Diocese de Vila Real celebra centenário da dedicação da Catedral
18 nov, 2024 - 09:33 • Olímpia Mairos
Programa das comemorações abre com um concerto pelo Ensemble da Sé e termina com a eucaristia presidida por D. António Augusto Azevedo.
A Diocese de Vila Real celebra no próximo domingo o centenário da dedicação da Catedral, uma celebração que o bispo diocesano, D. António Augusto Azevedo, vê como "um momento muito significativo".
"Quer dizer que ela passou a ter uma sagração, passou a ter um lugar especial na comunidade de crentes”, diz o prelado à Renascença.
“No caso concreto de uma Sé, é o lugar de encontro de toda uma diocese, é o lugar de reunião, é o lugar de celebração, é o lugar de vivência dos grandes momentos da vida de uma diocese e, portanto, celebrar 100 anos da sua dedicação é celebrar 100 anos de ação de graças pelas coisas boas que aconteceram."
Para D. António Augusto, a celebração do centenário da dedicação da Sé é também “um momento, uma oportunidade para todos os diocesanos reconhecerem um pouco mais, terem um pouco mais a consciência do lugar da Sé, um ponto de encontro, sinal de unidade, sinal de comunhão, casa que acolhe a todos.”
“Se na igreja há lugar para todos, esse lugar por excelência é a Sé, onde há lugar para todos os cristãos de uma diocese, membros de uma igreja”, vinca o bispo, realçando que as celebrações do centenário reforçam “o sentido de comunhão e é também um elemento bonito e muito significativo neste caminho sinodal, em que sentimos que caminhamos juntos”.
Numa diocese, a Sé é a igreja do bispo diocesano, lugar de acolhimento e de irradiação da fé.
“Como a palavra indica, Sé é sede, lugar do bispo; é catedral, lugar da cátedra do bispo, portanto, lugar onde o bispo exercita o seu múnus, o seu papel, a sua missão de ensinar e de santificar o seu povo”, explica D. António Augusto Azevedo.
Se é verdade que o bispo percorre todas as comunidades da sua diocese, “é, sobretudo, na Sé onde ele acolhe a todos, onde se torna mais visível a unidade da Igreja, do bispo com o clero, do bispo com todos os cristãos. A Sé tem, de facto, esse sentido de sede, lugar de encontro, lugar de acolhimento e lugar também de ensino, ou seja, também de irradiação da palavra, de onde irradiam os sacramentos, os óleos e os outros sinais sacramentais que chegam a toda a diocese. Portanto, é lugar de acolhimento e, simultaneamente, de irradiação”, conclui.
O centenário da dedicação da catedral vai ser assinalado no domingo, dia 24, com a celebração de uma Eucaristia, às 16h30, presidida por D. António Augusto Azevedo, precedida de uma conferência “Igreja de São Domingos de Vila Real: de igreja conventual a Catedral da Diocese. História. Arte. Património”, pelo professor Vítor Teixeira.
No dia anterior, sábado, o programa começa com uma visita guiada à Sé, orientada pelo Dr. João Ribeiro da Silva. Segue-se a oração de laudes e adoração eucarística, às 10h00. À tarde, pelas 17h00, tem lugar a oração de vésperas, o Te Deum e a bênção eucarística. À noite, haverá uma vigília com jovens de toda a diocese, reunidos desde a tarde para a celebração do Dia Mundial da Juventude.
Na sexta-feira, dia em que a Igreja celebra Santa Cecília - a padroeira da música sacra - terá lugar, pelas 21h00, um concerto - "Missa em Ré Maior" de Antonín Dvořák, pelo Ensemble da Sé.
Frederico Ferreira, diretor musical do Ensemble da Sé diz que estão reunidas as condições para “um concerto magnífico que o público poderá depois apreciar”.
Sobre o compositor da obra que vai ser executada, Antonín Dvořák, Frederico Ferreira diz tratar-se de “uma das figuras mais importantes do século XIX”.
“Ele é conhecido, principalmente, pelo seu estilo distintivo, que mistura elementos da música clássica tradicional com melodias e ritmos inspirados na música folclórica checa.
“E dentro da vasta obra que Dvořák compôs, nomeadamente sinfonias, concertos, músicas de câmara, obras corais e música sacra, para este concerto, para assinalar os 100 anos da dedicação da Igreja Catedral, escolhemos a missa em Ré Maior, Opus 86, a sua primeira versão para coro e órgão”, explica.
O diretor musical do Ensemble da Sé refere ainda que preparar este concerto tem sido “uma experiência verdadeiramente enriquecedora”, não só pelo trabalho musical, mas também pelas relações de amizade que se vai construindo, porque - refere - “nós não nos encontramos regularmente, infelizmente, e aproveitamos sempre estes concertos e este trabalho de ensaio, para matarmos saudades e restabelecermos e fortalecermos aqui as relações de amizade e de entreajuda”.
“Acima de tudo, e que eu gostava de frisar, há, aqui, uma entreajuda muito grande entre os cantores profissionais, entre a própria diocese e a música, porque nós estamos a fazer música gratuita para a população, e de alto nível, e que, efetivamente, merece ser reconhecido este trabalho de generosidade de quem prepara um concerto deste género”, conclui.
O concerto “Missa em Ré Maior” de Antonín Dvořák terá a duração de aproximadamente 50 minutos e abre as comemorações dos 100 anos de dedicação da Igreja Catedral.
Na mensagem que dirigiu a toda a diocese, D. António Augusto Azevedo convida “todos os diocesanos a participarem nas celebrações do centenário que terão lugar na própria Sé. Serão momentos de ação de graças pelos dons recebidos ao longo destes cem anos, bem como oportunidade para reforçar a consciência de Igreja diocesana e do lugar da ‘Igreja Mãe’ da diocese como casa para todos”.
“Ela representa ainda, para a cidade e para a região, um tesouro artístico, um espaço incomparável de culto e de cultura”, assinala.
A igreja de São Domingos foi elevada à dignidade de Catedral com a Bula de criação da nova diocese, datada de 20 de abril de 1922, pelo Papa Pio XI.
Após a entrada na diocese do seu primeiro bispo, D. João Evangelista de Lima Vidal, em outubro de 1923, a solene liturgia da Dedicação da Catedral teve lugar a 24 de novembro do ano seguinte. Situada no centro da cidade, foi começada a construir em 1424 e serviu, durante séculos, como Igreja conventual e Igreja Paroquial.
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