Patriarca alerta para limitações educativas e culturais
28 jun, 2020 - 19:19 • Eunice Lourenço
D. Manuel Clemente ordenou cinco novos padres, a quem pediu uma caridade atenta a todos.
Há limitações físicas que exigem resposta clínica, mas o mundo sofre hoje limitações educativas e culturais que precisam de resposta espiritual e ao nível dos valores – um alerta deixado pelo cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, na missa em que foram ordenados cinco novos padres para a diocese de Lisboa.
Pegando as leituras da solenidade de S. Pedro e S. Paulo, entre as quais estava a narração da cura de um homem coxo, D. Manuel Clemente disse que no mundo de hoje também há muitas pessoas tolhidas, com problemas físicos ou de valores.
“Há limitações físicas, nalguns casos, que pedem resposta clínica competente. mas outros se acrescentam.de ordem educativa e cultura, quando alguma ideologia ou preconceito contrariam a formação e o crescimento no quadro geral de valores humanizantes, valores como os que incluem p respeito pela vida, concebida ou fragilizada que esteja, a complementaridade essencial homem-mulher, a igual dignidade de todos ou a abertura à religião transcendente”, afirmou D. Manuel Clemente, que citou ainda, a este propósito, o Papa Francisco para considerar que a recusa da dimensão transcendente do homem é a maior causa de deformação ética e de enfraquecimento do sentido do pecado, que provoca desorientação generalizada.
Naquela que foi a primeira missa de ordenações sacerdotais em tempo de pandemia e que decorreu no Mosteiro dos Jerónimos, com uma assembleia reduzida, o Patriarca ordenou cinco novos padres. E começou por salientar, precisamente, esses condicionamentos que devem levar todos a centrar-se no essencial.
“O que aqui nos traz é Cristo, como resposta de Deus ao mundo”, disse D. Manuel, salientando que “o mundo está cheio de bons exemplos de solidariedade”, mas “Cristo foi muito além desta ordem natural das coisas e do limite espontâneo dos afetos, preferindo os últimos e amando a todos por igual de coração indiviso”.
Por isso, também pede aos cinco novos sacerdotes, um coração sem divisões. “É neste sentido que opção preferencial pelos pobres ou o celibato por amor do Reino os Céus assinalam o que vai além da carne e do sangue. Exigindo conversão permanente, são grande serviço da Igreja ao mundo para que este não se encerre em si mesmo, para que o mundo se converta na matéria do Reino e todo o bem se eternize naquele Amor que nunca acabará”, sublinhou, pedindo aos novos padres uma caridade atenta a todos.
“Não vos ficareis pelo modo mundano de olhar as coisas”, disse o bispo de Lisboa, apelando: “Que na vossa própria conduta e pregação, na resposta que dareis a tanto brado, ressalte sempre e em tudo o nome de Jesus, a verdade do Evangelho e o fulgor da caridade mais atenta.
- Noticiário das 13h
- 15 jul, 2026







