Coronavírus
Conservação do património das igrejas. Não usar lixívia nem soluções alcoólicas
27 mai, 2020 - 18:34 • Olímpia Mairos
O alerta é da Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja de Santarém que partilha um conjunto de orientações para a correta higienização dos espaços.
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A Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja de Santarém lançou um guia com orientações para a higienização dos espaços litúrgicos, num momento em que as igrejas se preparam para voltar a receber celebrações comunitárias.
“Mais do que uma orientação pontual, motivada pela pandemia, configura uma síntese dos mais básicos procedimentos de conservação preventiva, a implementar permanentemente nos espaços de culto, adquirindo particular destaque no momento atual, ao exemplo de muitas outras orientações que somos chamados a implementar/rever no quotidiano”, explica o organismo da diocese de Santarém.
De acordo com o documento a “higienização regular dos pavimentos”, deve ser feita “tão regular quanto a intensidade da sua utilização” e deve ter em conta os “princípios básicos da preservação deste património”.
Assim deve evitar-se a “utilização de lixívia (hipoclorito de sódio) ou outros produtos agressivos, os quais provocam danos irreversíveis no património”, indica a comissão diocesana, aconselhando à utilização de água com detergente neutro.
“A lixívia contamina a pedra com sais (favorecendo aparecimento de “salitre”) e o álcool prejudica os acabamentos da madeira (por exemplo, verniz)”, alerta.
Também os vários materiais e equipamentos para pulverização e fumigação devem ser evitados.
“A sua utilização deve ser ponderada apenas para casos excecionais e de risco de contágio elevado, sendo completamente desaconselhada a sua aplicação generalizada, sobretudo em retábulos, esculturas, pinturas e demais património móvel, imóvel e integrado”, esclarece.
A Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja de Santarém assinala também que a “eliminação de micro-organismos nas superfícies contaminadas carece de tempos de contacto (necessários para a eficaz atuação do agente de limpeza/desinfeção) que, normalmente, não são assegurados por este tipo de procedimentos, principalmente se aplicados por pessoal não especializado”.
“Por outro lado, muitos destes agentes de desinfeção permanecem nas superfícies após a aplicação, revelando-se prejudiciais, quer para o património, quer para a saúde”, acrescenta.
De acordo com o organismo da Diocese de Santarém, existem no mercado vários detergentes neutros, que podem ser diluídos em água, permitindo uma lavagem regular e em segurança, quer para o operador, quer para os materiais.
“Com vista a assegurar o necessário tempo de contacto e atuação do detergente, o chão deve ser enxaguado, a cada lavagem, pelo menos duas ou três vezes, evitando excesso de água”, especifica, acrescentando que os bancos deverão ser lavados com um pano, água e detergente neutro”.
No que toca às esculturas, pinturas e outras obras de arte a indicação fundamental é “não tocar”, referindo-se ainda a necessidade de evitar a utilização de paramentos antigos, “com valor histórico e artístico”, recomendação que se estende a outras alfaias litúrgicas.
“Esculturas, pinturas e outros objetos artísticos não podem ser limpos ou desinfetados, sem que tal acarrete perigo de degradação e danos irreversíveis”, alerta a comissão para os bens culturais, aconselhando que “sendo viável, poderão relocalizar-se as peças em zonas menos acessíveis ou criar barreiras que evitem contactos desnecessários”.
De entre as orientações gerais destaca-se a sugestão de manter as portas abertas, sempre que possível, ou evitar tocar em superfícies e objetos desnecessários, procurando garantir que todas as pessoas desinfetam os mãos com álcool-gel.
“A higienização das mãos, a distância de segurança entre os indivíduos, a etiqueta respiratória e o uso de máscara em espaços fechados são os mecanismos principais para o controlo do contágio”, lembra a Comissão Diocesana para os Bens Culturais da Igreja de Santarém, indicando ainda que “as igrejas devem ser ventiladas, sempre que possível e sobretudo após as celebrações comunitárias”.
“Deve procurar-se a abertura de vãos que garantam a circulação de ar dentro do edifício, tendo em atenção evitar a entrada de pássaros, roedores e insetos, instalando, por exemplo, redes nas janelas, acautelar a segurança contra intrusões e possíveis furtos, garantindo que as igrejas não ficam abertas sem a devida vigilância”, esclarece.
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