Vaticano ordena Enzo Bianchi a abandonar o mosteiro ecuménico que fundou
29 mai, 2020 - 00:42
Em causa estão conflitos internos na comunidade que não puderam ser resolvidos de outra forma.
O Vaticano ordenou que o fundador do mosteiro ecuménico de Bose, Enzo Bianchi, abandone o mosteiro onde vive em Itália, juntamente com outros três religiosos.
A remoção de Enzo Bianchi foi tida como necessária depois de ter sido realizada uma visitação apostólica para averiguar “sérias preocupações” sobre “uma situação tensa e problemática” na comunidade, relacionada com o “exercício a autoridade por parte do fundador, a gestão do governo e o clima fraterno”.
O decreto do Vaticano tem data de 13 de maio, mas foi divulgado esta quinta-feira.
A ordem religiosa fundada por Enzo Bianchi tem uma regra inspirada nos santos São Bento e São Basílio, e aceitava homens e mulheres, de diferentes confissões cristãs.
Enzo Bianchi era um homem muito respeitado em Roma, tendo participado em vários sínodos. Em 2014 foi nomeado consultor do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, segundo a agência ACI Digital.
As primeiras conclusões da visitação foram rejeitadas por várias partes, pelo que “foi considerado necessário precisar que as disposições dizem respeito ao irmão Enzo Bianchi, dois irmãos e uma irmã, os quais deverão afastar-se da Comunidade monástica de Bose e transferir-se para outro lugar, cessando todos os encargos atualmente detidos”.
O Cardeal Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, enviou uma carta à comunidade que marcou “um caminho de futuro e de esperança, indicando as linhas de sustentação de um processo de renovação, que confiamos infundirá renovado impulso a nossa vida monástica e ecumênica”.
Bianchi já tinha renunciado como prior da comunidade em 2017, tendo sido sucedido por Luciano Manicardi.
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