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Bispos sobre a eutanásia. “Parlamento está em vias de dizer: Se as coisas estão mal, ajudamos-te a morrer”

23 out, 2020 - 17:23 • Ricardo Vieira

Conferência Episcopal lamenta chumbo do referendo pela maioria dos deputados, decisão que representa, na prática, a aprovação da lei que despenaliza a eutanásia, “embora o processo legislativo ainda não esteja finalizado”. CEP vai continuar a lutar pela defesa da vida.

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A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) lamenta a decisão do Parlamento, que esta sexta-feira chumbou a iniciativa popular para realização de um referendo à despenalização da eutanásia.

Para os bispos portugueses, a rejeição do referendo representa, na prática, a aprovação da lei que despenaliza a eutanásia, “embora o processo legislativo ainda não esteja finalizado” e ainda tenha que ser promulgado pelo Presidente da República e, eventualmente, passar pelo Tribunal Constitucional.

A CEP lamentamos que a maioria dos deputados “não queira auscultar o povo, impossibilitando um debate mais amplo e uma reflexão mais aprofundada sobre tema tão essencial para cada cidadão e para a sociedade no seu todo”.


Outra crítica vai para o timing para a despenalização da eutanásia, numa altura em que o país passa por uma nova vaga da pandemia de Covid-19.

“Achamos ainda ter sido o pior momento para se tomar esta decisão, atendendo à gravíssima situação de pandemia que a todos atinge de modo tão dramático e, de modo particular, os mais idosos.”

“Perante os dramas da vida, como o desta pandemia, a resposta não pode ser o que o nosso Parlamento está em vias de dizer: ‘Se as coisas estão mal, então ajudamos-te a morrer’. O que faz falta é dizer e agir na atitude de quem afirma: ‘Se o sofrimento se torna tão dramático e insuportável, vamos estar a teu lado e ajudar-te a encontrar razões e meios para viver’”, declaram os bispos de Portugal.

A Conferência Episcopal Portuguesa garante que vai continuar a lutar pela causa da vida humana e pela sua defesa, juntamente com as forças da sociedade, “incentivando a encontrar caminhos de proximidade e acompanhamento em cuidados paliativos para os nossos idosos”.

O Parlamento chumbou, esta sexta-feira, a iniciativa popular para promover um referendo à eutanásia – que recolheu mais de 95 mil assinaturas. O PS, o PCP, os Verdes, o BE, nove deputados do PSD e duas deputadas não inscritas votaram contra a proposta.

Na bancada do PSD votaram contra a proposta os deputados Rui Rio (presidente do PSD), André Coelho Lima, António Costa Lima, Mónica Quintela, Catarina Rocha Ferreira, Isabel Meireles, Márcia Passos, António Maló de Abreu e Sofia Matos.

Na bancada social-democrata, os restantes deputados votaram a favor ao lado do CDS e do deputado único da Iniciativa Liberal. André Ventura, do Chega, não votou por não se encontrar presente.

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  • João Lopes
    24 out, 2020 Viseu 10:57
    Eutanasiar é matar. Durante a última campanha eleitoral, os maiores partidos não falaram da eutanásia: morte de seres humanos de saúde muito débil. Foi uma grande traição ao povo e à sociedade portuguesa. Queremos um referendo para que todos os portugueses se manifestem, porque com a eutanásia e o suicídio assistido, não se elimina o sofrimento, elimina-se a vida da pessoa que sofre.
  • José Gaspar
    23 out, 2020 Leiria 17:46
    A mania de os políticos os jornalista e a Igreja de se meterem no que diz respeito a cada um de nós cidadãos, porque carga de água tem de ser o meu vizinho a decidir o que eu quero da vida em caso de ficar em estado vegetativo? A lei sendo aprovada não obriga ninguém a pôr termo à vida apenas dá a possibilidade de cada um decidir se quer continuar a vegetar ligado as máquinas ou quer ter um morte digna em vez de ficar a causar sofrimento aos familiares por vezes anos e anos, não tem nada a ver com política tem a ver com o que cada um de nós quer decidir sobre a sua vida. Os políticos são engraçados porque não fizeram um referendo se queríamos ir para a CEE, para que o dinheiro dos nossos impostos fossem para os bancos, TAP e outras empresas públicas? Aí decidiram sem nos consultar.

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