Há os jovens “hiperpolitizados” e os que não querem saber de política
21 jan, 2016 - 18:59
Especialistas dizem que as eleições presidenciais não estão a despertar o interesse do eleitorado mais jovem.
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O cenário é bipolarizado: há jovens que se interessam muito por política e outros que não mostram qualquer interesse pelo fenómeno. É Maria José Brites, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade do Minho e autora de estudos sobre a participação política, que o diz.
Maria José Brites olha para a campanha para as eleições presidenciais e conclui que os jovens não mostram interesse na disputa. Já José Miguel Bettencourt, autor do livro “Jovens e a Política” (2015) e investigador do Observatório Político, da Universidade Nova de Lisboa, acredita que existe algum interesse juvenil nas presidenciais, que se demonstra sobretudo nas redes sociais.
Para Maria José Brites, “há jovens que se interessam por política”, mas o cenário é bipolarizado: há jovens “hiperinteressados” (em Outubro de 2014, o jornal “i” revelou que há cerca de 108 mil jovens inscritos em juventudes partidárias) e outros que não mostram interesse.
Há cerca de 1,4 milhões de pessoas entre os 18 e os 29 anos recenseadas nos cadernos eleitorais, segundo os números do portal de estatística Pordata. Segundo a investigadora, a maioria dos jovens “sentem-se afastados dos espaços de decisão politica” por “sentirem que não têm voz”.
Para melhorar a ligação dos jovens à política, a investigadora Maria José Brites sugere que se crie “uma disciplina curricular para compreender melhor como o sistema político funciona”.
José Miguel Bettencourt reconhece que “o interesse dos jovens na política é manifestamente diminuto”. “Há claramente uma falha no conhecimento do funcionamento do Estado, dos partidos e da democracia”, acrescenta. Mas há esperança: “Os jovens admitem participar na política num futuro próximo, mas sentem-se ausentes hoje”.
Num estudo de 2015, elaborado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa para a Presidência da República, são revelados dados sobre a participação dos jovens na vida política.
Na publicação, intitulada “Emprego, mobilidade, política e lazer: situações e atitudes dos jovens portugueses numa perspectiva comparada", lê-se que em 2007 menos de 15% dos jovens entre os 15 e os 34 anos pertencia a um partido político. O número desceu para 4% em 2015.
Em 2007 menos de 15% dos jovens inquiridos entre os 15 e os 34 anos mostrava “muito interesse” no mundo político. Em 2015, esse número desceu para 4%.
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