10 DE JUNHO
Seguro considera que “não é este o momento” para abordar revisão do acordo da base das Lajes
09 jun, 2026 - 15:29 • Susana Madureira Martins
O Presidente da República já está na ilha Terceira para participar nas comemorações do 10 de junho. Em Angra do Heroísmo e após a visita à residência da representante da República nos Açores, António José Seguro abordou a relação com o primeiro-ministro e diz que “tem havido uma boa articulação” quando se completam três meses de mandato em Belém.
Conhecida a posição que tem de abertura a uma revisão do acordo sobre a Base das Lajes, António José Seguro evita o tema e mostra-se agora mais cauteloso em relação a essa possibilidade. Em declarações aos jornalistas na ilha Terceira, onde chegou esta terça-feira para participar nas comemorações do 10 de junho, o Presidente da República referiu que “não é este o momento” para falar sobre o tema.
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“Nós estamos aqui para celebrar Portugal, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, teremos muito tempo para falar sobre essas matérias”, acrescentou ainda Seguro, após ter sido recebido na residência da representante da República nos Açores, em Angra do Heroísmo e confrontado pela abertura de rever o acordo com os Estados Unidos da América por parte do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, em entrevista à Antena 1.
Questionado sobre a posição do Governo em relação à utilização da Base das Lajes pela América, Seguro insistiu que “este não é o momento para falarmos dessas situações, este é um momento para celebrarmos Portugal, é um momento de união do nosso país. Teremos com certeza tempo e oportunidade para nos referirmos a esses aspetos”, disse o Presidente, não revelando em que momento a discussão poderá acontecer.
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Seguro, que escolheu a ilha da Terceira para comemorar o 10 de junho, justifica que a escolha se baseou no aniversário das autonomias regionais, que considera “importantes” para o “desenvolvimento equilibrado do nosso país e para garantir a coesão nacional”.
“A unidade nacional, a União dos Portugueses, é uma das minhas principais preocupações e essa é também uma das razões pelas quais escolhi realizar o 10 de junho, celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades aqui no Arquipélago dos Açores e mais concretamente na Ilha Terceira”, justificou ainda o Presidente, que deu ainda a garantia de que “todos os dias” afirma a soberania de Portugal em “qualquer canto do nosso país”.
Num contexto internacional em que se assume que a política de alianças está a alterar-se, Seguro diz que está na Terceira para “afirmar a nossa soberania, a defesa da nossa independência nacional”, considerando tratar-se de “uma das tarefas mais nobres e mais exigentes” de um Presidente da República.
Relações com os Estados Unidos, mas também com Canadá e Mercosul
Defensor das relações transatlânticas e da manutenção da relação com a América, independentemente da administração, o Presidente da República considera que se deve promover essas relações “a todos os níveis”, que vão do económico ao comercial e à segurança.
Mas a relação transatlântica não se deve ficar pelos Estados Unidos, defende o Presidente, que fala numa diversificação de relações no continente americano.
“Devemos ter uma visão mais alargada também em relação ao Atlântico, não olhar apenas para os Estados Unidos da América, olhar também para o Canadá, olhar para o Mercosul. Nós temos uma vocação universalista e nós devemos dar expressão a essa vocação através de cooperações muito concretas”, diz Seguro.
Por outro lado, Seguro defende a autonomia estratégica da Europa, “designadamente, em matéria de segurança e defesa” e acredita que as duas dimensões “são perfeitamente complementares”.
“Boa articulação” com primeiro-ministro
Nestas primeiras declarações aos jornalistas à chegada à ilha da Terceira, Seguro foi ainda questionado sobre as relações com o primeiro-ministro, após ter dito, na deslocação aos Luxemburgo, que ambos se “completam”. O Presidente densifica agora essa afirmação e considera “evidente” que tem uma “responsabilidade muito grande de criar condições para que os governos, e neste caso concreto este Governo, tenha, do ponto de vista político e social, condições para executar o seu programa”.
Seguro sempre afirmou que a estabilidade política seria uma das suas bandeiras e explica que “é assim que os países avançam com a possibilidade de quem legitimamente é escolhido pelos portugueses poder concretizar as suas ideias”.
Sobre a relação com o primeiro-ministro, Seguro garante que tem havido uma “boa articulação, boas reuniões de trabalho que temos tido semanalmente, e naturalmente isso corresponde àquilo que eu também assumi como compromisso com os portugueses, de ser um Presidente acima de todos os partidos, um Presidente de equilíbrio”.
Fazendo um breve balanço do seu próprio mandato como Presidente da República, de que cumpriu esta semana três meses, Seguro diz que veio para “equilibrar o sistema político”, revelando-se “feliz” porque nestes três meses após a posse tem “conseguido”, rematando: “É a avaliação que eu faço”.
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