Mochila “A luz do caminho” chega a Portugal e tem como destino Compostela
07 jul, 2020 - 17:01 • Henrique Cunha
A ideia foi de um espanhol. Em tempo de pandemia, com grande restrição à circulação de pessoas, decidiu colocar no caminho uma mochila. Intitulada "A luz do caminho" é levada por caminheiros que se revezam a um ritmo de cada cinco quilómetros.
A ideia foi de um espanhol. Em tempo de pandemia, com grande restrição à circulação de pessoas, decidiu colocar no caminho uma mochila. Intitulada "A luz do caminho" é levada por caminheiros que se revezam a um ritmo de cada cinco quilómetros.
“A ideia é que a mochila vá passando, vá ganhando pernas. Hoje são as minhas, amanhã poderão ser as suas. E fazemos as etapas todas", explica Guilherme Rodrigues, responsável pela organização portuguesa desta iniciativa.
De acordo com este caminheiro, “a mochila irá mudar de mãos até chegar à fronteira”.
“Eu só vou levá-la até Valença, embora a fronteira já tenha aberto”, mas “vamos respeitar o princípio ela vai passar de mão em mão”.
“As novas tecnologias levaram a que fosse possível criar uma dinâmica em que temos de praticamente de cinco em cinco km - e iremos fazer cerca de 130 – a possibilidade da mochila poder mudar de mãos”, esclarece.
Guilherme Rodrigues diz que tudo vai começar “na missa das 11 horas de 10 de julho na Sé do Porto com a bênção da mochila”. “Vamos convidar o senhor prior para simbolicamente acender a luz que depois não se apagará até à praça do Obradoiro”; adianta Guilherme Rodrigues.
Feitos os preparativos na “madrugada do dia 11 às seis da manhã sairemos da Sé do Porto para depois chegarmos a Tui”.
Guilherme revela que por detrás da iniciativa “está a ideia de homenagear todos os que com o seu trabalho e dedicação se entregaram às suas causas e profissões e também todos os que desapareceram devido à pandemia”. E garante que a “ideia não é aumentar os casos Covid. a ideia é homenagear. E por isso, tudo vai ser feito segundo as distancias necessárias, segundo as desinfeções exigidas. Vamos mesmo exagerar nisso. A mochila vai ser desinfetada ao passar de mão.
O objectivo é poder juntar a mochila portuguesa aquela que está em trânsito pelo caminho francês e promover a entrada em conjunto na praça do Obradoiro, sempre com a luz acesa, no dia 24 de Julho, véspera da solenidade de Santiago.
Como fazer o caminho, apesar da pandemia?
“Se toda a gente for para o caminho neste momento, o caminho não tem resposta. As pessoas não podem fazer como faziam”, afirma Guilherme Rodrigues. “Não se pode pensar: eu quero ir e vou”, esclarece.
Contudo, o caminheiro acredita que se as pessoas “programarem já podem fazer o caminho”, pois “os albergues estão a abrir com segurança, os hotéis estão também a ter atenção a isso”.
“E o caminho se o fizermos três quatro pessoas com máscara, com respeito por nós para termos respeito pelos outros eu acho que o caminho já está aberto com segurança”, conclui Guilherme Rodrigues.
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