Leigos para o Desenvolvimento promovem exposição e leilão solidário
21 nov, 2024 - 18:18 • Ângela Roque
Obras a licitar podem ser vistas até 24 de novembro na Igreja de S. Roque, em Lisboa. Leilão decorre online até dia 25, na plataforma de uma conhecida leiloeira portuguesa. Iniciativa visa apoiar missões da ONGD católica em África.
Os Leigos para o Desenvolvimento estão a promover um leilão solidário com obras que encomendaram a um conjunto de artistas, muitos deles antigos voluntários desta organização não-governamental para o desenvolvimento (ONGD) católica que tem projetos de voluntariado missionário em África.
A iniciativa “faz parte de uma série de ações de angariação de fundos, para garantir a sustentabilidade das missões que temos atualmente em Angola, São Tomé e Príncipe e Moçambique”, explica à Renascença Mariana Pimenta, curadora da exposição e do leilão.
As peças são todas sobre um tema comum. “Convidámos estes 15 artistas a fazerem uma obra e a interpretarem a Sagrada Família. A maioria são pinturas e desenhos, temos algumas colagens e três esculturas, em cerâmica vidrada”, indica aquela responsável.
Todas as obras podem ser vistas na Igreja de São Roque, em Lisboa, até ao próximo domingo, e ser licitadas até segunda-feira. “O leilão decorre online, e na plataforma onde decorre onde encontram a descrição de cada uma. Todos podem calmamente consultar estas obras e fazer as suas licitações até ao dia 25, às 19h00. Os fundos desta iniciativa revertem na totalidade para as missões dos Leigos para o Desenvolvimento”, esclarece Mariana Pimenta.
Os artistas convidados são de várias idades, mas todos têm alguma ligação aos Leigos para o Desenvolvimento. “Alguns já têm alguma experiência em exposição e criação, com currículo mais preenchido, outros estão agora a começar. Temos pessoas muito novas, realmente em início de carreira artística. Para nós é muito interessante também poder lançar estes artistas, divulgar e apoiar o seu trabalho”. Mariana Pimenta também assina uma das obras, mas entre os autores encontramos nomes como Mário Linhares, Maísa Champalimaud, Carmo Pupo ou o padre Vasco Pinto Magalhães, entre outros.
“É sempre nosso desejo fazer mais”
Há mais de 35 anos que os Leigos para o Desenvolvimento - uma ONGD católica, ligada aos jesuítas - envia jovens voluntários para países de expressão portuguesa, onde permanecem no mínimo durante um ano, trabalhando em conjunto com as comunidades locais.
Neste momento têm missões asseguradas por dez voluntários. “Partiram em setembro, e ficam até setembro/outubro do próximo ano”. Estão três na missão de Moçambique, três na de São Tomé e quatro na de Angola. Mas há sempre custos acrescidos que têm de ser suportados, daí a necessidade de angariar apoio através de iniciativas como as que estão a promover.
“É mesmo importante, porque os Leigos para o Desenvolvimento têm projetos, alguns financiados por entidades como a Fundação Gulbenkian, o Instituto de Camões, e outras parcerias com outras organizações com financiamentos da União Europeia. Mas, a verdade é que ter dez voluntários no terreno - embora não remunerados, obviamente, são voluntários -, há todo um custo e é preciso garantir a sua sustentabilidade, para podermos continuar a fazer este trabalho”, explica Mariana Pimenta.
“É sempre nosso desejo fazer mais. Neste momento temos três missões, dez voluntários, mas sempre que faz sentido tentamos responder aos convites das dioceses locais para abrirmos mais missões.”
As missões são de voluntariado missionário de longa duração. O trabalho no terreno é feito por jovens voluntários que permanecem pelo período mínimo de um ano, para capacitar as comunidades locais a resolverem os seus problemas.
“Trabalham numa lógica de desenvolvimento comunitário, com base local. O que é que isto quer dizer? Os voluntários vivem e trabalham na comunidade, com um grupo comunitário, que muitas vezes é mobilizado pelo leigo em missão. Neste grupo estão representadas as várias entidades, desde o diretor da escola, ao diretor do centro de saúde, à associação de moradores, à associação de mulheres, à associação de pescadores, depende das características da comunidade onde estão inseridos. Mas as lideranças locais fazem parte deste grupo comunitário”, sublinha.
Explica que “é através deste grupo que são identificadas as necessidades da própria comunidade, que faz essa análise e em conjunto com os Leigos procuram encontrar soluções para resolver os seus próprios problemas, a maioria relacionados com a educação, a formação profissional, a criação dos próprios negócios, mas também a ocupação das crianças fora dos períodos da escola, através de grupos culturais, grupos de teatro. Portanto, os Leigos mobilizam e dinamizam os grupos a partir das necessidades que a comunidade identifica. Chama-se isto desenvolvimento integral e integrado”.
Mariana Pimenta acredita que a iniciativa solidária que estão a dinamizar permitirá ir mais longe no trabalho que fazer. “Estamos muito agradecidos pelo apoio que recebemos, da igreja de S. Roque e da leiloeira, e acreditamos que esta iniciativa terá sucesso também através da participação de todas as pessoas. Por isso convidamos a que todos possam visitar a exposição até dia 24, domingo, até às 18h00, ou então licitar uma obra até segunda-feira, dia 25, até às 19h00”.
Só último ano beneficiaram dos projetos dos Leigos para o Desenvolvimento cerca de 20 mil pessoas. E em 35 anos já partiram em missão mais de 450 voluntários.
- Noticiário das 11h
- 12 mai, 2026








