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Presidenciais 2016

O meu primeiro Presidente

21 jan, 2016 - 12:00 • Dina Soares , Joana Bourgard

É a primeira vez que o Bernardo, a Maria e o Bruno são chamados a escolher o Presidente da República. Um momento que encaram com solenidade e entusiasmo, contrariamente a muitos dos seus amigos, que acham que a política é coisa de velhos e olham para o voto como um ritual que não merece a pena cumprir. E se, na escolha dos candidatos, tudo os divide, na importância que atribuem ao voto falam a uma só voz: votar é um direito do qual ninguém deve abdicar.

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Bernardo Alvim estuda na Faculdade onde Marcelo Rebelo de Sousa é professor

Bernardo Alvim tem 18 anos. Nas eleições mais recentes, as legislativas, falhou a ida às urnas por dois dias. Agora, não vê a hora de entrar na cabine de voto e pôr a cruz no quadradinho ao lado da foto de Marcelo Rebelo de Sousa. “Sempre disse que se o professor Marcelo Rebelo de Sousa se candidatasse, votaria nele. Mesmo assim, procurei saber o que pensam os outros candidatos, vi todos os debates e alguns tempos de antena. "Agora sei porque quero votar Marcelo", explica o jovem estudante do primeiro ano de Direito da Universidade de Lisboa.

Bernardo interessa-se por política desde muito novo. Aos 11, 12 anos já via os tempos de antena na televisão, aos 14 anos inscreveu-se na juventude do CDS. A política faz parte das conversas entre amigos, quer os que pensam como ele, quer os que defendem ideias diferentes. A admiração por Marcelo – que seguia religiosamente todos os domingos na TVI – levou-o mesmo a ir assistir a algumas aulas do professor com os alunos do segundo ano. “Não vou poder dizer que ele foi meu professor mas posso dizer que o vi dar aulas”.

Mesmo assim, não esconde alguma admiração por Sampaio da Nóvoa, antigo reitor da sua universidade, e que não conhecia antes desta aventura presidencial. “Acho que ele esteve bem nos debates, melhor do que eu esperava, e admiro a sua militância cívica porque acredito que também se pode, e deve, fazer política fora dos partidos”. Já Maria de Belém não lhe merece grande consideração: “Muitos ataques pessoais e poucas ideias”.

Mais do que votar em Marcelo, Bernardo faz tudo para convencer os amigos da importância de ir às urnas. Um direito que, em seu entender, deve ser exercido a partir dos 18 anos e não antes. “A ideia de permitir o voto aos 16 anos não faz sentido, até porque o que vemos é que a maioria das pessoas só ganha consciência do que está em jogo alguns anos depois. Pode haver jovens com consciência política aos 16, mas não me parece significativo”. Bem-disposto, divertido e com grande à-vontade, Bernardo Alvim faz lembrar um Marcelo em versão adolescente e, tal como o seu ídolo, não despreza a possibilidade de vir a seguir uma carreira política: “Não ponho de lado a ideia. Sempre gostei de política e acho que gostava de escolher esse caminho”.



Uma admiração que nasceu no Liceu Camões

Foi no Liceu Camões que Maria Lorena, hoje com 20 anos, conheceu Sampaio da Nóvoa. A prestação do antigo reitor deixaram-na encantada por isso, mal soube da candidatura, não hesitou no apoio. Maria estuda Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Nova de Lisboa. Os seus amigos, sobretudo os colegas de curso, seguem a política com atenção, o que não acontece com a generalidade dos jovens. “O desinteresse dos mais novos é igual ao desinteresse da população em geral, cada vez mais afastada da política”.

Maria Lorena é aluna de Ciência Política e Relações Internacionais na Universidade Nova

Para Maria, a estreia na escolha do presidente da República é um momento importante, até porque tem consciência de que “o voto é a ferramenta base da democracia e da nossa representação enquanto cidadãos. Apesar de termos outras formas de nos exprimirmos, continua a ser o voto que nos liga ao poder”. Por isso, nunca perde uma oportunidade para mobilizar os mais novos para a importância de votar .

Espectadora atenta da campanha, esta estudante de Ciência Política não está muito satisfeita com a forma como os candidatos estão a levar a sua mensagem aos eleitores. “A campanha não está a ser muito rica em termos de ideias e de mobilização. Acho até um pouco folclórica. Os debates foram importantes mas o resto não”.

Na sua opinião, a excepção a este vazio de ideias é mesmo Sampaio da Nóvoa. “Se ganhar, como espero, vai ser um chefe de Estado de um novo tempo. Tanto a nível interno, onde o alargamento do espectro político obriga à busca de consensos, como no plano internacional, onde a proliferação de conflitos exige um presidente de causas e que perceba o potencial que Portugal pode ter no mundo”.



O aspirante a reinador e a candidata a árbitra

Bruno Lima quer ser treinador de futebol. Estudante do primeiro ano do curso de Ciências do Desporto, está agora a fazer os seus primeiros exames, o que lhe deixa pouco tempo para outros temas. Mesmo assim, sempre que pode, acompanha a campanha eleitoral. “É uma eleição importante porque estamos a escolher o representante máximo do nosso país. É preciso ouvir todos os candidatos e depois decidir de acordo com o que cada um propõe para o futuro de Portugal”.

Bruno Lima estuda Ciências do Desporto e quer ser treinador de futebol

Foi o que fez e já decidiu. O seu voto vai para Maria de Belém. A campanha da antiga presidente do PS e a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa são as que mais têm merecido a atenção deste estudante de 20 anos. “Marcelo e Maria de Belém são os candidatos mais conhecidos e, numa eleição para Presidente da República, a notoriedade é muito importante. Acredito que são estes dois candidatos que vão passar à segunda volta, e por isso sigo-os com mais atenção”.

Entre os seus amigos, Bruno é dos que mais se interessa por política. “Na minha geração, não são muitas as pessoas que ligam à política, não é um tema que desperte muito interesse, embora, às vezes, surjam discussões”. Bruno acha, no entanto, que votar é fundamental. Já a política activa não o atrai. Nunca participou numa campanha e, mesmo que Maria de Belém, a sua candidata, passe à segunda volta, não tenciona envolver-se. O seu futuro passa pelos relvados, não pelos corredores do poder.



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  • vim só comentar
    21 jan, 2016 Lisboa 20:05
    Enfim, estes miúdos ainda são muito anjinhos. A começar pelo Bruno Lima que nem sabe bem porque defende Maria de Belém, depois Maria Lorena parece que se convence facilmente com argumentação redonda do Sampaio da Nóvoa cheia de floreados, campos de flores e unicórnios, e por fim Bernardo Alvim que, com muita pena minha, já levou uma lavagem cerebral do partido que pertence porque todos os outros candidatos têm a mesma postura de fazer pontes e de serem árbitros, até porque os candidatos verdadeiramente independentes mostram isso mesmo. Só me resta concluir que esta sociedade está perdida, quando estes jovens não conseguem ver para além dos sorrisinhos e palavras bonitas.
  • Rui Pereira
    21 jan, 2016 Famalicão 20:00
    Repitam esta entrevista com os ditos cujos daqui a 20 anos e recoloquem as mesmas perguntas. Não é preciso ser profeta para prever as respostas...
  • MachoAlfa
    21 jan, 2016 Cucujães 19:50
    Porquê condicionar este tipo de entrevistas a 3 candidatos? Não me digam que é pelas posições dos candidatos nas sondagens pois toda a gente sabe que são compradas...
  • pp
    21 jan, 2016 lisboa 18:20
    ainda são muito novos, depois ve-se

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