devido aos Açores.
O que é que essa eleição para o Conselho de Segurança das Nações Unidas pode trazer aos Açores?
Primeiro, o prestígio internacional de Portugal e o reconhecimento do valor geopolítico dos Açores no quadro da expressão territorial de Portugal e da União Europeia e, por isso, é muito importante nós sermos agentes da paz e da confirmação da aliança leal que estamos num quadro também de segurança e defesa globais.
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E este é também um sinal à União Europeia sobre as regiões ultraperiféricas?
É, sem dúvida, também tem este valor estratégico e, por isso, renovo o meu reconhecimento desta escolha do Presidente da República, porque também é oportuno, agora numa fase em que uma parte do investimento público deve ser desenvolvido por razões de desenvolvimento e crescimento económicos, mas também por razões de Segurança e Defesa, investimentos em infraestruturas que possam ter um duplo uso e, com isso, assegurar a valorização do território de Portugal e, em particular, dos Açores, que, obviamente, precisa, não há que esconder, de apoios e tem necessidades para o seu desenvolvimento e crescimento económicos com investimentos fundamentais em infraestruturas de mobilidade, em infraestruturas de Saúde e de Educação, de ligação com o duplo uso que pode ter para o país e para a União Europeia, para a NATO e para as responsabilidades internacionais de Portugal.
Estas comemorações realizam-se onde está sedeada a base das Lajes sempre tão cobiçada e envolvida em polémica devido à sua utilização. Espera que o Presidente da República se pronuncie sobre isso?
Não posso nem devo antecipar as mensagens que o Presidente da República entender por bem passar no seu discurso do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, no entanto, sei, porque foi expresso pelo próprio, em termos públicos, da razão da sua escolha, também a de valorização de Portugal e, em particular, dos Açores no seu potencial geopolítico na atualidade e, portanto, eu fico muito congratulado com esta opção e os Açores, obviamente, se sentem reconhecidos por esta atitude do Presidente da República.
Este Presidente da República já defendeu, enquanto candidato a Belém, que o acordo que rege a base das Lajes deve ser revisto e atualizado “à luz da nova geopolítica global e das relações transatlânticas que o país mantém com os Estados Unidos”. Espera que António José Seguro regresse a essa posição neste 10 de Junho?
As posições e as convicções não se apagam consoante as circunstâncias, e, portanto, estou convicto de que esta posição do Presidente da República é estrutural e estruturante. No entanto, também é preciso reconhecer que há tempos para a oportunidade de qualquer negociação e creio que isso é, obviamente, uma matéria que deve estar em perfeita sintonia entre todos os órgãos de soberania.
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