“Não fui feliz. A comunicação não foi adequada”, diz D. José Ornelas
09 mar, 2023 - 12:38 • Olímpia Mairos
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, em entrevista ao Expresso, admite que a reação ao relatório de abusos sexuais na igreja “não foi adequada” e diz compreender quem possa ter ficado dececionado.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa reconhece que não foi feliz na comunicação feita em Fátima, na passada sexta-feira, depois da Comissão Independente ter entregado a lista de alegados abusadores.
Em entrevista ao jornal Expresso, D. José Ornelas diz compreender quem possa ter ficado dececionado.
“Compreendo e assumo que aquela comunicação, naquele dia não fácil, não foi adequada e eu também não fui feliz; não correu bem, e isso eu assumo. Não consegui passar aquilo que levava para dizer", admitiu D. José Ornelas.
Nesta entrevista, questionado se a Igreja não devia criar um manual de prevenção deste tipo de crimes, D. José Ornelas afirmou que “já temos um manual prático, vade mecum, em latim. Mas vamos revê-lo. E temos ações de formação a decorrer sobre este tema específico”.
Já na quarta-feira, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), em declarações à Renascença tinha garantido que a Igreja está empenhada em erradicar os abusos e prometeu apresentar mais medidas para os próximos dias.
“As medidas já tomadas e que continuarão nos próximos dias são sinal de um compromisso sério da Igreja em Portugal e de um total empenho em erradicar os abusos sexuais das crianças e dos jovens, porque isto é algo não só devastador para as vítimas, mas, também, completamente contraditório com aquilo que é a Igreja, ao seu papel e aquilo que ela pretende fazer”, disse o prelado.
Reforçando que a Igreja Católica deseja “ser parte ativa na resolução desta dramática situação que é transversal a toda a sociedade”, o também bispo de Leiria-Fátima mostrou-se disponível para “prestar todas as informações e esclarecimentos necessários na Assembleia da República, a propósito das ações que estamos a realizar no âmbito dos abusos sexuais de menores e de pessoas vulneráveis.”
"Este é um ponto muito positivo, que vai ao encontro de algumas decisões tomadas na última assembleia plenária do episcopado português e que já está a ter consequências práticas, desde logo na atuação por parte de algumas dioceses que receberam as listas elaboradas, com toda a competência, por parte da Comissão Independente e do grupo de investigação histórica dos arquivos diocesanos e das estruturas de vida consagrada”, sublinhou o presidente da CEP.
Abusos na Igreja. D. José Ornelas promete mais medidas nos próximos dias
Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa gar(...)
Se foi vítima de abuso ou conhece quem possa ter sido, não está sozinho e há vários organismos de apoio às vítimas a que pode recorrer:
- Serviço de Escuta dos Jesuítas , um “espaço seguro destinado a acolher, escutar e apoiar pessoas que possam ter sido vítimas de abusos sexuais nas instituições da Companhia de Jesus.
Telefone: 217 543 085 (2ª a 6ª, das 9h30 às 18h) | E-mail: escutar@jesuitas.pt | Morada: Estrada da Torre, 26, 1750-296 Lisboa
- Rede Care , projeto da APAV, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, que “apoia crianças e jovens vítimas de violência sexual de forma especializada, bem como as suas famílias e amigos/as”.
Com presença em Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Setúbal, Santarém, Algarve, Alentejo, Madeira e Açores.
Telefone: 22 550 29 57 | Linha gratuita de Apoio à Vítima: 116 006 | E-mail: care@apav.pt
- Comissões Diocesanas para a Protecção de Menores . São 21 e foram criadas pela Conferência Episcopal Portuguesa.
São constituídas por especialistas de várias áreas, recolhem denúncias e dão “orientações no campo da prevenção de abusos”.
Podem ser contactadas por telefone, correio ou email.
Para apoiar organizações católicas que trabalham com crianças:
- Projeto Cuidar , do CEPCEP, Centro de Estudos da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica
Se pretende partilhar o seu caso com a Renascença, pode contactar-nos de forma sigilosa, através do email: partilha@rr.pt
Hora da Verdade
"Todos os bispos têm de atuar assim", diz arcebispo de Évora após afastar padre
D. Francisco Senra Coelho admite que há "opiniões (...)
- Noticiário das 12h
- 08 mai, 2026









