Henrique Neto: "Que país é este onde a Presidência não usa a pedagogia do exemplo?"
19 jan, 2016 - 16:55
O militante do PS e empresário afirma que tem uma estratégia para o país e que a conseguirá impor a partir de Belém caso seja Presidente.
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O candidato à Presidência da República Henrique Neto arroga-se como o único que tem experiência de vida e um projecto claro para o país. “Os outros candidatos nunca pensaram nisso”, diz o militante do PS numa breve entrevista à Renascença, esta terça-feira.
“Eu tenho um projecto que foi escrito e apresentado ao país há anos. Esse projecto é coerente, permite o crescimento económico, permite o emprego, permite uma relação com a União Europeia muito diferente daquela que existiu. E não esqueçamos que o Presidente da República tem poderes particulares na direcção das relações externas do país”, afirma Neto.
Mas como é que é possível impor um projecto executivo a partir de Belém? “Quem governa é o conjunto da sociedade. Não é só o Governo que governa. As empresas governam, a economia depende das empresas. Uma visão estratégica ajudará as empresas e os governos, naturalmente, a terem uma visão do que vai ser o seu futuro para poderem acreditar nesse futuro, em vez de acontecer aquilo que tem acontecido, que é uma navegação à vista, políticas inconstantes, cada Governo chega ao poder e altera as políticas do Governo anterior”, responde o candidato.
Henrique Neto acrescenta ainda que o Presidente da República tem poderes constitucionais para tal, através de mensagens à Assembleia da República, e das conversas que tem com o primeiro-ministro e com o Governo. “Pode presidir a um Conselho de Ministros e pode principalmente ter a pedagogia do exemplo, quer junto do Governo, quer junto da sociedade”, exemplifica.
Henrique Neto elogia-se pelo facto de ter feito há 25 anos um conjunto de advertências aquando da entrada de Portugal na União Europeia. Isso dá-lhe uma reforçada “moral e poder” junto da União Europeia e argumentos para poder antever o que acontecerá também no futuro.
“Hoje há muitos problemas previsíveis no âmbito da UE e de que Portugal devia estar a falar: um é a competitividade fiscal. Portugal não pode pagar a sua dívida se as empresas continuarem a pagar impostos em offshores ou paraísos fiscais”, começa a enumerar.
“Em segundo lugar, a política comercial externa, nomeadamente a China e outros bloco. A Alemanha tem uma estratégia de defesa dos seus produtos junto dos outros blocos mundiais que não há relativamente aos produtos portugueses”, prossegue.
Confrontado com a notícia segundo a qual Cavaco Silva poderá acumular as pensões que recebe com 80% do vencimento como Presidente da República, Henrique Neto reage com "preocupação". "Que país é este onde a Presidência não usa o instrumento mais poderoso de um político, que é a pedagogia do exemplo?"
"Tenho receio em relação aos candidatos do sistema, que nunca se distanciaram das piores práticas do Estado português e dos governos, nomeadamente na época do engenheiro Sócrates”, remata.
A Renascença fez esta segunda e terça-feira uma série de pequenas entrevistas aos candidatos à Presidência da República. Paulo Morais, Maria de Belém Roseira,Cândido Ferreira, Jorge Sequeira, Edgar Silva, Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa foram entrevistados em vários noticiários.
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