Aliança Atlântica
Montenegro não viu “rancor” em Trump na cimeira da NATO
08 jul, 2026 - 08:24 • João Carlos Malta
Na terça-feira, Trump voltou a manifestar as pretensões de controlar a Gronelândia. O primeiro-ministro mostrou solidariedade com a Dinamarca e não estará em causa “de maneira nenhuma” a integralidade territorial de nenhum estado-membro da NATO
O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, diz que independentemente das declarações e do contexto em que foram proferidas, não estará em causa “de maneira nenhuma” a integralidade territorial de nenhum estado-membro da NATO. Uma referência clara às declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, à chegada à Turquia para a cimeira a Aliança Atlântica.
Montenegro, em declarações aos jornalistas no segundo dia da cimeira da NATO, que decorre em Ancara, disse ainda não ver qualquer rancor de Donald Trump.
Na terça-feira, Trump voltou a manifestar as pretensões de controlar a Gronelândia, ameaçando mesmo “tirar os soldados todos da Europa”.
O Presidente dos EUA entende que as pretensões em relação à Gronelândia “não prejudicam” a sua “relação com a NATO”, e passa as responsabilidades para a própria Dinamarca, que tem defendido a sua soberania e a do seu território autónomo.
“A Dinamarca não ajuda a Gronelândia, não gasta lá dinheiro, mas é uma parte importante para os EUA, porque está cercada por navios chineses e russos”.
O primeiro-ministro questionado sobre se não havia desilusão, e questões por resolver, respondeu que “naquilo que já me pude aperceber dos trabalhos até ao momento, não parece que haja razão para dizer isso”.
Sem dúvidas sobre "integralidade territorial de todos os estados-membro”
Ainda assim, disse que há solidariedade com Copenhaga e com “o princípio de salvaguarda da integralidade territorial de todos os estados-membro”.
“Repito, se o fazemos com um contexto externo, é óbvio que em primeiro lugar devemos salvaguardá-lo também no contexto interno, é aquilo que acontece”, remata.
Por isso, Montenegro crê que esta é uma cimeira onde será assumida a unidade da Aliança Atlântica, porque o respeito e a manutenção da prevalência do artigo 5º (estabelece o princípio da defesa coletiva: um ataque armado contra um ou mais Estados-membros, na Europa ou na América do Norte, é considerado um ataque contra todos) é um “elemento absolutamente crucial da solidariedade e da partilha da política de segurança e defesa de todos os 32 Estados-membros da NATO”.
O líder do governo português mostrou-se ainda orgulhoso de Portugal, em 2025, ter “cumprido o objetivo de ter um investimento em defesa superior a 2%”, “na sequência daquilo que tinha sido o nosso compromisso assumido na última cimeira”.
“Estamos numa trajetória de cumprimento, o que acontece pela primeira vez desde 2014”, sublinhou.
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Por isso considera que Portugal “está à altura da sua responsabilidade enquanto parceiro” e, por isso espera que, no âmbito da Aliança, “os nossos interesses possam ser acautelados, nomeadamente no que diz respeito à segurança marítima, que é uma área na qual temos redobrado empenho na defesa do nosso território”.
Por fim, Montenegro diz que esta “cimeira reitera o apoio à Ucrânia” e que, com isso, “podemos expressar também a vontade de materializar no terreno todo o apoio militar, político e económico à Ucrânia”.
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